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Cinelage - Ocupar a terra, ocupar a tela

CINELAGE
OCUPAR A TERRA, OCUPAR A TELA
– mostra de filmes com e por mulheres indígenas
e conversa com Sandra Benites e Sophia Pinheiro
Quarta. 27 novembro . 19:00
OCA da EAV Parque Lage
Aberto ao público | Gratuito

*em caso de chuva, a exibição do filme ocorre no auditório

No dia 27 de novembro, o CINELAGE apresenta uma sessão com três curtas-metragens que abordam as experiências das mulheres indígenas e a troca entre mulheres indígenas e não-indígenas. Os filmes compreendem narrativas cotidianas e espirituais, conectando mitos originais as lutas atuais. Após os filmes teremos uma conversa entre a diretora/curadora Sophia Pinheiro e Sandra Benites, antropóloga Guarani e uma das principais vozes indígenas na academia brasileira atualmente.

Curadoria: Sophia Pinheiro
Esse edição do Cinelage é um colaboração com o atual programa da Biblioteca da EAV, “Hospedando Eco-Sensorial”, em que Sophia Pinheiro está participando.

SINOPSE DOS FILMES:

Naquele tempo todos eram gente (2010, 26’)
Aline Baiana Cavalcanti
Sandra Benites, Guarani-Ñandeva, narra a criação de Urutau, pássaro que durante o dia permanece imóvel sobre um galho e ao entardecer faz ecoar um canto melancólico como um lamento humano. Como quem cumpria o destino manifesto em seu nome, José Urutau Guajajara permaneceu 26 horas no alto de uma árvore, privado de alimento e àgua pelas forças do Estado, resistindo heroicamente à terceira desocupação da Aldeia Maracanã. Articulando imagens de arquivo, natureza e registros da desocupação, a montagem propõe uma experiência contemplativa e hipnótica.

TEKO HAXY – ser imperfeita (2018, 39′)
Patrícia Ferreira e Sophia Pinheiro
Um encontro íntimo entre duas mulheres que se filmam. O documentário experimental é a relação de duas artistas; uma cineasta indígena e uma artista visual e antropóloga não-indígena. Diante da consciência da imperfeição do ser, entram em conflitos e se criam material e espiritualmente. Nesse processo, se descobrem iguais e diferentes na justeza de suas imagens.

Nossa Alma Não tem Cor (2019, 22′)
Graciela Guarani e Alexandre Pankararu
Nossa Alma Não tem Cor, traz em sua narrativa original, onde aborda um dos grandes desafios enfrentados pelos povos indígenas e quase se mantém à margem e pouco é discutida, RACISMO CONTRA OS POVOS INDÍGENAS, grandes nomes de lideranças indígenas do Brasil como Ayrton Krenak, Sonia Guajajara dentre outros falam desta questão e sobre o cenário em que vivemos.

BIOGRAFIAS:

Aline Baiana Cavalcanti Negra e nordestina, Aline Baiana investiga o que poderia ser chamado de “conflito ontológico” entre práticas de mundo Afro-Ameríndio e Euro-americano. Sua poética é informada pela luta ambiental e por direitos humanos muitas vezes colaborando com movimentos sociais e ativistas em seu trabalho.

Graciela Guarani, pertencente à nação Guarani Kaiowá de MS, é comunicadora, cineasta, fotógrafa, designer e ministra oficinas de audiovisual. Coautora de dois livros de fotografia, “Nossos olhares” e “Olhares sobre o futuro”. Participou como diretora, roteirista e cinegrafista em 4 curtas (Terra Nua, Mãos de Barros, Mba’eicha Nhande Rekova’erã e Tempo Circular). Curadora do Cine Kurumin (PE, 2019), e da Mostra Lugar de Mulher é no Cinema (BA, 2019). É uma das cineastas indígenas mais atuantes em produções independentes no Brasil.

Patrícia Ferreira (Pará Yxapy) é realizadora audiovisual indígena da etnia Mbyá-Guarani. Mora na Aldeia Ko’enju, em São Miguel das Missões/RS, onde é professora desde 2006. Em 2007, co-fundou o Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema e hoje é a cineasta mulher mais atuante do projeto Vídeo nas Aldeias (VNA). Em 2014 e 2015, participou de residências artísticas com os cineastas indígenas Inuit, no Canadá. Já realizou os filmes “As Bicicletas de Nhanderu”, 2011/45min; “Desterro Guarani”, 2011/38min; “TAVA, a casa de pedra”, 2012/78min e “No caminho com Mario”, 2014/20min.

Sandra Benites é indígena Guarani Nhandewa, formada em Licenciatura Intercultural Indígena, mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional da UFRJ e doutoranda pelo mesmo programa. Ela possui experiência docente em escola indígena Guarani, fez curadoria da exposição “dja guata porã: o Rio Indígena”, para o Museu de Arte do Rio e da parte da curadoria “História Indígenas”, das exposições do Sesc Ipiranga, em São Paulo, em 2020.

Sophia Pinheiro é doutoranda em Cinema e Audiovisual do PPGCine – Programa de Pós-graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF); bacharel em Design Gráfico e mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Goiás. É pensadora visual, interessada nas poéticas e políticas visuais, etnografia das ideias, do corpo e marcadores da diferença, principalmente em contextos étnicos, gênero e sexualidade. Participa do grupo de pesquisa Documentário e Fronteiras. Expôs seus trabalhos artísticos no Brasil e no exterior. É professora da Academia Internacional de Cinema (RJ) e artista bolsista do programa Formação e Deformação – Emergência e Resistência 2019, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ).