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Hospedando Eco-Sensorial

Colagem de um trabalho do João Modé feito para exposição Eco-Sensorial (1992) e desenhos da serie MÁTRIA da Sophia Pinheiro (2019).


Hospedando Eco-Sensorial

Setembro > Dezembro 2019
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage
Gratuito – Aberto ao público

Hospedando Eco-Sensorial é um projeto que se desenvolve a partir de uma exposição feita na EAV Parque Lage em 1992. Neste ano, ocorre no Rio de Janeiro a grande Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a ECO-92, reunindo líderes mundiais para debater os problemas ambientais mundiais. Foi também um importante ponto de encontro para organizações sociais, incluindo o movimento de mulheres e grupos indígenas, alguns dos quais se estabeleceram no Rio naquela época.
Foi logo após a ECO-92 que um grupo de artistas criou a exposição “Eco-Sensorial – extrativismo urbano” na EAV Parque Lage.

Os artistas da exposição entendiam a cidade e o ambiente natural como indissoluvelmente ligados, e se aproximavam da paisagem urbana com uma reserva generosa de como colher inspiração para fazer suas obras de arte. Com suas “equipes extrativistas” e “arrastões sensoriais”, eles acumularam uma coleção crescente de matérias-primas da cidade e da ECO-92, que foram processadas para a exposição e, como tal, ressignificaram práticas de exploração ambiental com novos significados artísticos.

O atual projeto de pesquisa “Hospedando Eco-Sensorial” se desenvolve a partir de seus esforços e vocabulário para ver como os artistas e praticantes culturais estão reagindo ao ambiente natural e urbano 27 anos depois do projeto original. Com uma pequena exposição na Biblioteca e encontros regulares, estamos explorando narrativas e visões do mundo que se desenvolveram em paralelo às hegemônicas, num momento em que as questões ecológicas são ainda mais urgentes.

Durante o “Hospedando Eco-Sensorial”, a Biblioteca da EAV Parque Lage funciona como uma “usina de relacionamentos de elementos sensoriais”, dentro da qual se juntam contribuições artísticas de Claudia Ferreira (CACES), Luiza Crosman, Mariana Guimarães e Simone Moraes, Norberto José Martinez, Pedro Victor Brandão, Sophia Pinheiro e outros convidados.

A exposição original “Eco-Sensorial – extrativismo urbano” (1992) envolveu os artistas artistas Alex Hamburger, Alexandre Dacosta, Clara Cavendish, João Grijó, João Modé, Jorge Barrão, Lucília de Assis, Márcia X Pinheiro, Marcio Doctors, Marcos Bonisson, Milton Machado, Paulo Paes, Ricardo Basbaum, Ricardo Sepúlveda, e Rosângela Rennó.

Hospedando Eco-Sensorial é a segunda edição do projeto “Hospedando”, que semestralmente concentra uma pesquisa histórica de um nome ou evento ligado a escola.


Sexto encontro do “Hospedando Eco-Sensorial”
Saberes ancestrais: terra, terreiro, cidade, céu
Terça . 03 DEZ . 19:00
Com Elson Bragança, Gilson Andrade e Mãe Celina de Xangô
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa – EAV Parque Lage

O sexto encontro do “Hospedando Eco-Sensorial” será uma roda de conversa com o pai de santo Elson Bragança, o artista e educador Gilson Andrade, e Mãe Celina de Xangô, diretora do Centro Cultural Pequena África. Esse encontro foca nos saberes ancestrais das religiões afro-brasileiras e suas relações com as plantas medicinais e sagradas e os locais dos terreiros como zonas de encontro entre cidades, natureza e espiritualidade.

Elson Bragança e Mãe Celina vão falar sobre suas trajetórias e o poder das ervas. Gilson Andrade irá explicar como suas experiências como iniciante em candomblé afetam sua prática artística. Teremos ainda a participação da paisagista e urbanista Elena Gepetti, que atualmente está fazendo doutorado sobre a relação do candomblé com a mata atlântica.

MINI BIOS

Elson Bragança tem 36 anos de iniciado na religião de candomblé e é filho da finada mãe Beata de Yemanjá. Hoje em dia está na casa de mãe Márcia Marçal em Campo Grande. É diretor geral de harmonia na escola de samba acadêmico de Santa Cruz e diretor de harmonia da mocidade independente de Padre Miguel. É ativista da UNEGRO (União de Negros pela Igualdade). Formada em gestão de recursos humanos. Profundo admirador da relação religião e meio ambiente.

