EAV Parque Lage

COMPOSTEIRAS: SABERES REGENERATIVOS COM BEATRIZ NASCIMENTO

Professor: MILLENA LÍZIA E WALLA CAPELOBO

Curta duração
10 de setembro a 26 de novembro.
Sextas, de 19h às 22h
R$ 1.140,00 ou 3x de R$ 380,00

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*Leia atentamente todas as normas de matrícula antes de se inscrever. Clique aqui.
A matricula online não oferece desconto. A política de descontos só é oferecida na matrícula com pagamento via boleto bancário.

 

SOBRE
Os processos de compostagem são entendidos nesta proposição não apenas como um modo ambientalmente responsável de gerenciamento dos resíduos do dia a dia. A proposta de construção deste grupo de estudos passa por nos relacionarmos com esta tecnologia terrestre também como um método para desenvolver pesquisas e materializar saberes comprometidos com o questionamento das lógicas hegemônicas de descartabilidade, produção de escassez e precariedade. Neste semestre serão as trocas surgidas dos aprofundamentos nos saberes produzidos pela historiadora Beatriz Nascimento que conduzirão nossos encontros em roda online com as participantes. A partir da contribuição da intelectual brasileira sobre o quilombo, somos convocadas a nos debruçar sobre a luta por ser numa sociedade fundada no autoritarismo. As respostas às tiranias, a partir de uma perspectiva quilombola oferecida pela Beatriz, se fazem nos modos encontrados de se estar junto, de se entender profundamente, se identificado com a terra e com o quê de sustento e de memória trocamos desde onde estamos e lutamos por existir. Resíduo/Registro/Resisto? Sem começo e sem fim, somos meio. Compostar é uma maneira de ofertar continuidade da vida ao exercer caminhos de fertilidades para os resíduos gerados na vida cotidiana.

CONTEÚDO
A proposta para estes encontros passa pelo convite para nos organizarmos como um grupo de estudos dedicado à produção de existências cujas composições de saberes nos possibilitem trocas nutritivas no sentido das dignidades, nas muitas formas de ser-estar no mundo nos entendendo como seres integrantes de coletividades que se constroem em relações. Para tanto, no sentido das valorizações das vidas e de seus tempos, nos pareceu poderoso elencar em cada edição a contribuição de um/a/e autor/a/e em específico para adentrarmos também na floresta que cada um/a/e é. Seremos todas/es/os convidadas/es/os, a partir do contato com esse conjunto de saberes, a alimentarmos a roda com os saberes teóricos e/ou práticos que nos constituem, que vem fazendo parte de nossas pesquisas e, indissociavelmente, nos modos como nos construímos. Nossos encontros passarão por nos envolvermos nos aprendizados com as tecnologias de compostagem como um modo de nos conectarmos com dinâmicas regenerativas a partir de matérias vivas que apenas podem se transformar em matérias vivas, nutrientes de mundos. As dinâmicas nutritivas, dinâmicas estas que possibilitam nossos sustentos, estão longe de se constituírem linearmente, pois estes percursos são cíclicos e repletos de transformações que se fazem por meio de assimilações e excessos. Tudo isso nos é matéria e não nos é concebível continuarmos lidando com a ideia de produção de resíduos como um fim. É entre a relação com os alimentos, a digestão, a decomposição, a recomposição e nossas caminhadas no mundo (sejam elas físicas, psíquicas, emocionais ou espirituais) que se constrói, portanto, nossa proposta de grupo de estudo, de pesquisa. Nesta edição, para abrir nossos caminhos, contaremos com os saberes da Beatriz Nascimento – historiadora, poeta e cineasta que se dedicou aos estudos dos quilombos e suas heranças civilizatórias na cultura afro-brasileira. Os saberes sistematizados por Beatriz e as tecnologias quilombolas são matérias orgânicas engajadas na preservação, manutenção, regeneração e sensibilização das vidas. Em meio a crises ambientais e civilizatórias, nas quais a natureza e humanidades são entendidas como recurso a serem consumidos, tomamos como urgência a necessidade de imaginar a transformação dos destinos dessa história. O grupo de estudos é um convite ao encantamento das transformações vitais.

