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Lançamento do livro “Feminismos Bastardos. Feminismos Tardios” da Cristina Ribas


Imagem: Cristina Ribas.

Lançamento do livro “Feminismos Bastardos. Feminismos Tardios” da Cristina Ribas
26 de junho 2019 . 19:00
Aberto ao público . Gratuito
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

Eu sou a puta que pariu.
Eu sou a puta aborteira que pariu e que sabe muito bem cuidar, e
também negar cuidado.
Eu sou a puta que pariu corpos livres.
E como aprendi com Ni Una Menos da Argentina. Eles são os filhos
doentes do patriarcado. Mal paridos pelo patriarcado.
– trecho do cordel da Cristina Ribas

“Feminismos Bastardos. Feminismos Tardios. Abortar o Estado heteropatriarcal” (2019, n-1 edições) é um cordel sobre a busca de uma mulher branca, mãe, pró-legalização do aborto, por formas de composição a partir de uma perspectiva feminista transversal, diante de uma série de fatos políticos que incidem diretamente sobre a vida das mulheres, das mulheres trans, indígenas, negras; diante da perda de direitos e da tutela sobre uma concepção instrumentalizada de ‘vida’, e diante da emergência da política preta das mandatas de mulheres indígenas e negras, após o assassinato de Marielle Franco.

No lançamento, a Cristina Ribas vai fazer uma leitura da uma parte do livro e vamos fazer uma roda de conversa com a Frente Nossa Hora de Legalizar o Aborto RJ, a partir de um feminismo em acontecimento, da uma escuta visceral (de si) e de uma defesa do aborto, em relação a várias violências perpetradas pelo estado – especialmente no Rio de Janeiro, diante do desmonte de serviços públicos e da militarização.

Feminismos Bastardos. Feminismos Tardios.
Abortar o Estado heteropatriarcal
Por Cristina Ribas
n-1 edições / serie Pandemia
R$ 5

Outros cordéis e livros do n-1 edições estão sendo vendidos no evento.

Cristina Ribas é pesquisadora militante, feminista, brasileira, mãe, doutora institucionalizada. Equilíbrio precário entre artista e professora universitária sem contrato. Organiza projetos transdisciplinares e escreve sobre sua prática, lutas e coletivos. Vem aprendendo e praticando o Teatro do Oprimido. Concebeu a plataforma online Desarquivo.org para livre uso. Em 2014 realizou coletivamente o Vocabulário político para processos estéticos.

Jéssica Sol é feminista e socialista. Milita na Frente Nossa Hora de Legalizar o Aborto RJ, Resistência (PSOL) e defende a Greve Internacional de Mulheres. Formada em Relações Internacionais (UFRJ).

Aline Beatriz Coutinho é feminista, milita no Nossa Hora de Legalizar o Aborto RJ e pelos Direitos Reprodutivos e Sexuais. É Especialista em Gênero e Sexualidade (IMS/UERJ) e mestranda em História (PPGH/UNIRIO).

Nossa Hora de Legalizar o Aborto RJ é uma assembleia feminista que luta pelo aborto legal, seguro e gratuito e pelos direitos reprodutivos em geral. Podem participar mulheres e homens trans.

Pura mutabilidade. Pesquisa de modos, atravessamentos, travessias. Nos feminismos, me parece, gêneros devem ser pensados em passagem e em processo, gêneros em risco e em caminho de transformação. A partir de minha travessia, me coloco um enunciado perigoso: só valem feminismos se forem bastardos. Se insurgirem de nossas corpas, de nossos modos de vida. Valem os feminismos se forem atritar a borda da própria produção de gênero e da força que imprime sobre nós, sobre todas nós, ‘a família como projeto’, o modo de vida conservador como norma. Queremos vivas negro-branco-índias-periféricas-subalternas-resistentes, vidas… Só valem feminismos se conseguirem perfurar uma autodeterminação endógena (que fecha o movimento em si mesmo), rompendo pouco a pouco a conversa entre nós mesmas, abrindo novas linhas de conversação, também para romper com a pragmática que polariza (ineficazmente) um modo contra o modo ‘deles’. O modo deles, ou eles mesmos, por sua vez, se tornam o poder que se miscigena majoritariamente com o Estado. Estado-controle-tutelar. Essa macheza intragável. Só valem feminismos se forem esgarçar a produção de análises do heteropatriarcado historicamente, atualizando a expressão que tomam nos novos poderes, tal como se diz na literalidade de ‘heterocapitalismo’.