Gilson Andrade é artista visual e educador. Goiano, atualmente vive na cidade do Rio de Janeiro. É Mestrando em Processos Artísticos Contemporâneos pelo PPGARTES – UERJ; aluno do curso Formação e Deformação da EAV Parque Lages (2019), Licenciado em História pela Universidade Estadual de Goiás (2010). Desenvolve trabalhos na intersecção de performance, fotografia, vídeo e objeto, investiga também em sua produção artística o imaginário sobre o corpo preto e sua historicidade. Tem experiência na elaboração de projetos de mediação cultural em exposições de arte; concepção e elaboração de programas educacionais em instituições culturais. Foi coordenador dos Programa Públicos e de Ensino do MAC – GO (2015 – 2018). Atualmente também é supervisor de Ensino do programa de mediação da EAV Parque Lage.

Yalorixá Mãe Celina de Xangô é gestora do Centro Cultural Pequena África há doze anos. Durante os anos de 2011 e 2012, foi convidada pela Arqueologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro através da professora Tânia Andrade Lima a participar do reconhecimento de objetos africanos encontrados nas escavações do Cais do Valongo, localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro e que recebeu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade dado pela UNESCO, por ser o único vestígio material da chegada dos africanos escravizados nas Américas. Em 2016 pela África no Benin, Mãe Celina recebeu o cargo de Ya Egbe de Egum gum dentro do culto Vodu e foi consagrada Princesa da corte real de Kpassenon, em Ouidah. Mãe Celina de Xangô foi criada por suas ancestrais (bisavó, avó e mães) buscando ervas para fazer xaropes, banhos, chás e aprimorou os seus conhecimentos no candomblé. Hoje, como mãe de Santo, tem como parte da sua missão, dividir esses ensinamentos de autoproteção, prosperidade e cuidado para todos.


Quinto encontro do “Hospedando Eco-Sensorial”
Trajetórias ambientais e artísticas: recuperando mundos
Terça . 26 NOV . 19:00
Com Alyne Costa, Pedro Victor Brandão e Virgilio Moura
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa – EAV Parque Lage

O quinto encontro do “Hospedando Eco-Sensorial” será uma roda de conversa com a pesquisadora Alyne Costa, o artista Pedro Victor Brandão e o marceneiro Virgilio Moura. Esse encontro foca na discussão da mudança climática em relação aos vários usos e abusos de recursos naturais dentro da circulação de economia global.

Pedro Victor Brandão participa do “Hospedando Eco-Sensorial” com “Sem Conserto” – uma instalação de arte que ele descreve como “arqueologia de descarte”, atualmente à mostra na antiga banheira da biblioteca. A partir desse trabalho, ele vai fazer uma crítica sobre o superuso de dispositivos digitais na indústria extrativista com fome de minerais de conflito.

Virgilio Moura vai falar sobre sua experiência na coordenação do programa “Fogo Emergência Crônica”, entre outros programas socioambientais que ele desenvolveu desde 2000 no Pará. Alyne Costa apresentará sua pesquisa sobre a crise ecológica e a necessidade de reconhecer uma pluralidade de mundos para recapturar o presente e melhor habitar esse planeta tão ferido.

MINI BIOS

Alyne de Castro Costa é graduada em Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, mestra e doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. Suas pesquisas se concentram na área de Filosofia e a questão ambiental, com ênfase no Antropoceno e na catástrofe ecológica global, considerando também as repercussões do tema na antropologia e na política. Foi bolsista do Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior na Universidade Paris Nanterre. Atualmente é pós-doutoranda do Colégio Brasileiro de Altos Estudos (UFRJ), com pesquisa sobre mudanças climáticas e seu enfrentamento no Brasil.

Pedro Victor Brandão é artista visual. Ele é graduado em Fotografia pela UNESA (Rio de Janeiro, 2009), atendeu aos cursos livres da EAV Parque Lage (Rio de Janeiro, 2006-2010 e 2015); e também à Universidade de Verão no Capacete (Rio de Janeiro, 2012). Desenvolve séries de trabalhos considerando diferentes paisagens políticas em pesquisas sobre economia, direito à cidade, cibernética social e a atual natureza manipulável da imagem técnica. Apresentou as exposições individuais na Casa França-Brasil, Sé e Portas Vilaseca Galeria. Desde 2006 participou de exposições coletivas, residências e seminários em instituições nacionais e internacionais Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Virgilio Moura trabalhou na marcenaria da família desde jovem. Em 2000 na Pará, coordenou o programa “Fogo Emergência Crônica”, parceria entre o governo italiano e brasileiro, abrangendo sete municípios da microrregião do Lago de Tucuruí, resultando no 1º Protocolo Regional sobre o uso do Fogo na Região Amazônica. Desde esse momento coordenou vários outros programas incluindo o sub–programa socioambiental “Trilhas do Fogo”, que realiza atividades sociais voltadas para saúde, cidadania e sensibilização para a problemática da utilização do fogo em atividades agrícola e pecuária nos assentamentos do INCRA nos sete municípios da microrregião do Lago de Tucuruí. Entre 2002 e 2007 coordenou o programa “Amazônia Encontrando Soluções”, que implanta Unidades Demonstrativas de atividades alternativas ao uso do fogo na agricultura e na pecuária. Desenvolveu vários oficinas e projetos em relação da madeira, árvore e floresta.


