EAV Parque Lage

Experiências Epidérmicas/Epidêmicas: movimentos para organizações de cadernos de artistas-pesquisadoras

Experiências Epidérmicas/Epidêmicas: movimentos para organizações de cadernos de artistas-pesquisadoras

Milena Lízia – Estudo de desenho para uma linha reta, 2016

Professora: Millena Lízia

Curta duração 2020.2
04 de agosto a 27 de outubro
Terças, de 19h às 22h
R$ 933,00 ou 3x de R$ 311,00

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*Leia atentamente todas as normas de matrícula antes de se inscrever. Clique aqui.
A matricula online não oferece desconto. A política de descontos só é oferecida na matrícula com pagamento via boleto bancário.


CADERNO DE ARTISTA; LUTA ANTICOLONIAL; LUTA ANTIRRACISTA; FEMINISMOS DISSIDENTES; PENSAMENTOS ANTI-HEGEMÔNICOS, PESSOA PARA PESSOA; POTÊNCIA SOLIDÁRIA; CRIAÇÃO E RESISTÊNCIA; PESQUISA EM ARTES; ARTE CONTEMPORÂNEA-ANCESTRAL-PRA-DEPOIS-DO-ANO-2000; EXPERIÊNCIA VIVIDA; NÃO É NECESSARIAMENTE SOBRE ARTES; COMO PRODUZIR VIDA?

SOBRE
A proposta de engajamento para essa edição do “Experiências Epidérmicas” (e suas dobras “/Epidêmicas”) se organiza certamente sob impacto da pandemia do COVID-19, mas se organiza principalmente contra este insistente projeto de humanidade que se arquiteta de forma tão indissociável com a produção de humilhações, com a hierarquização das vidas, com a aniquilação das dissidências e demais fertilidades da terra.

Como nos reorganizamos diante das tantas fragmentações investidas contra nossas existências? Esta é uma das perguntas que nos acompanha há gerações, que se reatualiza de acordo com os novos contextos e que nos servirá de guia para apoiarmos materialmente o desenrolar dos nossos encontros, conjuntamente com a proposta de produção de cadernos a partir daquilo que for do nosso desejo.

Longe de esperar que a confecção de cadernos venha a desempenhar um papel aglutinador de nossos cacos, espera-se que, com suas feituras, possamos mergulhar um pouco nas muitas camadas que nos compõem. Que, com esta ferramenta, ganhe alguma irrigação o exercício perseverante pela vida de transmutar fragmentações em multiplicidades, de sintetizar matérias úmidas que garantam alguma fertilidade mandacaru em tempos de aridez.

Se você está se perguntando onde está a pesquisa nessa proposição, ela está na busca pelas muitas formas de viver com dignidade.

Este curso oferece algumas bolsas sociais para pessoas autodeclaradas periferizadas, racializadas e/ou trans, o número de bolsas varia de acordo com número de inscritos no curso. Caso deseje pleitear uma bolsa envie um email para ensino.eavparquelage@gmail.com

CONTEÚDO
Este curso não é necessariamente sobre artes, mas, antes, sobre uma tomada de posicionamento de que não há territórios de opressão, de destruição e de colonialidade, por fim, que se façam sem resistências – e entendendo a produção de resistência como campo plural de ativação que se materializa também em termos estéticos, teóricos, poéticos, discursivos, subjetivos, criativos, vitais.

Os encontros estão estruturados em três movimentos. Cada movimento corresponderá a um mês do curso.

O primeiro movimento, o das apresentações, será um convite contínuo para que cada participante se apresente ao grupo, das mais diversas formas desejáveis ao longo de um mês de encontros. Com esta solicitação, feita no sentido das apresentações, se estimulará também um debate sobre as presenças e que presente cada um poderá ofertar a partir de suas habilidades, saberes, talentos, etc.

O segundo movimento, o das organizações, buscará construir, a partir dos perfis das participantes, os fortalecimentos necessários para os desenvolvimentos das pesquisas que se desejará desenvolver e, que se materializará adiante nas produções dos cadernos. Os fortalecimentos deste período poderão contemplar desde literaturas partilhadas, a serem discutidas, até o convite para outras pessoas colaborem com nossos encontros, passando por estudos de casos, contações de histórias, escuta de músicas, cantorias, escolha de filmes, memes, trocas de receitas, dicas de saúde, feitiços e por aí vai o segundo mês.

O terceiro movimento, o das circulações, será aquele no qual cada participante se aventurará livremente na produção de seu caderno a partir de sua pesquisa. Se estimulará processos partilhados, para que haja trocas contínuas de experiências e de conteúdos, os quais se evidenciam nesses momentos do fazer.

DINÂMICA
Aula por videoconferência
Exercícios semanais com acompanhamento coletivo em aula
Acompanhamentos individuais com debates coletivos em aula
Compartilhamento de referências semanais com debates coletivos em aula

PÚBLICO
Indicado para pessoas interessadas em desenvolver processos artísticos e pessoas com processos artísticos em andamento.

