EAV Parque Lage

A Pergunta Feminista nas Artes Visuais

A Pergunta Feminista nas Artes Visuais

Sallisa Rosa – Série Resistência, 2017 – lambe lambe

Professoras: Coletiva NaPupila – Ana Lobo, Julia Baker e Michaela Blanc

Cursos de Férias – 2021
06 a 27 de janeiro
Quartas, de 19h às 21h
R$380,00

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*Leia atentamente todas as normas de matrícula antes de se inscrever. Clique aqui.

TEORIAS E NARRATIVAS FEMINISTAS NA HISTÓRIA DA ARTE, ENSINO DE ARTE FEMINISTA, PRÁTICA FEMINISTA EM ESCRITOS DE ARTE, ESTRATÉGIAS FEMINISTAS EM CURADORIA, ARTE CONTEMPORÂNEA

SOBRE
Curso teórico em artes visuais sobre as formas feministas de aprender, pensar, colaborar, ouvir e falar, com interesse em produzir reflexões e engajamento coletivo de mulheres . No decorrer das aulas, iremos estudar abordagens, teorias e epistemologias feministas que formam a estrutura intelectual necessária para conduzir a pesquisa feminista dentro e entre as disciplinas que englobam o universo das artes e suas pesquisas: curadoria, dança, artes visuais, arte urbana, museus e centros culturais.

Apresentaremos trabalhos de artistas que se localizam neste espaço, entre teoria e prática, de modo a abrir diálogos entre os alunos com o intuito de produzir perguntas sobre uma prática feminista em arte.

Será estimulada a pesquisa da escrita, escuta, oratória e produção visual das teóricas e artistas apresentadas no decorrer do curso. Aprenderemos juntas a compreender e ensinar nossos respectivos focos de pesquisa pela via das práticas feministas e a fortalecer as práticas feministas dentro e fora do circuito de arte. A torção chave para essa proposta é buscar alternativas ao pensamento hegemônico patriarcal e hierárquico para as perguntas sobre ser e estar mulher. Uma breve experiência para abrirmos novas frentes de atuação a partir de tecnologias feministas, lúcidas da complexidade e a multiplicidade dos feminismos contemporâneos e da dinâmica de poder central do feminismo em todos os lugares e tempos.

Por meio do compartilhamento de textos, estudos de caso de artistas, exposições, centros culturais, iremos investigar como o discurso feminista vem abrindo espaço e recebendo o protagonismo necessário nos últimos anos e como ainda existe um longo caminho, no campo das artes, para a real aplicação de práticas feministas.

CONTEÚDO
Ao longo das quatro aulas do curso iremos investigar e discutir teorias feministas e sua aplicação no campo das artes. Como, na atualidade, podemos criar diálogos e discursos entre instituições, o fazer artístico e uma prática a partir de uma teoria feminista.

CRONOGRAMA
Aula 1 – Quem está no campo de visão? – Contrapontos da experiência feminina – Estereótipos, hierarquizações, relações de trabalho, cuidado, saberes. Torções da arte sobre as condições de existência e sobrevivência das mulheres. Dados como a baixa visibilidade de artistas mulheres no mundo da arte e a maciça presença e relevância do nu feminino. O apagamento da velhice, da gravidez enquanto temas e problemas, e o dilema da rotulação “feminista” dentro do capitalismo cognitivo. O que podemos aprender com quem sempre esteve à margem da margem?

Aula 2 – Podemos falar de uma estética feminista? Essa resposta só será possível a partir de uma nova formulação: Quais são as tecnologias de pesquisa em artes visuais despertadas pelo feminismo? Interseccionalidade, afro feminismo – María Clara Araujo, Erika Hilton e Giovanna Heliodoro. Dados históricos da arte americana após a década de 1960 sobre a trajetória da influência do feminismo na arte no século XX. Tecnologias de pesquisas transdisciplinares ativadas pelas pesquisas em psicologia de Grada Quilomba, e os estudos antropológicos Silvia Cucicanqui.