Aula Aberta – Passeio e desenho no parque
TER . 05 NOV . 14:00 – 17:00

Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa – EAV Parque Lage

O que chama a nossa atenção quando entramos no parque? São os macacos, as cores do verde, as pessoas ao nosso redor, ou o lixo espalhado no chão? Durante esta aula aberta, daremos um passeio pelo parque e ouviremos a história da casa e da floresta, mediada pelos guias do programa Visita Guiada. Vamos fazer uma pausa em três paradas para desenhar. O professor Bernardo Magina, também ex-aluno da EAV Parque Lage, traz sua experiência na pintura no campo ampliado e na exploração de diferentes espaços da cidade. A aula começa com uma pequena introdução na Biblioteca sobre “Hospedando Eco-Sensorial”, projeto de pesquisa sobre nossa relação como seres humanos urbanos com nossos entornos.

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Ocupação durante “Hospedando Eco-Sensorial”
Biblioteca Estufa
16 – 26 OUT
SÁB . 26 OUT . 10:00 – 13:00 . Apresentação final

Mariana Guimarães e Simone Moraes convidam Karlla Girotto
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

Durante dez dias a Biblioteca estará ocupada pelo projeto “Biblioteca Estufa: por uma ecologia da empatia” das artistas Mariana Guimarães e Simone Moraes. As artistas construirão um diálogo íntimo entre as mulheres escritoras presentes no acervo da biblioteca e espécies de flores da Mata Atlântica, nativas e exóticas, aqui nomeadas como infiltradas. Pretende-se coletar, catalogar e inventariar percepções dos encontros vividos com os livros e as plantas, criando pequenas instalações na Biblioteca, criando novas paisagens através do plantio de mudas, ausculta das seivas das árvores, extração de pigmentos das espécies, bordado, germinação de palavras, construção de micro estufas e diálogo incessante entre livros, plantas, fios e público em geral.

SEX . 18 OUT . 14:00 – 18:00
Inventariação de livros escritos por mulheres na Biblioteca com grupo de voluntários.
SÁB . 26 OUT . 10:00 – 13:00
Café de manhã na varanda e apresentação final com as artistas e convidada artista/curadora Karlla Girotto, com distribuição das plantas, bombas de sementes e um sessão especial de auscultar as árvores.

MINI BIOS

Mariana Guimarães é artista, educadora e pesquisadora. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Docente de Artes Visuais CAp/UFRJ. Doutoranda em Artes Visuais pelo PPGAV/ EBA/UFRJ. Sua pesquisa está relacionada com a investigação do fio como dispositivo de mediação na arte contemporânea, educação e clínica em diálogo com práticas outras de tessitura e seus inúmeros desdobramentos políticos, estéticos, éticos, ambientais e sociais. Desenvolve trabalhos e pesquisas com distintos grupos em diversos territórios.
É membro da Cooperativa de mulheres artistas. www.marianaguimaraes.art.br.

Simone Moraes é artista visual natural de Ribeirão Preto, SP, vive e trabalha entre Goiás, GO e São Paulo, SP. Em seu trabalho pesquisa vestígios de paisagens, estruturas orgânicas e resgates de uma memória pessoal através de registros, coletas e expedições. De sua pesquisa resultam formas, repetições e sobreposições de distintos materiais, desdobrando-se em objetos, intervenções, colagens, desenhos, fotografias e ações. Graduada em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade de Ribeirão Preto, UNAERP. Fez a residência São João – Parque Lage, São José do Vale do Rio Preto, 2016. www.simonemoraes.net

Karlla Girotto vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Artista, professora e pesquisadora nas áreas de artes visuais e subjetividade. Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade PUC/SP tem como principais eixos de pesquisa: modos de existência como produção artística, linguagens artísticas híbridas e processos de criação e produção de subjetividades. Coordena o grupo de pesquisa e propostas estéticas G>E que gerou o projeto Ateliê Vivo no qual é colaboradora, ambos sediados na Casa do Povo.