REFERÊNCIAS

BRASILEIRO, Castiel Vitorino. Quando encontro vocês: macumbas de travesti, feitiços de bixa.Vitória: Editora da autora, 2019

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Trad.: Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008

GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa… Diáspora Africana: Editora Filhos da África, 2018.

HALL, Stuart. Raça, o significante flutuante. In: Z Cultural, 2013. Ano IX. ISSN 1980-9921. Disponível em http://revistazcultural.pacc.ufrj.br/raca-o-significante-flutuante%EF%80%AA/ Aceso em fevereiro de 2014.

hooks, bell. Mulheres negras: moldando a teoria feminista. In: Revista Brasileira de Ciência Política, n°16. Brasília, janeiro-abril, 2015

JESUS, Carolina Maria de. Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1961.

KILOMBA, Grada. Plantation Memories. Episode of Everyday Racism. Münster: Unrast, 2016.
________________. “O racismo e o depósito de algo que a sociedade branca não quer ser.”, 2017. In: Instituto Geledés. Matéria realizada por Kauê Vieira. Diponível em https://www.geledes.org.br/grada-kilomba-o-racismo-e-o-deposito-de-algo-que-sociedade-branca-nao- quer-ser/ Acesso em Fevereiro de 2018.

KURY, Bruna; CAPELOBO, Walla. Desejo que sobrevivamos pois já sobrevivemos, 2020. Disponível em https://www.glacedicoes.com/post/desejo-que-sobrevivamos-pois-ja-sobrevivemos-bruna-kury-e-walla-capelobo

LORDE, Audre. Zami: a new spelling of my name (a biomythography by Audre Lorde). Berkeley: The Crossing Press, 1982, p. 226.

____________. There is no hierarchy of opression. In: BYRD, Rudolph P.; COLE, Johnnetta Betsch,
GUY-SHEFTALL, Beverly (org.). I Am Your Sister: Collected and Unpublished Writing of Audre Lorde. Oxford University Press, 2009.

LUGONES, María. Hacia un feminismo descolonial. In: La manzana de la discordia, v. 6, n. 2, julho-dezembro de 2011.

Mãe Stella de Oxossi. “Nunca perder a capacidade de me indignar com as mazelas humanas”. Artigo concedido à UOL Notícias. 2018. Disponível em https://www.uol/noticias/especiais/como-mudamos-o-mundo—candomble.htm#nunca-perder-a- capacidade-de-me-indignar-com-as-mazelas-humanas Acesso em janeiro de 2018

MAMA, Amina. Temas desafiantes: Gênero y Poder en los Contextos Africanos. In: SUÁREZ, Liliana;
HERNÁNDEZ, Rosalba Aída (org.) Descolonizando el feminismo. Teorías y prácticas desde los márgenes, 2008, s/n. Disponível em http://www.reduii.org/cii/sites/default/files/field/doc/ Descolonizando%20el%20feminismo.pdf Acesso em novembro de 2017.

MOMBAÇA, Jota. Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência. Publicação comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo em ocasião da 32a Bienal de São Paulo-Incerteza Viva, 2016. Disponível em https://issuu.com/amilcarpacker/docs/rumo_a_uma_redistribuic__a__o_da_vi

P, Millena Lízia M M C de. FAÇO FAXINA: bases contraontológicas para um começo de conversa sobre uma experiência epidérmica imunda. Dissertação de Mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes, UFF-RJ, 2018.

PARAYZO, Lyz. EAV AVE YZO. Zine, 2018

PASSARELI, Matheusa. O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO E OPRESSOR. Zine, c. 2017.

SILVA, Denise Ferreira da. À brasileira: racialidade e a escrita de um desejo destrutivo. In: Estudos Feministas, v. 14, n.1. Florianópolis, 2006, p. 61-83.

TRUTH, Soujorner. E não sou uma mulher?. Trad.: Osmundo Pinho. Austin, 2014. n.p. Disponível em https://www.geledes.org.br/e-nao-sou-uma-mulher-sojourner-truth/

RECURSOS NECESSÁRIOS
Acesso à internet
Computador ou celular com câmera

SECRETARIA
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MILLENA LÍZIA
É uma existência nesse mundo em busca de uma caminhada com dignidades e saúdes. Busca as simplicidades, pois as coisas mais banais lhe chegam com camadas de desafios e complexidades.

É pesquisadora e artista contemporânea-ancestral-pra-depois-do-ano-2000, que assim vem se organizando desde as agitações diaspóricas das experiências pictóricas-epidérmicas vividas – apenas mais uma forma possível de apresentação, que deseja apontar que seu campo de atuação se faz na vida, nas relações, nos deslocamentos, nos enfrentamentos e nas fugas a partir da produção de imaginários.

Vem colaborando desde 2011 com diversos encontros, produções, rodas, proposições educativas e exposições coletivas.

Dentre suas formações institucionalizadas estão o mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes (2018) pela Universidade Federal Fluminense, o curso de Montagem Cinematográfica e Edições de Vídeos (2012) pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro e a graduação em Design Gráfico pelo Instituto Federal Fluminense (2009).