EAV Parque Lage

A casa como destino. A casa como projeto.

A casa como destino. A casa como projeto.

Nathanael Araujo, 2020

Professor: Nathanael Araujo

Semestral 2020.2
17 de agosto a 07 de dezembro
Segundas, de 15h às 17h
R$ 1710,00 ou 5x de R$ 342,00

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*Leia atentamente todas as normas de matrícula antes de se inscrever. Clique aqui.
A matricula online não oferece desconto. A política de descontos só é oferecida na matrícula com pagamento via boleto bancário.

ANTROPOLOGIA URBANA, TEORIAS FEMINISTAS, TEORIAS DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS, ARTE MODERNA, ARTE CONTEMPORÂNEA, ANTROPOLOGIA DA ARTE, HISTÓRIA SOCIAL DA CULTURA

SOBRE
O curso visa explorar as contribuições de arquitetos, antropólogos, sociólogos e artistas que têm elaborado sobre as relações entre ideias e experiências perceptivas e criativas do mundo que habitamos. A pergunta condutora do curso será: como as casas podem ser pensadas enquanto destino ou projeto segundo critérios de gênero, raça/etnia, região e estilos de vida? Para isso, teremos a participação de alguns convidados que têm formulado trabalhos que possam impulsionar nossa pergunta motriz. Por sua vez, professor e alunos, munidos de enquadramentos e repertórios variados, buscarão “responder” a pergunta por meio da criação de um livro de artista que expresse os processos decorrentes dos encontros semanais.

Participações: Camila Gui Rosatti, Gustavo Piqueira, Heloisa Pontes, Jérôme Souty, Julia Guimarães Barbosa, Julia Sant’Anna, Marianne Bulhões, Patricia Reinheimer, Rafael do Nascimento Cesar, Vânia Medeiros.

CONTEÚDO
Iremos debater os conceitos de gênero, raça/etnia e moradia; os debates sobre espaço e lugares públicos e privados, domésticos e urbanos; as relações entre casa e loucura na construção de si; as relações entre o morar e a produção cultural de Alice Brill e Julien Czapski, Elisinha Gonçalves e Walter Moreira Salles, Olly e Werner Reinheimer, Nara Leão, Caetano Veloso, Virginia Wolf, Alice Walker, Lima Barreto e Carolina Maria de Jesus; as ideias de casa em relação a outros locais como a rua, motéis, hospícios e parques; o desenho como corpo, o caderno como casa, o morro e o asfalto narrados por crianças; a criação de conjuntos narrativos de jantar e as fachadas de casas populares como expressão de gostos sociais.

Os conteúdos estarão correlacionados com o tempo presente, onde acontecimentos recentes no mundo e no Brasil alçaram ainda mais as pessoas a despertarem para a casa como expressão ora de proteção ora de perigo. Dois desses acontecimentos no plano mundial e no plano nacional nos auxiliam a dar cores à assertiva.
Os efeitos do vírus SARS-CoV-2 e da doença dele decorrente, a COVID-19, ainda não são possíveis de serem mesurados. Mas desde a sua galgada entre escalas, que foram da classificação epidemiológica do surto local à pandemia global, vírus e doença tem se revelado potentes agentes desencadeadores de crises sanitárias, econômicas e políticas.

As desigualdades sociais que regem a sociedade brasileira ganharam, assim, novos contornos ao buscarmos por em prática as recomendações de isolamento social feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como ação eficaz para desacelerar a taxa de contaminados e impedir que o sistema de saúde colapsasse. Se não há uma seletividade biológica por parte do vírus em uma pandemia, há uma distribuição desigual dos riscos.

Há aqueles que sequer possuem uma casa para se isolar socialmente e há os que possuem. Nesse segundo grupo, há os que não podem ficar o tempo todo em casa devido ao trabalho, considerado essencial. Há os que não possuem espaço físico adequado para acomodar a si e aos seus devidamente. E temos ainda, por um lado, o aumento de denúncias de violência doméstica (feminicídio e infanticídio) e, por outro lado, aumento de operações policiais que seguem ceifando a vida de jovens negros como a do adolescente João Pedro Mattos de 15 anos, que brincava com os amigos quando teve a casa invadida e fuzilada por mais de 70 tiros em operação no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Esses e outros acontecimentos que operam apostando na casa ora como proteção e ora como perigo mobilizam maior olhar para a própria ideia de casa e, ainda, estética. Destino ou projeto exprimem pessoas individuais, dotadas de gênero e raça/etnia, mas também entendimentos coletivos sobre lugares públicos, privados, domésticos, urbanos. As casas e as cidades narradas em modalidade artística por meio de alguns dos seus habitantes. E como determinados artistas narraram em fotografias, filmes, músicas, literaturas e desenhos as casas e cidades.