Terceiro encontro do “Hospedando Eco-Sensorial”
Práticas da socionatureza carioca: imagens e narrativas
TER . 15 OUT . 19:00

Com Rosângela Rennó, Claudia Ferreira e Bruno Capilé
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

O terceiro encontro do “Hospedando Eco-Sensorial” será uma roda de conversa com a artista Rosângela Rennó, a fotógrafa Claudia Ferreira, e o pesquisador Bruno Capilé. Esse encontro tem como propósito um diálogo crítico sobre Eco-92 a partir das perspectivas artísticas, documentais e da pesquisa ecológica.

A conversa terá duas mulheres que fizeram trabalhos fotográficos retratando pessoas de formas divergentes durante Eco-92. Rosângela Rennó participou da exposição “Eco-Sensorial – extrativismo urbano” na EAV Parque Lage em 1992 com um trabalho inquietante, composto por fotos extraídas dos jornais populares dos corpos assassinados durante o período do Eco-92. Claudia Ferreira é fotojornalista que registrou muitos dos encontros que aconteceram durante Eco-92, particularmente dos grupos de mulheres que se organizaram nessa época. Nosso outro convidado, Bruno Capilé, contribuirá na conversa com uma visão sobre a história ambiental urbana do Rio de Janeiro, e como a cidade propicia fortes transformações em seus ecossistemas adjacentes para a manutenção de seu funcionamento interno.

MINI BIOS

Rosângela Rennó, (Belo Horizonte, 1962) vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formou-se em Artes Plásticas pela Escola Guignard e em Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais. É doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Sua obra é marcada por apropriação de imagens descartadas, encontradas em mercados de pulgas e feiras, e pela investigação das relações entre memória e esquecimento. Em suas fotografias, objetos, vídeos ou instalações, trabalha com álbuns de família e imagens obtidas em arquivos públicos ou privados. Dedica-se também à criação de livros autorais.

Claudia Ferreira é fotojornalista, trabalhou para os jornais brasileiros Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, Correio Braziliense e para as Agências Internacionais Sippa Imprensa e Cone Sur imprensa. Desde o final da década de 80 vem dedicando-se a documentar os movimentos sociais, principalmente os movimentos feministas. Parte do seu trabalho está reunido no Banco de Imagens Memória e Movimentos Sociais que recebeu, em 2014, o prêmio Memórias Brasileiras – IBRAM / MINC.

Bruno Capilé é historiador e participa de pesquisas que busquem analisar e explicar as relações que as sociedades humanas têm com seus ambientes ao longo do tempo, especialmente os muitos rios do Rio de Janeiro e as concepções e práticas científicas presentes na construção territorial do Brasil. Atua como pesquisador PCI do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), como um dos coordenadores do grupo de pesquisa Território, Ciência e Nação (TCN), e como colaborador do Laboratório de História e Natureza (LabHeN) e do Coletivo de Historiadores Ambientais de Rios Latinoamericanos (Charla).


Segundo encontro do “Hospedando Eco-Sensorial”
Territórios de atenção: Horto e Vila Autódromo
TER . 01 OUT . 19:00

Com Emília Maria de Souza, Emerson de Souza, e Sandra Maria Teixeira
Mostra de dois filmes da so-Jin Chun; e de Cristina Ribas, Lucas Sargentelli e Sol Archer.
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

O segundo encontro do “Hospedando Eco-Sensorial” será uma roda de conversa com Emília Maria de Souza e Emerson de Souza do bairro do Horto; e Sandra Maria Teixeira da Vila Autódromo, para falar sobre o cuidado e a dedicação que eles trazem ao seu entorno e suas experiências de viver em bairros onde os moradores estão em luta constante pela manutenção da moradia. Os três convidados atuam sobre o que seus bairros precisam para florescer e reconhecem seu status como museus vivos.

O Horto é um bairro de vilas ao virar da esquina da EAV Parque Lage. Foi originalmente construído para as famílias dos trabalhadores do Jardim Botânico e de uma fábrica têxtil próxima. Horto está localizada entre o jardim botânico e a floresta e sempre esteve um lugar de vivência na natureza.

A Vila Autódromo é um bairro em Jacarepaguá que sofreu grandes remoções na preparação para as Olimpíadas de 2016, e agora está cercado por estacionamentos de concreto e arranha-céus. Uma das principais prioridades é plantar árvores para tornar a área mais verde novamente.

Essa noite também serão exibidos dois curtas-metragens: uma prévia do filme “Flux-Cities: Horto, Rio de Janeiro, Brazil” da artista so-Jin Chun; e um curta-metragem da série “Caminhar ao redor, e caminhar para longe” (2019) de Cristina Ribas, Lucas Sargentelli e Sol Archer.