Aula 3 – Quem cria terreno para o diálogo? Visitaremos práticas artísticas de artistas/ ativistas interessadas em criar coletividade, ampliar a voz. Tendo em vista as trocas entre disciplinas artísticas, entre os diferentes feminismos e identidades e também entre territórios.

Aula 4 – O que reverbera é comum? O último encontro será destinado a um laboratório ativado por novas perguntas e proposições artísticas. Fortalecido pela pedagogia dialógica de ensino/aprendizagem, a intenção é estimular a prática reflexiva das participantes e exercitar a nossa escutatória.

DINÂMICA
Aula expositiva em videoconferência
Compartilhamento de referências semanais com debates coletivos em aula

PÚBLICO
Indicado para pessoas interessadas em conhecer e/ou pesquisar o tema.
Não exige conhecimentos prévios.

REFERÊNCIAS

ALVAREZ, Sonia E. Um outro mundo (também feminista…) é possível: construindo
espaços transnacionais e alternativas globais a partir dos movimentos. Rev. Estud. Fem. [online]. 2003, vol.11, n.2 [cited 2011-03-03], pp. 533-540 . Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2003000200012&lng=en&nrm=iso. ISSN 0104-026X. doi: 10.1590/S0104-026X2003000200012

ADRIAN, Rosario. Entrevista con Rosario Adrian sobre mujeres creando. Mujeres Creando, semdata. Disponível em: http://mujerescreando.org. Acesso em: 21/04/16.

ARMSTRONG, Carol e ZEGHER, Catherine de. Women Artists at the Millennium. Cambridge, Massachusetts: MIT Press, 2006.

BARROS, Roberta. Elogio ao toque: ou como falar de arte feminista à brasileira. 1ª edição. Rio deJaneiro: Ed. Do Autor, 2016.

BUTLER, Judith. Problemas de Gênero. Feminismo e Subversão da Identidade.Tradução Renato Aguiar. 1ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CHADWICK, Whitney. “Las mujeres y el arte”. Revista Debate Feminista, ano 4, vol 7, março de 1993

CRENSHAW, Kimberlé. “Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics, and Violence Against Women of Color,” 1989.

ELLES: mulheres artistas na coleção do Centro Pompidou. Rio de Janeiro: CCBB, 2013.

FEMININMASCULIN – le sex de l’art. Paris: Gallimard/Centre Pompidou, 1995JONES, Amelia. “Cerrando El círculo? 1970-2008. El regreso del arte feminista”.

Revista Exit Book, Nº 9, Feminismo y arte de género, Madri, 2008.

HOOKS, Bell. Ensinando a Transgredir: a educação como prática de liberdade.Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. 2. ed, São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017.

LAURETIS, Teresa de. “Tecnologias do gênero”. In. HOLLANDA, H. B. de (org.).Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco,1994.

LISS, Andrea. Feminist art and the maternal. 1ª edição. Minneapolis: The University of Minnesota Press, 2009.

LIPPARD, Lucy. The Pink Glass Swan. Select essays on feminist art. 1ª ed. U.S.A.WW Norton, 1995.

MATESCO, Viviane. Do nu objetificado â nudez das feministas dos anos 1960 e 1960. In: Anais do 25 Encontro da ANPAP: Arte e Seus Espaços, Porto Alegre. 2016. p. 3197 – 3212 DisponIvel em: http://anpap.org.br/anais/2016/simposios/s7/viviane_matesco.pdf

MORRIS, Catherine e HOCKLEY, Rujeko . We Wanted a Revolution: Black Radical Women 1865-85, A Sourcebook, eds. New York, New York: Brooklyn Museum, 2017.

NOCHLIN, Linda. “Why Have There Been No Great Women Artists?” In. Women, Art and Power and Other Essays. New York: Westview Press, 1988.

PHELAN, Peggy, and RECKITT, Helena. Art and Feminism. 1ª ed. U.S.A. Phaidon Press, 2006.

