Experiências epidérmicas: entre produções de encontros e confrontos

Experiências epidérmicas: entre produções de encontros e confrontos

Millena Lízia. Nós somos porque elxs são?, 2017.

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Professora: Millena Lízia

Férias de Inverno 2019
11 de julho a 1º de agosto
[Dias 11, 18 e 25 de julho e 1º de agosto]
Quinta-feira, 19:00–22:00
R$ 200,00

Este curso não é necessariamente sobre artes, mas, antes, sobre uma tomada de posicionamento de que não há territórios de opressão, de destruição e de colonialidade, por fim, que se façam sem resistências – e entendendo a produção de resistência como campo plural de ativação que se materializa também em termos estéticos, teóricos, poéticos, discursivos, subjetivos, criativos, vitais.

Conteúdo
Nos encontros seremos convidades a dizer quem somos por nós mesmes. Seremos convidades a elaborar sobre nossas construções no mundo por meio das discussões de autores comprometides com as contranarrativas hegemônicas (que nos serão ferramentas). Ainda, seremos convidades continuamente a falar e a ouvir, a oferecer e a acolher. Dentro das dinâmicas de rodas seremos convidades, portanto, a produzir redes de trocas a partir de nossas experiências, de nossas pesquisas e realizações. Seremos convidades. Não seremos obrigades. Estaremos atentes. Pois trafegamos nas interdições, nos impedimentos e nas impossibilidades e é daí, (in)justamente, que muitas das vezes construímos nossas zonas de possíveis.

Dinâmica
Conversaremos sobre estratégias, reposicionamentos e organizações.
E de que nós são esses de que tratamos?­ – das perguntas estruturantes e orientadoras das discussões a se desenhar.
Nos lançaremos como possível num movimento ao encontro com as multiplicidades que somos, movimento este distinto dos altos investimentos nas fragmentações de nossas existências. Disponibilizaremos nossas atenções ao trauma, à memória e ao resgate – sabendo que é com freqüência que negociamos com o irrecuperável. Nos lançaremos, então, quase que inevitavelmente, como poetas nesse mundo em aposta de outros imaginários, para um tempo em que não tenhamos mais que resistir, talvez, mas apenas viver, em plenitudes.
Estamos vivos e elaborando continuamente estratégias para fazer valer nossas presenças – estratégias de vida que passam pela produção de pensamento e pela criação como um todo, pela invenção de mundos, do que somos, do que soma.
Em curso.

Referências
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Trad.: Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008
GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa… Diáspora Africana: Editora Filhos da África, 2018.
HALL, Stuart. Raça, o significante flutuante. In: Z Cultural, 2013. Ano IX. ISSN 1980-9921. Disponível em http://revistazcultural.pacc.ufrj.br/raca-o-significante-flutuante%EF%80%AA/ Aceso em fevereiro de 2014.
hooks, bell. Mulheres negras: moldando a teoria feminista. In: Revista Brasileira de Ciência Política, n°16. Brasília, janeiro-abril, 2015
JESUS, Carolina Maria de. Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1961.
KILOMBA, Grada. Plantation Memories. Episode of Everyday Racism. Münster: Unrast, 2016.
________________. “O racismo e o depósito de algo que a sociedade branca não quer ser.”, 2017. In: Instituto Geledés. Matéria realizada por Kauê Vieira. Diponível em https://www.geledes.org.br/grada-kilomba-o-racismo-e-o-deposito-de-algo-que-sociedade-branca-nao- quer-ser/ Acesso em Fevereiro de 2018.
LORDE, Audre. Zami: a new spelling of my name (a biomythography by Audre Lorde). Berkeley: The Crossing Press, 1982, p. 226.
____________. There is no hierarchy of opression. In: BYRD, Rudolph P.; COLE, Johnnetta Betsch, GUY-SHEFTALL, Beverly (org.). I Am Your Sister: Collected and Unpublished Writing of Audre Lorde. Oxford University Press, 2009.
Mãe Stella de Oxossi. “Nunca perder a capacidade de me indignar com as mazelas humanas”. Artigo concedido à UOL Notícias. 2018. Disponível em https://www.uol/noticias/especiais/como-mudamos-o-mundo—candomble.htm#nunca-perder-a- capacidade-de-me-indignar-com-as-mazelas-humanas Acesso em janeiro de 2018
P, Millena Lízia M M C de. FAÇO FAXINA: bases contraontológicas para um começo de conversa sobre uma experiência epidérmica imunda. Dissertação de Mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes, UFF-RJ, 2018.
PASSARELI, Matheusa. O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO E OPRESSOR. Zine, 201?.
SILVA, Denise Ferreira da. À brasileira: racialidade e a escrita de um desejo destrutivo. In: Estudos Feministas, v. 14, n.1. Florianópolis, 2006, p. 61-83.
TRUTH, Soujorner. E não sou uma mulher?. Trad.: Osmundo Pinho. Austin, 2014. n.p. Disponível aqui.

Millena Lízia
Sou uma pessoa vivendo este mundo em busca de uma caminhada com dignidades e saúdes. Busco as simplicidades, pois as coisas mais banais me chegam com camadas de desafios e complexidades. Sou pesquisadora e artista contemporânea-ancestral, que assim venho me organizando desde as agitações diaspóricas das experiências pictóricas-epidérmicas vividas – apenas mais uma forma possível de apresentação, que deseja apontar que meu campo de atuação se faz na existência, nas relações, nos deslocamentos, nos enfrentamentos e nas fugas a partir da produção de imaginários. Venho colaborando desde 2011 com diversos encontros, produções, rodas e exposições coletivas. Dentre minhas formações institucionalizadas estão o mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes (2018) pela Universidade Federal Fluminense, o curso de Montagem Cinematográfica e Edições de Vídeos (2012) pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro e a graduação em Design Gráfico pelo Instituto Federal Fluminense (2009).