Ação Educativa

Ação Educativa

A QUEERMUSEU
PROGRAMAÇÃO
CROWDFUNDING
LEGADO
AÇÃO EDUCATIVA
Projetos educativos para grandes exposições utilizam-se frequentemente e de maneira diversas de uma estratégia comum: com diferentes nomes, instituir pequenas escolas dentro de museus – ao lado deles, em parceria, de maneiras mais ou menos autônomas – atuando como ecos repetidores dos discursos e narrativas propostos por artistas e corpo curatorial ou de forma a impulsionar pequenas explosões, impasses, situações que gerem um movimento, movimento que nos parece mais interessante. O Núcleo de Ação Educativa está também, de antemão, interessado em compreender como este projeto de um educativo dentro de uma escola pode transbordar expectativas, a partir da ideia de microativismo.

Pensado para a exposição “Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira”, o Núcleo de Ação Educativa investe sua atenção para um questionamento sobre coexistir nos quais os diversos meios de se pôr no mundo sejam pensados como relações de aprendizagem mútua, inclusive entre crianças e adolescentes. Cremos num pensamento de sociedade onde se entende os diversos modos de ser e de expressar-se como válidos, mas sobretudo no reconhecimento das singularidades e coletividades, daquilo que partilhamos e nos é comum. Manifestamente preferimos compreender a diferença como uma possibilidade de encontro, em que cada corpo tem autonomia e liberdade para enunciar a sua experiência, elaborá-la e, caso queira, compartilhá-la.

Os trabalhos artísticos – objetos, projetos e investigações – não são compreendidos como elementos definitivos ou estanques, mas como possibilidades abertas para que possamos adensar nossas discussões em torno da teoria queer [cuir] e de uma possível crítica à mesma. Busca-se neste processo crítico levantar questões sobre o entendimento da arte, sobre sua produção, apresentação e valoração, sobre sua materialidade ou imaterialidade ou mesmo sobre a função e as intenções do artista.

Muito embora tenhamos pensado a ação educativa como um desdobramento do projeto Queermuseu, sabemos de antemão que ele não é fundamental para absorver a mostra. Obras de arte não requerem explicação; quiçá, em casos pontuais, certa informação sobre o contexto pode alimentar o desejo. Esta informação pode ser fornecida sem alimentar a atitude pela qual uma obra deve ser “lida”, mesmo antes de ser apreciada em nível sensorial. Trata-se de uma via da experiência que acessa um conhecimento prévio de corpo, uma sensação, arrepios, um embate, uma fricção, uma expectativas ou uma ideia. Um trauma, uma dor, uma experiência de prazer. Conhecimentos de ordens ainda não enunciados, saberes ainda não identificados e epistemologias ainda não rastreadas. Quiçá um estouro ou uma implosão. A arte como ferramenta para romper divisões e definições explora territórios outros, que operam em campos mais complexos do que aquilo que temos certeza ou pelos valores que estamos operando. Aquilo que não está estabelecido é o material pulsante da vida cotidiana, do livre exercícios dos desejos, dos corpos e dos prazeres.

O material educativo não deve ser entendido como um guia preparatório, que explique a mostra ou muito menos domestique as questões em torno do universo LGBTI+.


O Núcleo de Ação Educativa da exposição “Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira” está sendo pensado com um grupo plural de cerca de 20 pessoas, onde a representatividade de orientação sexual, identidade de gênero e racial compõem um discurso polifônico, diverso e plural.

Ulisses Carrilho
Curador

Agrippina R. Manhattan
Assistente da curadoria