EAV Parque Lage

Cartografias, redes, localização e … situação

Cartografias, redes, localização e … situação

S. Archer, L. Icó e C. Ribas. Still do vídeo Caminhar ao redor, caminhar pra longe (2019) + diagrama (2019).

Professores: Cristina Ribas e Lucas Icó

Férias de Verão 2020
03, 06, 10 e 13 de fevereiro
Segunda e quinta-feira, 19:00–22:00
R$ 300,00 (parcela única)

O curso Cartografias, redes, localização e … situação quer proporcionar a experimentação de ferramentas e conceitos ao redor da noção da cartografia – como forma contra-colonial de localizar-se, relacionar-se e de apresentar ou representar a relação com o território a partir de narrativas, representações visuais, sensibilidades e posicionamentos políticos. Vamos apresentar conteúdo relacionado à produção cartográfica, diagramática e de mapas de resistência produzidos nos últimos dez ou quinze anos no Brasil e fora dele por artistas, coletivos, pesquisadoras e eventualmente grupos sociais.

Vamos partilhar experiências, realizar exercícios individuais e coletivos e acompanhar a produção dos alunos. O curso tem por objetivo pensar e colocar em prática a cartografia de território e a cartografia subjetiva pensada como forma de expressão, compartilhando ferramentas de produção cartográfica, de design, de pesquisa-processo e pesquisa-intervenção, além de trabalhar fundamentos das artes gráficas em relação a seu contexto social e de produção, compartilhando referencial de projetos e processos artísticos contemporâneos e experimentando técnicas e ferramentas de criação gráfica, visual, diagramática, conceitual e mais, tais como apresentado em livros de artistas, colagens, zines, e projetos que usam computação gráfica e internet.

Conteúdo
Os conteúdos a serem abordados estão numa inflexão entre práticas artísticas e de cartografia crítica e social (das áreas da geografia, da psicologia e mais). Os conceitos centrais que vão conduzir esse curso são cartografia, produção gráfica e visual, situação/situacionalidade, localização, caminhada e deriva, intervenção, ação e colaboração social e política. Vamos pensar a partir de uma cartografia que não representa territórios, mas antes, constitui territórios concretos e subjetivos, produzindo pesquisa ancorada na criação e na apresentação visual e narrativa.

O curso quer gerar dinâmicas em que desenhos, mapas, mapas de deriva, territórios ficcionais e narrativas sejam produzidos. Como a cartografia pode estar ligada a movimentos sociais e grupos específicos, ela é uma ferramenta de composição de lutas de resistência – portanto faz parte do conteúdo pragmático do curso conhecer mapas e diagramas feitos recentemente por grupos de artistas e ativistas, tais como Bureau D’Études, Frente 3 de Fevereiro, Beehive Collective, Iconoclasistas, Nova Cartografia Social da Amazônia e diversos projetos desenvolvidos no Brasil ainda não sistematizados; assim como faz parte do curso partilhar e conhecer teorias que pensam situacionalidade e localização subjetiva e coletiva (ver referências bibliográficas), tais como o livro/projeto Situating ourselves …, Precarias a la Deriva e o projeto de pesquisa e recopilação de cartografias This is not an Atlas.
Faz parte também do conteúdo do curso o pensamento sobre e a produção de signos e ícones criados, portanto, da rica produção gráfica que pode surgir. A cartografia pode, por isso, nos ajudar e entender quais são as semióticas específicas que habitamos, e que novas semióticas podemos criar.

Para amplificar a percepção territorial a partir do corpo e das suas coletividades, vamos experimentar ferramentas de deambulação e localização territorial e subjetiva a partir da caminhada. Abrindo, assim, relação com a cidade, a esfera pública, e territórios de resistência (no qual possam ou não estar implicados diretamente os participantes da oficina), e/ou espaços que coletivamente se identifica na cidade.

Dinâmica
A cada encontro serão realizadas aulas expositivas com apresentação de conteúdo teórico e prático. Além disso dedicaremos um encontro para a realização de uma caminhada. Realizaremos exercícios para ativar a percepção corporal individual/pessoal e coletiva, a improvisação, e a mobilidade e o movimento, assim como estimular a reflexão sobre o contexto social e de produção das cartografias dos alunos, com idas e vindas ao desenho e à produção gráfica. O intuito é que os alunos realizem uma produção cartográfica individual ou coletiva.

