Cursos do professor



Fábia Schnoor

Fábia Schnoor é artista visual. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Fez exposições no Brasil e no exterior dentre elas destacam-se as coletivas: Residual Benefits (Instituto de Arte Contemporânea de Phoenix - EUA – 2012) Abre Alas (A Gentil Carioca, RJ – 2013) e Noite Azul Elétrico (Mendes Wood, SP- 2013), Ressonâncias (Künstlerhaus Bethanien, Berlim – 2013) Flutuantes (Paço Imperial, RJ – 2018) e as individuais LUGAR (Centro Cultural Candido Mendes, RJ – 2015) Topografias do Instante (CCJF, RJ – 2016 ) e Post-It Drawings (55SP, SP- 2018).

curso novo - fábia schnoor

Respirar, Comer e Dormir – Laboratório de Pesquisa

Professora: Fábia Schnoor

2º semestre
06 de outubro a 15 de dezembro
Sábado, 09:00–13:00
R$ 450,00/mês

Projeto de pesquisa colaborativo, teórico e prático acerca de respirar, comer e dormir.

O programa inclui mesas redondas com convidados de diferentes áreas de conhecimento, oficinas e conteúdos transdisciplinares. A metodologia proposta se inspira livremente nos trabalhos de Aby Warburg e Giulio Camillo. A inscrição é aberta a todas as pessoas, estudantes, artistas e profissionais de todas as áreas que tenham interesse em expandir os limites da sua própria disciplina.

Sobre o projeto
Vivemos hoje em estado de emergência e apatia. Como podemos então voltar ao essencial, ao que importa, àquilo sem o qual não sobreviveremos?
Quais os caminhos possíveis de retorno ao que seria, em primeira instância, o bem viver? Nesta proposta, o caminho de reflexão sugerido é partir de três funções fisiológicas humanas primordiais em volta das quais nos organizamos, para observar e investigar como se estabelecem as relações pessoais, culturais e sociais em torno delas.

O Laboratório é sobre lembrar de estar vivo, aqui, agora. Como construir um jardim sobre ruínas?

Partindo então da condição natural e cultural do ser humano como premissa, surge a proposta do projeto de pesquisa que além de articular diferentes formas de construção de saber, propõe o diálogo entre disciplinas e seus olhares acerca de respirar, comer e dormir.

Metodologia
As aulas se dividem em conteúdos teóricos e práticos transdisciplinares, junto ao acompanhamento das pesquisas que se estruturam a partir da metodologia proposta. As mesas redondas e oficinas serão compostas por convidados de diferentes campos do saber.

Cada participante do laboratório propõe e desenvolve uma pesquisa individual acerca de respirar, comer e dormir e estabelece uma forma de registro e documentação: escrita, desenho, fotografia, vídeo, som, dados científicos, entre outros.
A cada semana, os participantes apresentam seus processos e trazem elementos para integrar grandes painéis coletivos. Ao longo do tempo, o grupo experimenta diferentes percursos e articulações entre as pesquisas e seus dados.

Como conclusão, os integrantes do programa apresentam o resultado/processo da pesquisa uma experiência aberta ao público junto à exposição anual dos alunos da EAV.

Warburg, historiador, criador do Atlas Mnemosyne e da ciência sem nome, e Camillo, filosofo renascentista, orador, criador do Teatro da Memória. Muitas aproximações são possíveis entre eles. Ambos nos propõe a articulação de diferentes campos do saber e a imagem como algo ativo, que opera além dela mesma e faz nascer a memória do antigo sob novas formas. Os dois pensadores se valem do que está “entre”, da potência do intervalo, de algo que não se apresenta mas acontece nas relações e percursos possíveis entre as imagens, as disciplinas, entre o passado, o presente e o futuro.

