Cine-reciclagem: O uso de imagens de arquivo na expressão audiovisual

Cine-reciclagem: O uso de imagens de arquivo na expressão audiovisual

Professor: Joel Pizzini
09 de março a 29 de junho
Quinta-feira, das 19h às 22h
R$ 380,00/mês

Público-alvo
Estudantes de cinema, artistas visuais, cineastas e cinéfilos.

Conteúdo
O Curso pretende examinar os critérios, alternativas e potencialidades do uso do chamado “material de arquivo” na elaboração de um discurso ou expressão audiovisual. “É Preciso dar um novo sentido a velhas imagens” (Harun Farocki).

Através de uma seleção de clássicos, filmes contemporâneos e experimentais que lançam mão de imagens de arquivo não só para evocar fatos históricos mas sobretudo ressignificar acontecimentos cristalizados ao longo do tempo, o aluno poderá experimentar novos sentidos na utilização das chamadas imagens de “época”. Pretende-se assim, estimular-se o exercício de interpretação, análise e aplicação de materiais aparentemente datados, geralmente aproveitados de modo autômata e impessoal, na montagem de ensaios documentais, instalações e mesmo em filmes de ficção. Trata-se enfim de um curso aberto tanto para artistas visuais como realizadores de “ficção” interessados em empregar material de arquivo como recurso plástico na composição de uma obra de arte.

Por meio de exercícios, análise da imagem, leitura comparada e manejo da matéria fílmica, o aluno poderá ampliar seu campo de percepção e incorporar em sua narrativa, imagens aparentemente esvaziadas de significados ou dotadas de carga protocolar. Aspectos como intervenção gráfica, reenquadramentos e utilização de recursos de pós-produção na finalização da obra, serão discutidos no curso a fim de se ampliar ao máximo o repertório do aluno, na hora de articular a montagem de seu trabalho.

Além do uso do material de arquivo como suporte complementar e interativo na montagem audiovisual, o curso abordará experiências construídas essencialmente a partir da reciclagem de “sobras” e conteúdos descartados normalmente por falta de padrão técnico e que revelam qualidades oníricas e grande expressividade para a dramaturgia formal do filmensaio.

Dinâmica
1) Exibição de obras de ficção como “Zelig” de Woody Allen até filmes de arte como “Outer Space” e “Sunlight” além de clássicos como“Jules e Jim” que se utilizam de material de arquivo em sua narrativa. O “Found Footage” será discutido como forma alternativa para atribuir uma carga documental ao filme de ficção.

2) Exibição e discussão sobre o uso de material de arquivo na linguagem documental contemporânea. As diferentes funções das imagens de “época” na autenticação do discurso cinematográfico. A distinção entre o uso jornalístico e o uso estético na composição da narrativa. O tratamento plástico na incorporação de materiais de arquivo.

3) A fruição de uma imagem de arquivo. O ritmo, a natureza material da imagem de arquivo. A aplicação atemporal da imagem na narrativa contemporânea. O uso plástico e expressivo em contraponto automático e ilustrativo do arquivo no discurso jornalístico.

Filmografia básica
• “O Poder dos Sentimentos” de Alexander Kluge
• “Home Histories” de Mathias Muller
• “Noite e Neblina” de Alain Resnais
• “Arquitetura da Destruição” de Peter Cohen
• “Glauces, Estudo de um Rosto” de Joel Pizzini
• “São Paulo, Sinfonia e Cacofonia” de Jean-Claude Bernardet
• “História do Brasil” de Glauber Rocha
• “La Jetee” de Chris Marker
• “Histoire du Cinema” de Jean-Luc Godard
• “Vida dos Ditadores” de Jay Rosemblat
• “Zelig” de Woody Allen
• “Nosso Século” de Artavazd Pelechian
• “Outer Space” de Peter Tscherkassky

Joel Pizzini
Cineasta, pesquisador, autor de ensaios documentais premiados internacionalmente como “Caramujo-Flor” (1988), “Enigma de Um Dia”(1996)”Glauces” (2001) e “Dormente” (2006), Joel Pizzini conquistou com os longas”500 Almas” (2004) e “Anabazys”(2009), além da seleção oficial no Festival de Veneza, os prêmios de Melhor Filme, Som, Fotografia, Especial do Júri, Montagem, nosFestivais do Rio, Mar Del Plata, e Brasília. Para a televisão, a convite do Canal Brasil,realizou os retratos “Um Homem Só”(2001), “Elogio da Luz”(2003), “Retrato da Terra”(2004), “Helena Zero” (2006), entre outros. Conselheiro da Escolado Audiovisual de Fortaleza e Professor da PUC- Rj (pós-graduação em Comunicação) e Faculdade de Artes do Paraná, Pizzini foi artista residente da Unicamp do Arsenal/Fórum da Berlinale, dentro do projeto “Living Archive”. Trabalha ainda como Curador da Restauração da obra de Glauber Rocha.

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