Referências
Livros e artigos
BASBAUM, R. Além da Pureza Visual. Porto Alegre: Editora Zouk, 2007.
________. Diagrams, 1994, ongoing. Berlin: Errant Bodies Press: 2016.
ESCOSSIA, L; KASTRUP, V; PASSOS, E. (org). Pistas para o método da cartografia. Porto
Alegre: Sulina, 2009.
kollectiv orangotango. This is Not an Atlas: A Global collection of counter-cartographies. Verlag/Bielefeld: Transcript / Rosa de Luxemburg Stifund 2018.
Iconoclasistas (Julia Risler e Pablo Aires). Manual de mapeo colectivo: recursos cartográficos críticos para processos territoriais de criação colaborativa. Buenos Aires: Tinta Limón e os editores, 2013.
GUATARRI, F. As três ecologias. Campinas: Ed. Papirus, 1990.
Molina, Marta Malo de. 2004, “Nociones Comunes, parte 2: del análisis institutional a experiencias contemporaneas entre investigacion y militancia”. (artigo) Disponível em: (acessado em 10/10/2017)
Murmurae (Manuela Zechner e Paula Cobo-Guevara). Situating Ourselves in Displacement: Constituencies, Experiences and Subjectivity across Neoliberalism and Precarity. Wivenhowe/Leipzig: Minor Compositions & JOAPP, 2016.
Precarias a la Deriva. A la devira por los circuitos de la precariedad feminista. Madrid: Traficantes de Sueños, 2003.
Rolnik, S. Cartografia sentimental: Transformações Contemporâneas do Desejo. Porto Alegre, RS: Sulina, Editora da UFRGS, 2011.
Tible, Jean; Moraes, Alana e Tarin, Bruno. Cartografias da emergência – Novas Lutas no Brasil. São Paulo: Friedrich Ebert Stiftung, 2015.

Filmes
A la devira por los circuitos de la precariedad feminista. Precarias a la Deriva. Madrid. 2002.
Legenda das imagens
S. Archer, L. Icó e C. Ribas. Still do vídeo Caminhar ao redor, caminhar pra longe (2019) + diagrama (2019)

Cristina Ribas
Trabalha como artista, pesquisadora. É feminista, brasileira, mãe, doutora institucionalizada. Sua prática, em um sentido amplo, provoca articulações entre diagramas, memória, história, arquivos, a esfera pública e a política. Seu trabalho como artista já abordou mais diretamente questões relacionadas ao espaço urbano, usando fotografia, escultura, vídeo, instalação e texto. Sua produção como artista-pesquisadora procura atuar no campo da arte através da escrita crítica e da organização de dispositivos para compartilhar conhecimento. A partir de 2005 desenvolveu a pesquisa Arquivo de emergência, que em 2011 teve parte de seu acervo incorporado à plataforma on-line Desarquivo.org (desarquivo.org). 2014-2015. Realizou o Vocabulário político para processos estéticos (concepção e curadoria, ou catalização) que culminou na publicação de um livro homônimo reunindo a contribuição de mais de 25 autores. vocabpol.cristinaribas.org. Atualmente desenvolve os Protocolos para Intersectar Vocabulários usando a improvisação como pesquisa em ato, e como forma de criar peças corporais e sonoras efêmeras, enunciativas de coletividades singulares e temporárias. Faz parte da Rede de pesquisadores Red Conceptualismos del Sur. redcsur.net Mestre em Processos Artísticos Contemporâneos pela UERJ, com orientação de Sheila Cabo Geraldo. Doutora em Fine Art no Goldsmiths College of London, sob a orientação de Susan Kelly. Atualmente é pós-doutoranda no PPGAV-IA da UFRGS sob supervisão de Maria Amélia Bulhões.

Lucas Icó
O trabalho de Lucas se baseia na pesquisa da troca intersubjetiva e da criação estética em contextos de desafio político. Ele produz principalmente situações de encontro, impressos, instalações e vídeos. Iniciou sua trajetória em 2010 realizando instalações e caminhadas que questionavam o uso da terra, a noção de evento (artístico) e as políticas culturais. Sempre esteve interessado em situações de pesquisa intersubjetiva do contexto social-institucional no qual se localiza. Esta pesquisa o levou a que nestes últimos anos se envolvesse com dois movimentos sociais de resistência que tem uma relação vital com a manutenção do território onde estão assentados: a Aldeia Maracanã e a Vila Autódromo. É mestre em Artes Visuais pelo PPGAV-EBA-UFRJ (2019) com a dissertação “Aprender a caminhar com a Aldeia Maracanã”. É bacharel em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UERJ (2014). É pós-graduado pelo Programa de Artistas da Universidad Torcuato Di Tella em Buenos Aires (2016). Dentre os cursos de formação destacamos a participação em programas de formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage de 2007 a 2013. Dentre as residências destacamos: a participação no programa Capacete com o projeto de encontros semanais ao longo do ano Grupo de caminhadas (2015); e o prêmio TAC Terra Una de residência na ecovila Terra Una (2014). Realizou trabalhos em instituições de prestígio como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Espaço Municipal Sérgio Porto; Goethe Institut RJ; Sesc Pompéia e Belenzinho; Galeria Bang bang em Lisboa; Galeria Anita Schwartz; Galeria A gentil Carioca; Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza; Le 19 Crac; entre outros.