Aby Warburg, no seu Atlas Mnemosyne, reuniu em um mesmo painel, imagens de diversas origens que, lado a lado, ativam umas às outras pelas relações que fazem entre si. O atlas é composto por 63 painéis, ficando inacabado após sua morte. Warburg, procurava compreender o que as imagem transmitem diretamente, sem estarem vinculadas à elaboração verbal, ou intelectual, ou a registros linguísticos ou culturais específicos. Chamou de Pathosformel, palavra que mistura a palavra grega Pathos (paixão) e o vocábulo alemão de fórmula, o que seria um gesto, expressão visual ou imagem, que qualquer ser humano reconheceria em qualquer momento da história como, por exemplo, uma expressão de alegria ou de dor. Seria algo mais universal que a humanidade, uma espécie de lençol freático da cultura que leva e faz renascer nas imagens, sob novas formas, algo de inicial e primeiro nos seres.

Como descrito no livro de Milton José de Almeida, “Giulio Camillo Delmino elaborou um projeto monumental, de uma grande enciclopédia do saber, chamado O teatro da memória. Tratava-se de um tipo de anfiteatro, onde o espectador, desbravando–o, entraria em contato com textos e imagens sobre filosofia, literatura, ciências, religião e arte. Publicada em 1550, A ideia do teatro apresentava o fundamento desse aparato. Era, provavelmente, de madeira e com capacidade para uma ou duas pessoas frequentá-lo de cada vez. Teria em seus diversos degraus, escaninhos onde estariam os textos. As imagens estariam fixadas nas paredes. Assim o espectador percorreria livremente por entre o material – sem, é claro, itinerário fixo – numa rede inesgotável de relações, alusões e significações. Baseava-se no diálogo entre obra e espectador. Ao sair do teatro a obra já não era a mesma e também o interlocutor mudara.”

Mesa redonda 1 | Aula aberta | 06/10/2018
Marisa Florido Cesar • Aby Warburg
Crítica de arte e curadora independente, Prof adjunto do Instituto de Arte da UERJ. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais pela Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na área de concentração de história e crítica de arte. Possui textos sobre artes visuais em livros, revistas de arte, catálogos e periódicos no Brasil e no exterior. Entre os livros publicados, estão: “Nós, o outro, o distante na arte contemporânea brasileira” [Circuito, 2014]; “Ana Vitória Mussi” [organização e texto; Apicuri, 2013]; Como curadora independente, entre outras exposições: “Inventario de los Gestos” [in FAAC – Festival Internacional de Arte de Acción, Cuenca / Equador, 2015] “Transperformance 2 [Oi Futuro Flamengo RJ, 2012] ; “Bang” -Ana Vitória Mussi [Oi Futuro Flamengo RJ, 2012] ; “Sonia Andrade: Retrospectiva 1974-93” [Centro de Arte Hélio Oiticica, RJ, 2011]; Décima Bienal Habana – Integración y resistencia en la era global [curadora consultante – Havana, Cuba, 2009]; exposições “Arte e Música” [Caixa Cultural, DF, SP e RJ 2008 ]; Curadora do Rumos Itaú Cultural 2001-2002.Foi crítica de arte no jornal O Globo (entre 2010 e 2013), no Jornal do Brasil (de 2004 a 2005) e na Revista Isto é.

Raphael Fonseca • “A rede toma o nosso feitio, contamina-se com os nossos hábitos”: a iconografia das redes de dormir entre a arte moderna e contemporânea no Brasil
Pesquisador nas áreas de história da arte, curadoria e crítica. Curador do MAC Niterói e professor do Colégio Pedro II. Doutor em Crítica e História da Arte pela UERJ. Recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça de curadoria (2015) e o prêmio de curadoria do Centro Cultural São Paulo (2017). Entre suas exposições recentes, destaque para “The sun teaches us that history is not everything” (Osage Art Foundation, Hong Kong, 2018), “Dorminhocos – Pierre Verger” (Caixa Cultural Rio de Janeiro, 2018), “Regina Vater – Oxalá que dê bom tempo” (Museu de Arte Contemporânea de Niterói, 2017); “Bestiário” (Centro Cultural São Paulo, 2017); “Dura lex sed lex” (Centro Cultural Parque de España, Rosario, Argentina, 2017); “Mais do que araras” (SESC Palladium, Belo Horizonte, 2017), “Quando o tempo aperta” (Palácio das Artes – Belo Horizonte e Museu Histórico Nacional – Rio de Janeiro,
2016); “Reply all” (Grosvenor Gallery, Manchester, Inglaterra, 2016); “Deslize ” (Museu de Arte do Rio, 2014) e “Água mole, pedra dura” (1a Bienal do Barro de Caruaru, 2014). Escreve regularmente para a revista ArtNexus. Foi um dos autores convidados para o catálogo da 32a Bienal de São Paulo (2016).

Mesa redonda 2 | 20/10/2018
Marcus Reis • Comendo ideias: as almas aladas do Eros platônico

Mestre e Doutor em filosofia pela PUC-Rio, pós-doutor pela UFRJ. Prof. do dept. de Filosofia da UFF. Trabalha especialmente com a Filosofia e Mitologia gregas, desenvolvendo pesquisas no tema “Filosofia como Forma de Vida. Também trabalha com a história da mística grega e cristã, especialmente o neoplatonismo. Organizou os livros “Mística e Filosofia”, “Neoplatonismo, Mística e Linguagem” e “Narrativas Místicas”.

Olidia Maria da Conceição da Silva • Contos de Osun, o sono que energiza e o sono
eterno, Elemi Orisa, o sopro da vida e Unje, o alimento.

Iyalorisá Torody D’Ogun do Ile Asé Ala Koro Wo. Membro do grupo feminista PartidA, participarte do Movimento Paz e Proteção da Unicef, co-produtora dos documentários Axé Dignidade e Navio Negreiro (Festival de filmes de pesquisa sobre a escravidão moderna – Universite Laval / UFF / CCBB – 2008/2009), recentemente atuou como articuladora do Núcleo Elos da Diversidade – Programa Ambiente em Ação da Secretaria de Estado do Ambiente – RJ, e nos, Conselho Nacional de Segurança Alimentar – CONSEA, e no Conselho de Habitação e
Interesse Social de São João de Meriti. Integrou o censo das comunidades de terreiro de São João de Meriti – Conselho gestor. No ano de 2012 completou a lista de sacerdotes do programa Sagrado, exibido pela TV Cultura e da rede Globo, fortalecendo e desmitificando o olhar destorcido direcionado as religiões de matrizes africanas. Suas ações políticas enfocam questões sociais bem como gênero, transitando desde o empoderando mulheres e
seu papel social, questões étnico-raciais, educação, cultura, meio ambiente, garantia de direitos da infância e adolescência, saúde e combate na intolerância religiosa. Idealizadora e Presidente de honra da Amalyra, entidade da sociedade civil organizada em São João de Meriti no espaço sagrado do Ile Ase Ala Koro wo, que tem como missão combater ao racismo, preconceito e todas as formas de intolerância.

Laura Erber • A festa de Babette e outros quitutes
Professora Adjunta do Departamento de Teoria do Teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Coordenadora do Bacharelado em Estética e Teoria do Teatro e Professora do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da mesma instituição. Graduou-se em Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2002). É mestre e doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Em 2010 realizou Estágio de Doutorado (Bolsa PDEE – Capes) na University of Copenhagen (Department of Arts and Cultural Studies) e atuou como pesquisadora visitante junto ao Danske Filminstitut de Copenhague. Coordena o Acordo Bilateral de Intercâmbio entre a Escola de Teatro da UNIRIO e a École Nationale Supérieure D’Arts de Paris-Cergy. Integra o grupo de pesquisa Investigações em Teatro e Outras Artes (CNPq) e o Núcleo de Investigações em Estética e Teoria do Teatro (NIETT). Tem experiência nas seguintes áreas: Teoria da Imagem, Estudos Visuais, História da Arte, Teoria e Crítica da Arte, Arte Contemporânea, Cinema, Literatura.