MINI BIOS

Emília Maria de Souza, aposentada, nascida no Rio de Janeiro, moradora da comunidade do Horto, atuou na diretoria da AMAHOR, militante nas áreas de combate ao racismo, em defesa da liberdade religiosa, em defesa do meio ambiente e principalmente atua como militante no grupo do Conselho Popular da Cidade do Rio de Janeiro cuja missão apoiar famílias de baixa renda, que residem em áreas ameaçadas de remoção na cidade do Rio de Janeiro, implementando ações pacíficas e agregadoras que fortaleçam o direito a moradia digna destas famílias, conscientizando-os da obrigação de exercer seus direitos constitucionais.

Emerson de Souza é “carioca”, tem 44 anos e é nascido e criado no Horto Florestal, um território que margeia a Floresta da Tijuca no bairro Jardim Botânico. A música, a culinária, a relação com as plantas e com a comunicação sempre fizeram parte de sua construção de vida. Tem formação na área musical tendo estudado na Escola de Música Villa-Lobos e também incursão dentro da área de museologia social desde 2009 participando de seminários e Fóruns representando o Museu do Horto dentro do IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus). O Museu do Horto faz parte parte da Rede de Museologia Social do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente é o presidente da AMAHOR (Associação de Moradores e Amigos do Horto) onde na sua gestão está sendo disponibilizada uma série de atividades para os moradores do Horto e do entorno dentro e fora da sede da associação.

Sandra Maria Teixeira é co-fundadora do Museu das Remoções. Graduanda em História pela Uerj e guia de turismo comunitária. Vive na Vila Autódromo há 30 anos. Como outros moradores, participou do Plano Popular da Vila Autódromo. Em 2016, foi anfitriã da visita do geógrafo David Harvey à Vila Autódromo. No mesmo ano, participou da Conferência Habitat lll – Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Quito, onde também compareceu ao Foro Social de Resistencia Popular. Representou o Museu das Remoções em eventos como a FLUPP – A Festa Literária das Periferias na Cidade de Deus, o Seminário Memória das Olimpíadas: Múltiplos Olhares na Casa de Rui Barbosa, entre outros.

soJin Chun é uma artista canadense que trabalha em fotografia, vídeo e instalação. Ao contar narrativas que emergem nas comunidades locais, Chun explora formas experimentais de contar histórias em colaboração com os habitantes locais. Por meio das Flux-Cities, Chun questiona o processo de gentrificação no Regent Park (Toronto) e as narrativas emergentes no Horto Florestal no Jardim Botânico (Rio de Janeiro), uma comunidade que luta pela preservação de seus lares e da história do bicentenário, apesar da ameaça iminente de despejo solicitado pelo governo.

Cristina Ribas é pesquisadora militante, feminista, brasileira, mãe, doutora institucionalizada. Equilíbrio precário entre artista e professora universitária sem contrato. Organiza projetos transdisciplinares e escreve sobre sua prática, lutas e coletivos. Vem aprendendo e praticando o Teatro do Oprimido. Concebeu a plataforma online Desarquivo.org para livre uso. Em 2014 realizou coletivamente o Vocabulário político para processos estéticos.

Lucas Sargentelli, artista e pesquisador, mestrando em artes visuais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também atua na área cultural como editor e designer gráfico de livros, tendo frequentado a Escola Superior de Desenho Industrial. Foi aluno da EAV Parque Lage de 2007 a 2011.

Sol Archer, britânico, mora na Holanda. O Sol trabalha com vídeo e instalação para colaborar e compartilhar espaço e representação com práticas não profissionais e profissionais. Sol é mestre em Belas Artes pelo Instituto Piet Zwart, Roterdã (2015), frequentou a Jan van Eyck Academie (2017) e a Residência CAPACETE, Rio de Janeiro (2018).


Primeiro encontro do “Hospedando Eco-Sensorial”
TER . 10 SET . 19:00

Com participação de Alex Hamburger, Alexandre Dacosta, Clara Cavendish, Lucília de Assis,
Marcio Doctors, Marcos Bonisson, Milton Machado, Paulo Paes, e Ricardo Basbaum.
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

O primeiro encontro do Hospedando Eco-Sensorial acontece no dia 10 de setembro, às 19 horas, na varanda da Biblioteca da EAV com a presença de alguns artistas do projeto original de 1992: Alex Hamburger, Alexandre Dacosta, Clara Cavendish, Lucília de Assis, Marcio Doctors, Marcos Bonisson, Milton Machado, Paulo Paes e Ricardo Basbaum. Eles vão participar da roda de conversa sobre a exposição, a relação com Eco-92 e sua significação hoje.