PIMENTEL, Mariana. O trabalho doméstico como Trabalho de Arte. In: Revista teteia n 2Disponível em: https://teteia.org/post/617937207529013248/o-trabalho-dom%C3%A9stico-como-trabalho-de-arte

RIVERA, Tania e OLIVEIRA, Luiz Sérgio de. Nos limites do corpo: residência artística noHospital da Mulher Heloneida Studart. 1ª. edição. Rio de Janeiro: Relacionarte, 2016.

SCOTT, Joan Wallach. Gender and the politics of history. 1ª ed. U.S.A.: ColumbiaUniversity Press, 1988.

SCHNEEMANN, Carolee. Imaging her erotics: Carolee Schneemann: essays, interviews,projects. Cambridge, Massachusetts: The Mit. Press, 2003

TVARDOVSKAS, Luana S. Figurações feministas na arte contemporânea: Márcia X.,Fernanda Magalhães e Rosângela Rennó, dissertação de mestrado em história,Unicamp, IFCH, 2008.

RECURSOS NECESSÁRIOS
Acesso à internet
Computador ou celular com câmera

SECRETARIA
– Todos os cursos online emitem certificado.
– A matrícula online não oferece desconto.
– A política de descontos só é oferecida na matrícula com pagamento via boleto bancário.

COLETIVA NAPUPILA
A coletiva NaPupila surgiu do interesse de três pesquisadoras-curadoras de praticarem suas visões pessoais sobre o ofício e as responsabilidades da curadoria em arte contemporânea no contexto social e cultural.

Somos um Hub de pesquisa curatorial online preocupado em criar elos entre artistas, produtores, curadores, pesquisadores, colecionadores e fomentadores de arte. Incorporamos Grupos de Estudos, Publicações, Programações Públicas como: exposições, campanhas e ações online.

Também, a NaPupila tem como agenda a criação de diálogos com públicos e agentes que não estão imediatamente relacionados à arte através da internet. Entre as questões em que a NaPupila trabalha, há especialmente uma central: a análise dos movimentos feministas por intermédio de uma revisão da história da arte.

ANA LOBO
Crítica e historiadora da arte, pesquisa práticas em arte e política desde 2007. É doutora em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ, mestre pelo Instituto de Artes da UERJ, especialista em Arte e Arquitetura no Brasil pela PUC-Rio e graduada em Ciências Sociais pela UFJF. Atendeu cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É autora do projeto Explore Sv. Atuou como gestora de conteúdo do Instituto Tear e editora da revista Astrolábio; foi avaliadora de projetos do Ministério da Cultura e Caixa Cultural. Realizou trabalhos de produção para a galeria A Gentil Carioca. Participou no núcleo de educação da Fundação Casa França-Brasil – RJ.

JULIA BAKER
Trabalha com pesquisa, produção e curadoria, com foco em artes do corpo. Atualmente é produtora na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Recentemente atuou como assistente curatorial da exposição “À Nordeste”, Sesc 24 de Maio (SP); e fez a pesquisa iconográfica para o livro de 50 anos do Balé da Cidade de São Paulo. Doutoranda em Artes da Cena pela UNICAMP, é mestre em História, Política e Bens Culturais (CPDOC/FGV); possui especialização em História e Arquitetura da Arte no Brasil (PUC/RJ); graduada em Ciências Sociais (UERJ) e Produção Cultural (UFF). Entre 2013 e 2018, integrou a equipe curatorial do Museu de Arte do Rio (MAR), atuando na pesquisa e elaboração de múltiplas exposições.

MICHAELA BLANC
Historiadora de arte e curadora emergente. É Curatorial Research Fellow em Arte Contemporânea no MassArt Art Museum (MAAM), em Boston. Mestranda em Museum Education na Tufts University, Massachusetts. Integra a rede Future Education Leaders Network (2020-2021) do Rennie Center for Education Research & Policy, Boston. Possui um BA em História da Arte pela UFRJ. Foi aluna em diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Em experiências passadas trabalhou por dois anos no MIT Museum; foi Curatorial Intern no Institute of Contemporary Art/Boston. No Brasil, atuou em galerias comerciais, foi assistente curatorial no Museu de Arte do Rio (MAR); e estagiou no CPDOC do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.