Oficina conjunta de pão, percussão e desenho – 10/11/2018
com Rosa Branca, Domenico Lancelotti e Fábia Schnoor

Rosa Branca • nasceu em 1975, vive e trabalha no Rio de janeiro. Iniciou seu percurso na culinária em 1996 como estagiária do buffet Ateliê Culinário- RJ. Em 1999 foi pra Nova Iorque para estudar culinária francesa e patisserie no The French Culinary Institute e em 2001 passa pelo Culinary Institute of America, desta vez explorando a cozinha mediterrânea. Se especializou em confeitaria e trabalhou nessa área com grandes chefs,
dentre eles, os que mais influenciaram foram: Bel Coelho (Restaurante Sabuji e Clandestino, além de eventos – SP), Checho Gonzales (Restaurante Pecado -Rio e eventos – SP) e Jordi Roca (Restaurante El Celler de Can Roca – Girona, Espanha). De 2010 à 2013, trabalhou como personal chef do então presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Heitor Martins. Passando a ser não só chef de confeitaria, mas da sua cozinha pessoal também.
Em 2016 ministrou o curso Rituais de Arte e Culinária na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, junto com Rebecca Lockwood e Ynaiê Dawson. Promove o projeto mesa compartilhada que ocupa casas de pessoas que se tornam anfitriões de jantares com pré-reservas abertas à amigos e amigos de amigos, juntando pessoas de diferentes grupos. Atualmente no Rio, pesquisa diferentes formas de cultivo de fermentação caseira e receitas de pães, estuda as relações entre cozinha e astrologia.

Domenico Lancelotti • Embora tenha cursado a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rio de Janeiro, RJ), Lancellotti pode ser considerado um autodidata, pois foi partindo do envolvimento prático e simultâneo com o trabalho em diversas áreas que se desenvolveu como artista. É no trânsito entre a música e as artes plásticas que se localiza a especificidade de sua obra, sempre fruto de parcerias e colaborações em meio às quais é possível vislumbrar um forte traço de sua personalidade, a saber, o fazer com, seja música com artes visuais, cinema com música, performance com culinária, composições coletivas.
“Lancellotti se apropria de elementos da cultura pop e da tradição musical brasileira para elaborar uma narrativa ao mesmo tempo irônica e melancólica sobre o tempo presente. Localizada no trânsito entre a música e as artes plásticas, sua obra é fruto de parcerias e colaborações em meio às quais é possível vislumbrar o desejo pelo diálogo, no qual surgem traços de uma ética do mutirão, típica das periferias cariocas. O lugar intermediário de autor híbrido – presente tanto nas colaborações quanto na música em interseção com as artes visuais, com o cinema, ou a performance – é explorado como espaço de potência, onde a presença do interlocutor é decisiva para a conformação da obra”. – Por Solange Farkas

Bibliografia
Almeida, Milton José de Teatro da Memória de Giulio Camilo
COTIA, SP: Atelie editorial:Editora da UNICAMP, 2005

Yates, Frances
A Arte da Memória Editora da Unicamp, 2007

Agambem, Giorgio
A potência do pensamento: ensaios e conferências Autentica Editora, 2017

Michaud, Philippe Alain
Aby Warburg e a Imagem em movimento Contraponto Editora, 2013

Roob, Alexander
Il Museo Ermetico – Alchimia e Mistica Taschen, 2014

Fábia Schnoor

Fábia Schnoor é artista visual. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Fez exposições no Brasil e no exterior dentre elas destacam-se as coletivas: Residual Benefits (Instituto de Arte Contemporânea de Phoenix – EUA – 2012) Abre Alas (A Gentil Carioca, RJ – 2013) e Noite Azul Elétrico (Mendes Wood, SP- 2013), Ressonâncias (Künstlerhaus Bethanien, Berlim – 2013) Flutuantes (Paço Imperial, RJ – 2018) e as individuais LUGAR (Centro Cultural Candido Mendes, RJ – 2015) Topografias do Instante (CCJF, RJ – 2016 ) e Post-It Drawings (55SP, SP- 2018).

