Antiformas de intervenção

Antiformas de intervenção

Professor: David Cury

2º semestre
03 Julho a 31 de julho
terças-feiras, 19h:30 – 22:30
R$ 420,00
 

O curso propõe ao participante a observação de um variado número de meios, procedimentos e formas da arte contemporânea. Compreendendo arte como uma atividade existencial, a oficina visa fortalecer a experiência crítica e autocrítica de artistas em formação (ou profissionalizados) a partir da análise de seus trabalhos ― confrontados com realizações significativas da arte contemporânea no Brasil e no Exterior.

Objetivos
Tendo em vista que a arte exige convivência (com seu acervo e história, seus propositores e pensadores, com seu lugar social e modos de exibição) e considerando sobretudo que a arte de hoje rejeita hierarquias de qualquer ordem (ideia, forma, matéria, técnica), busca-se produzir um descondicionamento generalizado do grupo de trabalho, estimulando-o a uma radicalização de suas pesquisas individuais bem como à experimentação contínua.

Conteúdo
Conceitualidade e experimentação: os polos determinantes da atualidade em arte. O sistema mundial da arte contemporânea: agentes e modos operacionais (o artista, o galerista, o mercado global, o curador, o colecionador, a instituição, a fundação, a galeria, as bienais, a Documenta, as feiras, os leilões, a formação acadêmica, a escola livre, as publicações, os coletivos, as ONGs). O fim da originalidade em arte: arte é potência. A experiência paradoxalmente crítica e indefinível de objetos e intervenções de arte propostos em forte tensão com a realidade.

Dinâmica
A diversidade de suportes, meios e procedimentos da arte contemporânea requer uma abordagem também difusa, de caráter multidisciplinar. A consideração inicial é a de que quaisquer argumentos têm validade apenas setorial, provisória, visto que a inexistência hoje de critérios formais ou materiais (ou quaisquer outros dispositivos explicitáveis objetivamente) contesta qualquer hipótese conclusiva acerca da arte e de suas possibilidades. A técnica de trabalho ou estímulo é o brainstorm: um ataque simultâneo de conhecimentos especializados e referências cruzadas da história da arte, filosofia, psicanálise, sociologia, física e antropologia – entre outras disciplinas.

Bibliografia
1) Ver tudo o que puder. E ler tudo o que puder sobre o que viu.
2) A indicar conforme o trabalho de arte em questão.

David Cury é artista visual e atua em suportes diversos. Desde Para a inclusão social do Crime (Funarte, Rio, 2003), Há vagas de coveiro para trabalhadores sem-terra (Carreau du Temple, Paris, 2005), Paradeiro (Estação da Leopoldina, Rio, 2006) e Hydrahera (Morro da Conceição, Rio, 2008), suas intervenções articulam caráter de situação, iminência e ambição formal. Em 2009, ocupou o Espaço Monumental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro com Eis o tapete vermelho que estendeu o Eldorado aos carajás – entre outras instalações de escala pública acerca dos mais emblemáticos conflitos fundiários da história brasileira. Em 2010, participou da 29a Bienal Internacional de São Paulo com Antônio Conselheiro não seguiu o conselho, e recebeu indicação ao Prêmio PIPA. Também de marcada ambivalência, realizou Corumbiara não é Columbine (Musée Bozar, Bruxelas, 2011), É com o sexo que os homens se deitam, pedindo como anões o seu ascenso (Somerset House, Londres, 2012) e Rasa é a cova dos vivos (Museu de Arte Contemporânea, Fortaleza, 2013). Em 2013 e também em 2014 recebeu indicação à Bolsa da Fundação Cisneros para Arte Latino-Americana, com sede em Miami. Entre 2015 e 2016, realiza A vida é a soma errada das verdades no Paço Imperial do Rio de Janeiro. Mestre em Artes Visuais (UFRJ), Especialista em História da Arte e Arquitetura no Brasil (PUC-Rio), é orientador da oficina de multimeios Antiformas de Intervenção, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio – onde vive e trabalha.