O curso será composto por uma aula semanal de 3 horas estruturada da seguinte maneira: na primeira parte, contaremos com a participação de um pesquisador ou artista convidado que irá apresentar suas experiências criativas e investigativas em diálogo com a proposta do curso. Na segunda parte, debateremos sobre os assuntos apresentados, nos debruçando ainda sobre alguns livros de artista selecionados previamente e as conexões possíveis com nossos próprios trabalhos individuais e para o livro de artista a ser construído ao longo do semestre. Os convidados enviarão um texto curto e de formato livre enviado para o desenvolvimento e elaboração do livro de artista coletivo realizado pelos alunos integrais do curso.

DINÂMICA
Aula expositiva por videoconferência
Exercícios semanais com acompanhamento coletivo em aula
Compartilhamento de referências semanais com debates coletivos em aula

PÚBLICO
Indicado para pessoas interessadas em conhecer e/ou pesquisar o tema.

REFERÊNCIAS

BORGES, Antonádia. “Mulheres e suas casas: reflexões etnográficas a partir do Brasil e da África do Sul”, Cadernos Pagu n.40, 2013, pp.197-227.

BOURDIEU, Pierre. “A casa ou o mundo às avessas”. In: CORRÊA, Mariza (org), Ensaios sobre a África do Norte. Campinas: IFCH, Texto Didático n. 16, 2002, pp.89-112.

LEMOS, Carlos. Alvenaria burguesa – breve história da arquitetura residencial de tijolos em São Paulo a partir do ciclo econômico liderado pelo café. São Paulo: Nobel, 1985.

LÉVI-STRAUSS, Claude. “A noção de casa”. In: Claude Lévi-Strauss, Minhas palavras. SP: Brasiliense, 1986, pp.185-187.

MARCELIN, Louis. “A linguagem da casa entre os negros no recôncavo baiano”, Mana. vol. 5, n.2, 1999, pp.31-60.

MCCLINTOCK, Anne. Couro Imperial: raça, gênero e sexualidade no embate colonial. Campinas: Editora Unicamp, 2010.

PONTES, Heloisa. “Casas e domesticidade encenadas na metrópole”. In: José Lira; Joana Mello; Flávia Brito; Silvana Rubino. (Org.). Domesticidade, gênero e cultura material. 1aed. SP: Centro de Preservação Cultural da USP; EDUSP, 2018, v. 1, p. 275-287.

PONTES, Heloisa; CESAR, Rafael do Nascimento. “Da orla à sala de jantar: gênero e domesticidade na bossa nova e na tropicália”. Novos Estudos. CEBRAP, v. 38, p. 667-688, 2019.

PRECIADO, Beatriz. Portonopia: arquitetura y sexualidade em Playboy durante la guerra fria. Barcelona, Editorial Anagrama, 2010.

REINHEIMER, Patrícia. OLLY: raça, classe e gênero na invenção de uma modernidade rústica (livro no prelo).

ROSATTI, Camila Gui. Casas burguesas, arquitetos modernos: condições sociais de produção da arquitetura paulista. Tese de doutorado em sociologia, USP, 2016.

SOUTY, Jérôme. Motel Brasil: uma antropologia contemporânea. RJ: Editora Telha, 2019.

VELHO, Gilberto. “Projeto, emoção e orientação em sociedades complexas”. In: _____. Um Antropólogo na Cidade. Ensaios de antropologia urbana. RJ: Zahar, 2013.

VELHO, Gilberto. A Utopia Urbana: um estudo de antropologia social. RJ: Zahar, 1989.

RECURSOS NECESSÁRIOS
Acesso à internet
Computador ou celular com câmera

SECRETARIA
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NATHANAEL ARAUJO
Antropólogo, editor e professor na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde tem ministrado cursos de arte impressa e livros de artista em suas conexões com relações de gênero, raça e sexualidade. Pesquisador do Núcleo de Estudos de Gênero PAGU (UNICAMP) e do Núcleo de Direito e Democracia do CEBRAP, atualmente está em fase de conclusão do doutorando em Antropologia Social pela UNICAMP. Organizou o dossiê Gênero e Sexualidade para a Revista Ludere (2018), e, como editor da Proa: Revista de Antropologia e Arte, coorganizou outros dois dossiês: Arte e Rua com Rafael Cesar (2017) e Arte, Arquitetura e Design com Heloisa Pontes (2019). Também coorganizou com Patricia Reinheimer e Miriam de Oliveira Santos a coletânea Imigração e Cultura Material: coisas e pessoas em movimento (Editora Oikos, 2019). Em seu mais recente curso ministrado na EAV, o trabalho com os alunos e as alunas gerou a publicação de artista Ars Sexualis (EAV Parque Lage, 2020).