Destaque

Respirar, Comer e Dormir – Laboratório de Pesquisa

Professora: Fábia Schnoor

2º semestre
06 de outubro a 15 de dezembro
Sábado, 09:00–13:00
R$ 450,00/mês

Projeto de pesquisa colaborativo, teórico e prático acerca de respirar, comer e dormir.

O programa inclui mesas redondas com convidados de diferentes áreas de conhecimento, oficinas e conteúdos transdisciplinares. A metodologia proposta se inspira livremente nos trabalhos de Aby Warburg e Giulio Camillo. A inscrição é aberta a todas as pessoas, estudantes, artistas e profissionais de todas as áreas que tenham interesse em expandir os limites da sua própria disciplina.

Sobre o projeto
Vivemos hoje em estado de emergência e apatia. Como podemos então voltar ao essencial, ao que importa, àquilo sem o qual não sobreviveremos?
Quais os caminhos possíveis de retorno ao que seria, em primeira instância, o bem viver? Nesta proposta, o caminho de reflexão sugerido é partir de três funções fisiológicas humanas primordiais em volta das quais nos organizamos, para observar e investigar como se estabelecem as relações pessoais, culturais e sociais em torno delas.

O Laboratório é sobre lembrar de estar vivo, aqui, agora. Como construir um jardim sobre ruínas?

Partindo então da condição natural e cultural do ser humano como premissa, surge a proposta do projeto de pesquisa que além de articular diferentes formas de construção de saber, propõe o diálogo entre disciplinas e seus olhares acerca de respirar, comer e dormir.

Metodologia
As aulas se dividem em conteúdos teóricos e práticos transdisciplinares, junto ao acompanhamento das pesquisas que se estruturam a partir da metodologia proposta. As mesas redondas e oficinas serão compostas por convidados de diferentes campos do saber.

Cada participante do laboratório propõe e desenvolve uma pesquisa individual acerca de respirar, comer e dormir e estabelece uma forma de registro e documentação: escrita, desenho, fotografia, vídeo, som, dados científicos, entre outros.
A cada semana, os participantes apresentam seus processos e trazem elementos para integrar grandes painéis coletivos. Ao longo do tempo, o grupo experimenta diferentes percursos e articulações entre as pesquisas e seus dados.

Como conclusão, os integrantes do programa apresentam o resultado/processo da pesquisa uma experiência aberta ao público junto à exposição anual dos alunos da EAV.

Warburg, historiador, criador do Atlas Mnemosyne e da ciência sem nome, e Camillo, filosofo renascentista, orador, criador do Teatro da Memória. Muitas aproximações são possíveis entre eles. Ambos nos propõe a articulação de diferentes campos do saber e a imagem como algo ativo, que opera além dela mesma e faz nascer a memória do antigo sob novas formas. Os dois pensadores se valem do que está “entre”, da potência do intervalo, de algo que não se apresenta mas acontece nas relações e percursos possíveis entre as imagens, as disciplinas, entre o passado, o presente e o futuro.

Aby Warburg, no seu Atlas Mnemosyne, reuniu em um mesmo painel, imagens de diversas origens que, lado a lado, ativam umas às outras pelas relações que fazem entre si. O atlas é composto por 63 painéis, ficando inacabado após sua morte. Warburg, procurava compreender o que as imagem transmitem diretamente, sem estarem vinculadas à elaboração verbal, ou intelectual, ou a registros linguísticos ou culturais específicos. Chamou de Pathosformel, palavra que mistura a palavra grega Pathos (paixão) e o vocábulo alemão de fórmula, o que seria um gesto, expressão visual ou imagem, que qualquer ser humano reconheceria em qualquer momento da história como, por exemplo, uma expressão de alegria ou de dor. Seria algo mais universal que a humanidade, uma espécie de lençol freático da cultura que leva e faz renascer nas imagens, sob novas formas, algo de inicial e primeiro nos seres.

