Conversas

modelo vivo, modelo trans

Luiz Roque, Modern, 2014

AULA PÚBLICA: Núcleo Subjetividades dos Corpos
10 de março, sexta-feira
das 19h às 22h

Conversa com Indianara Siqueira, Virginia de Medeiros, Gianguido Bonfanti e Luiz Roque.
Mediação: Lisette Lagnado e Ulisses Carrilho

Modelos: Carol Azevedo, Elie Landreau, Indianara Siqueira, Naomi Savage.


A Escola de Artes Visuais do Parque Lage promove uma conversa abordando a performatividade de gênero e das várias fisionomias do desejo no contexto atual. Em seguida, convida o artista e professor Gianguido Bonfanti a coordenar uma aula aberta de desenho com modelos vivos em volta da piscina. Tomando a observação como ponto de partida, a proposta é “desafiar o arquivo visual que temos, saturado de imagens do nosso corpo, que censura nosso olhar, tentando impor seus conceitos, seus princípios”.

Qual o sentido de praticar o desenho de modelo vivo para um jovem artista? Como manter vivo o estudo da figura humana, desse corpo onde habitamos? Assunto central em todos os períodos da história da arte, o estudo de observação do corpo humano guardou e sempre guardará enigmas a serem decifrados. Desenha-se o que se vê – um corpo biológico ou uma identidade subjetiva? Que contornos imaginar quando o corpo que está posando, cisgênero, trans, pan ou intersexual, contesta noções binárias de masculino/feminino?

“Estritamente falando, não se pode dizer que existam ‘mulheres'”. Essa sentença de Julia Kristeva, linguista e psicanalista búlgaro-francesa, parece reiterar a performatividade do gênero, tema central dos artistas Virginia de Medeiros e Luiz Roque, cujas obras articulam registros do documentário e da ficção científica.

Agradecimentos: Galeria Nara Roesler e Mendes Wood DM.


BIOGRAFIAS
 
Indianara Siqueira
Paraná, 1971. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
“Uma mulher normal de peito e pau”, segundo a própria Indianara, prostituta e coordenadora da ONG carioca TransRevolução. Militante da causa trans, idealizou o projeto PreparaNem, curso preparatório para travestis e transexuais em busca de uma cadeira em uma universidade pública. Em 2016, foi candidata a vereadora pelo PSOL na coligação “Mudar é possível”, primeira transgênero a disputar eleições municipais da cidade.

Gianguido Bonfanti
São Paulo, 1948. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Desenhista, gravador, pintor e escultor. Discípulo de Poty Lazzarotto (1962-1969), frequentou a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1968-1970) e a Academia di Belle Arti di Roma, na Itália (1971-1973). Iniciou suas atividades docentes na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1978, onde atualmente dá aulas de Desenho de Modelo Vivo. Expôs no Museu de Arte Moderna do Rio (1996), no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro (2000 e 2002), na galeria Le Troisième Oeil, em Paris (2005) e Bordeaux ( 2006). Inaugura mostra individual no Paço Imperial em 2017.

Luiz Roque
Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, 1979. Vive e trabalha em São Paulo. 
Estudos em teoria e crítica de arte pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Entre diversas mostras, participou de “Amor e Ódio a Lygia Clark” (Zacheta National Gallery, Varsóvia, 2013), “Medos Modernos” (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2014), “The Brancusi Effect” (Kunsthalle, Viena, 2014) e “The Violet Crab” (DRAF, Londres, 2015) . Foi convidado para a 9ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2013) e para a 32ª Bienal de São Paulo (2016) onde realizou, respectivamente os filmes curtos de ficção científica “Ano Branco” e “HEAVEN”. Expôs na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, programa Curador Visitante (“A Mão Negativa”, curadoria de Bernardo de Souza, 2015).

Virginia de Medeiros
Feira de Santana, Bahia, 1973. Vive e trabalha em São Paulo.
Em 2006, mostrou a instalação Studio Butterfly no Programa Rumos Itaú e na 27ª Bienal de São Paulo. Em 2009, participou da residência artística International Women for Peace Conference, Dili, Timor-Leste. Premiada em 2009 pela Funarte Artes Visuais com a vídeoinstalação Fala dos Confins. Em 2010, participou da 2ª Trienal de Luanda “Geografias Emocionais, Arte e Afectos”. Em 2012, ganhou a Bolsa Funarte Estímulo à Produção em Artes Visuais com o projeto Jardim das Torturas e foi premiada no 18º Festival de Arte Contemporânea Videobrasil com uma residência em Nova York, EUA.

Lisette Lagnado é crítica de arte e curadora. Assina a exposição “O nome do medo” de Rivane Neuenschwander com Guto Carvalhoneto, em cartaz no Museu de Arte do Rio (MAR).

Ulisses Carrilho é um dos curadores do Solar dos Abacaxis. Cursou a formação gratuita do programa Práticas Artísticas Contemporâneas da EAV Parque Lage (2015).