EAV Parque Lage

Missão, Visão e Valores

MISSÃO
Ser um centro de formação, questionamento, experimentação e diálogo entre os vários campos da arte e da cultura contemporâneas, com metodologias e práticas libertárias. Uma escola que responde ao seu tempo, forma e aprende nas suas relações sociais com o seu entorno e a floresta.

VISÃO
Ser um espaço de referência na América Latina no cultivo e desenvolvimento de experimentações artísticas e pedagógicas inovadoras. Uma escola que aprende com a arte, a natureza e seus diferentes públicos visando a construção de uma sociedade a favor da vida e do ambiente, democrática, inclusiva e antirracista.

VALORES
• Diversidade
• Liberdade de expressão, criação e manifestação
• Arte como direito e não privilégio
• Responsabilidade na aplicação de recursos públicos e privados

História

Desde sua fundação, a EAV desenvolve programas de ensino em arte voltados para a formação de artistas, curadores, pesquisadores e interessados em estabelecer ou aprofundar o contato com a arte. Fundada por Rubens Gerchman em 1975, a EAV passou a ocupar a mansão em estilo eclético, tombada pelo IPHAN como patrimônio histórico e paisagístico, substituindo o Instituto de Belas Artes. Projetada pelo arquiteto Mario Vodret em 1920, a residência do armador brasileiro Henrique Lage e sua esposa, a cantora lírica italiana Gabriela Besanzoni, foi tomada pela efervescência cultural gerada pelo modelo de escola aberta – um espaço para novas concepções estéticas – implementado por Gerchman.

Durante a segunda metade da década de 1970, reuniram-se nesse ambiente transdisciplinar cerca de quarenta artistas e intelectuais de peso, tais como Helio Eichbauer, Lina Bo Bardi, Mario Pedrosa, Alair Gomes, Roberto Magalhães, Celeida Tostes, Gastão Manoel Henriques, Claudio Tozzi, Marcos Flacksman, Sergio Santeiro, Dionísio del Santo, Roberto Maia, Lelia Gonzáles, Paulo Herkenhoff, entre outros. As 65 oficinas oferecidas ao público de aproximadamente dois mil alunos definiram a escola como um dos ambientes mais estimulantes da cidade, marcado pela liberdade de expressão que desafiava o academicismo e a censura imposta pelo regime militar.

A EAV abrigou alguns dos eventos culturais mais importantes da época, como a 1ª Exposição Mundial de Fotografia, uma montagem da peça O Rei da Vela elaborada por José Celso Martinez Corrêa, uma exposição inédita de fotografias de Mario de Andrade, além de inúmeros shows de música com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Cazuza, Fagner e Chico César, realizados no âmbito do projeto Verão a Mil, organizado por Xico Chaves.

Havia também nessa época um núcleo de estudos de cinema, com cursos coordenados por Sergio Santeiro e Roberto Maia, e um cineclube, o CINEAVE, que exibiu regularmente diversos filmes censurados, curtas dirigidos pelos alunos, filmes de artistas em Super 8, e promoveu amplos debates sobre o cinema contemporâneo nacional e internacional, com a participação de artistas e intelectuais como Darcy Ribeiro, Roberto da Matta e Ferreira Gullar.

Um ano após a sua fundação, a EAV, ao lado do MAM, já era considerada uma grande usina cultural e um espaço de convivência e troca da cidade do Rio de Janeiro, cuja “vida inteligente” encontrava-se atingida seriamente pela situação de exceção político-institucional do país. Foi na EAV que a poesia marginal, a mais importante expressão literária contracultural de resistência, encontrou seu espaço de criação e de realização de performances e eventos, que reuniam um enorme público jovem em torno da literatura. Foi na EAV que Francisco Bittencourt sediou nossa primeira e importante revista gay, Lampião. Foi na EAV que os psicanalistas da vanguarda lacaniana sediaram a Escola Freudiana do Brasil. Foi na EAV que Joaquim Kollretuer organizou os já históricos concertos de música dodecafônica.

Em 1967, Glauber Rocha filmou Terra em Transe no Parque Lage, e, em 1968, a piscina ficou nacionalmente famosa, quando Joaquim Pedro de Andrade fez dela o grande caldeirão da cultura brasileira em “Macunaíma”. O momento era de total efervescência e dois grandes cineastas brasileiros filmavam seus clássicos utilizando o Palacete como locação, em plena ditadura militar.

O teatro também encontrou espaço no Parque Lage. O antológico grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone – formado por nomes como Regina Casé, Perfeito Fortuna, Patrícia Travassos, Evandro Mesquita e Luiz Fernando Guimarães – ministrava oficinas no prédio.

Ao mesmo tempo, o Parque abria suas portas para as aventuras de uma nova geração. Os poetas marginais utilizavam aquele espaço para apresentar espetáculos chamados “Artimanhas” – expressão divulgada por Torquato Neto -, mistura de música, dança, carnaval e circo.

Em 1980, Luiz Áquila e o pintor norte-americano John Nicholson passam a ministrar aulas na Escola de Artes Visuais. A pintura abstrata de Áquila e a linguagem figurativa de Nicholson atraíram uma quantidade impressionante de jovens artistas.

A resposta veio logo a seguir: em julho de 1984 a EAV inaugurou a exposição “Como vai você, Geração 80?”, que entrou para a história cultural do país. Sob a curadoria de Marcus Lontra e Paulo Roberto Leal, a exposição reuniu 123 artistas de todo o Brasil. Daniel Senise, Beatriz Milhazes, Jorge Guinle, Leonilson, Leda Catunda, Cristina Salgado, Nuno Ramos, Barrão, Luiz Zerbini são alguns artistas que expressavam em suas obras a liberdade e a diversidade no processo de redemocratização do país. O tempo passava e a idéia seminal se mantinha. Artistas consagrados como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Moraes Moreira participaram de shows do projeto Verão a Mil. As apresentações aconteciam sob uma grande tenda de lona, armada nos jardins do Parque Lage, que chegou a reunir cerca de mil e quinhentas pessoas.

O entorno da piscina também serviu de palco para as encenações viscerais de José Celso Martinez Correia. Em 1993, José Celso montou a sua polêmica versão de Hamlet, de Shakespeare, com quatro horas e meia de duração e atores nus diante da platéia.

Na virada do século, em pleno ano 2000, uma nova galeria foi aberta na EAV para abrigar o projeto Zona Instável, que ocupou um ambiente singular: as Cavalariças. Destinado à mostra de artistas plásticos contemporâneos, o projeto propunha o diálogo da obra com o espaço a ser ocupado. Entre as mostras mais importantes estão as dos artistas Nelson Félix, Eliane Duarte, Márcia X., Suzana Queiroga, Daniel Senise, Cristina Pape e Malu Fatorelli.