Como descrito no livro de Milton José de Almeida, “Giulio Camillo Delmino elaborou um projeto monumental, de uma grande enciclopédia do saber, chamado O teatro da memória. Tratava-se de um tipo de anfiteatro, onde o espectador, desbravando–o, entraria em contato com textos e imagens sobre filosofia, literatura, ciências, religião e arte. Publicada em 1550, A ideia do teatro apresentava o fundamento desse aparato. Era, provavelmente, de madeira e com capacidade para uma ou duas pessoas frequentá-lo de cada vez. Teria em seus diversos degraus, escaninhos onde estariam os textos. As imagens estariam fixadas nas paredes. Assim o espectador percorreria livremente por entre o material – sem, é claro, itinerário fixo – numa rede inesgotável de relações, alusões e significações. Baseava-se no diálogo entre obra e espectador. Ao sair do teatro a obra já não era a mesma e também o interlocutor mudara.”

Mesa redonda 1 | Aula aberta | 06/10/2018
Marisa Florido Cesar • Aby Warburg
Crítica de arte e curadora independente, Prof adjunto do Instituto de Arte da UERJ. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais pela Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na área de concentração de história e crítica de arte. Possui textos sobre artes visuais em livros, revistas de arte, catálogos e periódicos no Brasil e no exterior. Entre os livros publicados, estão: “Nós, o outro, o distante na arte contemporânea brasileira” [Circuito, 2014]; “Ana Vitória Mussi” [organização e texto; Apicuri, 2013]; Como curadora independente, entre outras exposições: “Inventario de los Gestos” [in FAAC – Festival Internacional de Arte de Acción, Cuenca / Equador, 2015] “Transperformance 2 [Oi Futuro Flamengo RJ, 2012] ; “Bang” -Ana Vitória Mussi [Oi Futuro Flamengo RJ, 2012] ; “Sonia Andrade: Retrospectiva 1974-93” [Centro de Arte Hélio Oiticica, RJ, 2011]; Décima Bienal Habana – Integración y resistencia en la era global [curadora consultante – Havana, Cuba, 2009]; exposições “Arte e Música” [Caixa Cultural, DF, SP e RJ 2008 ]; Curadora do Rumos Itaú Cultural 2001-2002.Foi crítica de arte no jornal O Globo (entre 2010 e 2013), no Jornal do Brasil (de 2004 a 2005) e na Revista Isto é.

Raphael Fonseca • “A rede toma o nosso feitio, contamina-se com os nossos hábitos”: a iconografia das redes de dormir entre a arte moderna e contemporânea no Brasil
Pesquisador nas áreas de história da arte, curadoria e crítica. Curador do MAC Niterói e professor do Colégio Pedro II. Doutor em Crítica e História da Arte pela UERJ. Recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça de curadoria (2015) e o prêmio de curadoria do Centro Cultural São Paulo (2017). Entre suas exposições recentes, destaque para “The sun teaches us that history is not everything” (Osage Art Foundation, Hong Kong, 2018), “Dorminhocos – Pierre Verger” (Caixa Cultural Rio de Janeiro, 2018), “Regina Vater – Oxalá que dê bom tempo” (Museu de Arte Contemporânea de Niterói, 2017); “Bestiário” (Centro Cultural São Paulo, 2017); “Dura lex sed lex” (Centro Cultural Parque de España, Rosario, Argentina, 2017); “Mais do que araras” (SESC Palladium, Belo Horizonte, 2017), “Quando o tempo aperta” (Palácio das Artes – Belo Horizonte e Museu Histórico Nacional – Rio de Janeiro,
2016); “Reply all” (Grosvenor Gallery, Manchester, Inglaterra, 2016); “Deslize ” (Museu de Arte do Rio, 2014) e “Água mole, pedra dura” (1a Bienal do Barro de Caruaru, 2014). Escreve regularmente para a revista ArtNexus. Foi um dos autores convidados para o catálogo da 32a Bienal de São Paulo (2016).