DINÂMICA
Aula expositiva em videoconferência
Exercícios semanais com acompanhamento coletivo em aula
Compartilhamento de referências semanais com debates coletivos em aula
Acompanhamentos individuais com debates coletivos em aula

PÚBLICO
Indicado para pessoas interessadas em conhecer e/ou pesquisar o tema.
Não exige conhecimentos prévios.

 

REFERÊNCIAS
BATISTA, Wagner Vinhas. Palavras sobre uma historiadora transatlântica: estudo da trajetória intelectual de Maria Beatriz Nascimento. Salvador:UFBA, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/25958
NASCIMENTO, Maria Beatriz. Beatriz Nascimento, Quilombola e intelectual: possibilidade nos dias da destruição. Filhos da África, 2018.
RATTS, Alex. Eu sou atlântica: sobre a trajetória e a vida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza, 2006.
REIS, João Carlos. Historiografia e Quilombo na obra de Beatriz Nascimento. Foz do Iguaçu: UNILA, 2019. Disponivel em: http://dspace.unila.edu.br/123456789/5379
Orí. Direção de Raquel Gerber. Roteiro de Beatriz Nascimento. 1989. Filme

RECURSOS NECESSÁRIOS
Acesso à internet; Computador ou celular com câmera

SECRETARIA
Todos os cursos online emitem certificado; A política de descontos só é oferecida na matrícula com pagamento via boleto bancário.

MILLENA LÍZIA
Millena Lízia é uma existência nesse mundo em busca de uma caminhada com dignidades e saúdes. Planta e deseja colher. Busca as simplicidades, pois as coisas mais banais lhe chegam com camadas de desafios e complexidades. Tem visto em suas mãos seu coração. Se reconhece como pesquisadora e artista contemporânea-ancestral-pra-depois-do-ano-2000, pelo menos é assim que vem se organizando desde as agitações diaspóricas das experiências pictóricas-epidérmicas vividas – apenas mais uma forma possível de apresentação, que deseja apontar que seu campo de atuação se faz na vida, nas relações, nos deslocamentos, nos enfrentamentos e nas fugas a partir da produção de imaginários. Colabora há mais de dez anos com diversos encontros, produções, exposições coletivas, rodas, proposições educativas e publicações. Institucionalmente, estudou comunicação visual, montagem cinematográfica e arte contemporânea. É autora de “FAÇO FAXINA: bases contraontológicas para um começo de conversa sobre uma experiência epidérmica imunda” (2018), dissertação de mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense (RJ). Compõe, sendo uma das articuladoras, o CIPEI – Círculo Permanente de Estudios Independientes (México-Brasil), plataforma de investigação de contra-pedagogias e contra-visualidades.

WALLA CAPELOBO
Walla Capelobo é mata escura e lama fertil. Afrotransfeminista  e anticolonial. Pesquisadora e artista que cria na espiral do tempo que cruza sua vida. É conhecimento e continuidade herdada pela fina camada de sua pele. Na busca de ser semente crioula capaz de regenerar terras invadidas.  Em parceria com instituições, destaca-se a formação em História da Arte (EBA/UFRJ) e mestranda no PPGCA (IACS/UFF). Contribui em dois grupos de pesquisa, Interfluxos (IACS/UFF) e GeruMaa: Filosofia e Estética Africana e Ameríndia (IFCS/UFRJ). Compõe como coordenadora pedagógica da plataforma Desculonizacion: acción y pensamiento (México-Brasil). Colabora também no CIPEI – Círculo Permanente de Estudios Independientes (México-Brasil), plataforma de investigação de contra-pedagogias e contra-visualidades.