Desenho como Gesto

Desenho como Gesto

João Pedro Pena. Sem título, 2017.

Professoras: Bia Amaral e Jac Siano

Férias de Inverno 2019
15 a 24 de julho
[Dias 15, 17, 22, 24 de julho]
Segunda e quarta-feira, 14:00–17:00
R$ 380,00 + R$30,00 de taxa de material

O que é desenhar? Quais os meios, suportes e ideias que perpassam esse gesto tão remoto quanto nossa primeira escrita? Pensando numa possível conexão entre todas as coisas do mundo, o curso DESENHO COMO GESTO investiga o desenho no campo expandido investindo na gestualidade e na experimentação como propulsoras de uma linguagem que remonta a tempos imemoriais. A linha, o traço, a mancha passam a ser investigados junto a gestos como amassar, rasgar, cortar, costurar, acumular e apagar. A fim de instigar nos participantes um impulso criativo e um olhar ampliado sobre o fazer, os encontros investem na afirmação do desenho como gesto.

Conteúdo
Desenhar participa da construção de um vocabulário gráfico e de sua instrumentalização como linguagem visual. Sua manifestação na contemporaneidade ultrapassa a representação, da cópia fiel, do registro do mundo, e se expande para além do lugar de coadjuvante nos processos artísticos. Trata-se de pesquisa autônoma no campo plástico-poético em diálogo com outras linguagens como a poesia, a performance, a escultura e a pintura.

Dinâmica
Partindo da observação das diversas arquiteturas – casa, corpo e floresta – serão propostos exercícios em que os gestos de dobrar, rasgar, cortar, costurar, apagar, sobrepor e acumular são incorporados ao repertório de linhas, traços e manchas enquanto possibilidades de construção da linguagem do desenho. O curso inclui ainda caminhadas pela área interna e externa da EAV e o uso de materiais diversos que extrapolam os meios tradicionais do desenho como lápis e papel, sem abandoná-los.

Referências
ANDRADE, Mário. Do desenho. In: Aspectos das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Martins, 1975. Dispoível em: https://archive.org/details/ANDRADEMarioDe.DoDesenho
DERDYK, Edith (org). Disegno, desenho, desígnio. São Paulo: Editora Senac, 2007.
KENTRIDGE, William. Paisagens em estado de sítio. In: William Kentridge: fortuna. TONE, Lilian (org). São Paulo: Instituto Moreira Salles: Pinacoteca do Estado; Porto Alegre, 2012, pp. 291-293.
LICHTENSTEIN, Jacqueline (org). O desenho e a cor. In: A pintura, v.9. São Paulo: Ed. 34, 2006.
MCCRICKARD, Kate. William Kentridge, um inovador relutante. In: William Kentridge: fortuna. Lilian Tone (org). São Paulo: Instituto Moreira Salles: Pinacoteca do Estado; Porto Alegre, RS: Fundação Iberê Camargo, 2012, pp.280-289.

Bia Amaral, graduada em Projeto Gráfico na Escola de Belas Artes da UFRJ, cursou desenho e teoria no MAM, RJ, litografia, serigrafia, fotografia e pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e gravura em metal na PUC-Rio. A partir dos anos 80 participa de diversos salões e coletivas no Brasil e exterior. Mostra seu trabalho em exposição individual em 1988, em Curitiba, e 1991 e 2004 no Rio de Janeiro. Recebeu o prêmio Estágio de Gravura no Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco em 1987. Ministrou cursos de gravura no MAM, RJ, no Sesc-Tijuca, na Mostra Rio Gravura em 99. Desde 93 é professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e faz parte da equipe que em 1998 implantou o NAT_EAV.

Jacqueline (Jac) Siano é artista-pesquisadora e atualmente bolsista Capes de pós-doutorado em Linguagens artísticas, na linha de Processos Artísticos Contemporâneos pelo PPGArtes-UERJ programa no qual obteve os títulos de doutora e mestre em Artes. Inicia sua formação em artes na década de 1990 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV-Parque Lage), onde atua como professora desde 2005. A artista vive e trabalha na cidade do Rio de Janeiro, e tem participado de exposições individuais e coletivas regularmente Atualmente desenvolve pesquisa sobre as relações entre arte, história da arte e cultura contemporânea, destacadamente acerca do lugar do artista- viajante na atualidade.