Mesa redonda 2 | 20/10/2018
Marcus Reis • Comendo ideias: as almas aladas do Eros platônico

Mestre e Doutor em filosofia pela PUC-Rio, pós-doutor pela UFRJ. Prof. do dept. de Filosofia da UFF. Trabalha especialmente com a Filosofia e Mitologia gregas, desenvolvendo pesquisas no tema “Filosofia como Forma de Vida. Também trabalha com a história da mística grega e cristã, especialmente o neoplatonismo. Organizou os livros “Mística e Filosofia”, “Neoplatonismo, Mística e Linguagem” e “Narrativas Místicas”.

Olidia Maria da Conceição da Silva • Contos de Osun, o sono que energiza e o sono
eterno, Elemi Orisa, o sopro da vida e Unje, o alimento.

Iyalorisá Torody D’Ogun do Ile Asé Ala Koro Wo. Membro do grupo feminista PartidA, participarte do Movimento Paz e Proteção da Unicef, co-produtora dos documentários Axé Dignidade e Navio Negreiro (Festival de filmes de pesquisa sobre a escravidão moderna – Universite Laval / UFF / CCBB – 2008/2009), recentemente atuou como articuladora do Núcleo Elos da Diversidade – Programa Ambiente em Ação da Secretaria de Estado do Ambiente – RJ, e nos, Conselho Nacional de Segurança Alimentar – CONSEA, e no Conselho de Habitação e
Interesse Social de São João de Meriti. Integrou o censo das comunidades de terreiro de São João de Meriti – Conselho gestor. No ano de 2012 completou a lista de sacerdotes do programa Sagrado, exibido pela TV Cultura e da rede Globo, fortalecendo e desmitificando o olhar destorcido direcionado as religiões de matrizes africanas. Suas ações políticas enfocam questões sociais bem como gênero, transitando desde o empoderando mulheres e
seu papel social, questões étnico-raciais, educação, cultura, meio ambiente, garantia de direitos da infância e adolescência, saúde e combate na intolerância religiosa. Idealizadora e Presidente de honra da Amalyra, entidade da sociedade civil organizada em São João de Meriti no espaço sagrado do Ile Ase Ala Koro wo, que tem como missão combater ao racismo, preconceito e todas as formas de intolerância.

Laura Erber • A festa de Babette e outros quitutes
Professora Adjunta do Departamento de Teoria do Teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Coordenadora do Bacharelado em Estética e Teoria do Teatro e Professora do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da mesma instituição. Graduou-se em Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2002). É mestre e doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Em 2010 realizou Estágio de Doutorado (Bolsa PDEE – Capes) na University of Copenhagen (Department of Arts and Cultural Studies) e atuou como pesquisadora visitante junto ao Danske Filminstitut de Copenhague. Coordena o Acordo Bilateral de Intercâmbio entre a Escola de Teatro da UNIRIO e a École Nationale Supérieure D’Arts de Paris-Cergy. Integra o grupo de pesquisa Investigações em Teatro e Outras Artes (CNPq) e o Núcleo de Investigações em Estética e Teoria do Teatro (NIETT). Tem experiência nas seguintes áreas: Teoria da Imagem, Estudos Visuais, História da Arte, Teoria e Crítica da Arte, Arte Contemporânea, Cinema, Literatura.

Oficina conjunta de pão, percussão e desenho – 10/11/2018
com Rosa Branca, Domenico Lancelotti e Fábia Schnoor

Rosa Branca • nasceu em 1975, vive e trabalha no Rio de janeiro. Iniciou seu percurso na culinária em 1996 como estagiária do buffet Ateliê Culinário- RJ. Em 1999 foi pra Nova Iorque para estudar culinária francesa e patisserie no The French Culinary Institute e em 2001 passa pelo Culinary Institute of America, desta vez explorando a cozinha mediterrânea. Se especializou em confeitaria e trabalhou nessa área com grandes chefs,
dentre eles, os que mais influenciaram foram: Bel Coelho (Restaurante Sabuji e Clandestino, além de eventos – SP), Checho Gonzales (Restaurante Pecado -Rio e eventos – SP) e Jordi Roca (Restaurante El Celler de Can Roca – Girona, Espanha). De 2010 à 2013, trabalhou como personal chef do então presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Heitor Martins. Passando a ser não só chef de confeitaria, mas da sua cozinha pessoal também.
Em 2016 ministrou o curso Rituais de Arte e Culinária na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, junto com Rebecca Lockwood e Ynaiê Dawson. Promove o projeto mesa compartilhada que ocupa casas de pessoas que se tornam anfitriões de jantares com pré-reservas abertas à amigos e amigos de amigos, juntando pessoas de diferentes grupos. Atualmente no Rio, pesquisa diferentes formas de cultivo de fermentação caseira e receitas de pães, estuda as relações entre cozinha e astrologia.

Domenico Lancelotti • Embora tenha cursado a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rio de Janeiro, RJ), Lancellotti pode ser considerado um autodidata, pois foi partindo do envolvimento prático e simultâneo com o trabalho em diversas áreas que se desenvolveu como artista. É no trânsito entre a música e as artes plásticas que se localiza a especificidade de sua obra, sempre fruto de parcerias e colaborações em meio às quais é possível vislumbrar um forte traço de sua personalidade, a saber, o fazer com, seja música com artes visuais, cinema com música, performance com culinária, composições coletivas.
“Lancellotti se apropria de elementos da cultura pop e da tradição musical brasileira para elaborar uma narrativa ao mesmo tempo irônica e melancólica sobre o tempo presente. Localizada no trânsito entre a música e as artes plásticas, sua obra é fruto de parcerias e colaborações em meio às quais é possível vislumbrar o desejo pelo diálogo, no qual surgem traços de uma ética do mutirão, típica das periferias cariocas. O lugar intermediário de autor híbrido – presente tanto nas colaborações quanto na música em interseção com as artes visuais, com o cinema, ou a performance – é explorado como espaço de potência, onde a presença do interlocutor é decisiva para a conformação da obra”. – Por Solange Farkas

Bibliografia
Almeida, Milton José de Teatro da Memória de Giulio Camilo
COTIA, SP: Atelie editorial:Editora da UNICAMP, 2005

Yates, Frances
A Arte da Memória Editora da Unicamp, 2007

Agambem, Giorgio
A potência do pensamento: ensaios e conferências Autentica Editora, 2017

Michaud, Philippe Alain
Aby Warburg e a Imagem em movimento Contraponto Editora, 2013

Roob, Alexander
Il Museo Ermetico – Alchimia e Mistica Taschen, 2014

Fábia Schnoor

Fábia Schnoor é artista visual. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Fez exposições no Brasil e no exterior dentre elas destacam-se as coletivas: Residual Benefits (Instituto de Arte Contemporânea de Phoenix – EUA – 2012) Abre Alas (A Gentil Carioca, RJ – 2013) e Noite Azul Elétrico (Mendes Wood, SP- 2013), Ressonâncias (Künstlerhaus Bethanien, Berlim – 2013) Flutuantes (Paço Imperial, RJ – 2018) e as individuais LUGAR (Centro Cultural Candido Mendes, RJ – 2015) Topografias do Instante (CCJF, RJ – 2016 ) e Post-It Drawings (55SP, SP- 2018).