EAV Parque Lage

EXPERIÊNCIAS EPIDÉRMICAS/EPIDÊMICAS: MOVIMENTOS PARA ORGANIZAÇÕES DE CADERNOS DE ARTISTAS-PESQUISADORAS/ES

Professor: MILLENA LÍZIA

Cursos semestrais
03 de agosto a 23 de novembro.
Terças, de 19h às 22h
R$ 1.400,00 ou 4x de R$ 350,00

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A matricula online não oferece desconto. A política de descontos só é oferecida na matrícula com pagamento via boleto bancário.

 

SOBRE
A proposta de engajamento para esta edição do “Experiências Epidérmicas” (e suas dobras “/Epidêmicas”) se organiza certamente sob impacto da pandemia do COVID-19, mas se organiza principalmente contra este insistente projeto de humanidade que se arquiteta de forma tão indissociável com a produção de humilhações, com a hierarquização das vidas, com a aniquilação das dissidências e demais fertilidades da terra. Como nos reorganizamos diante das tantas fragmentações investidas contra nossas existências? Das perguntas que nos acompanham há gerações, que se reatualizam de acordo com os novos contextos e que nos serão guia para apoiarmos materialmente o desenrolar dos nossos encontros, conjuntamente com a proposta de produção de cadernos a partir daquilo que for do nosso desejo. Longe de esperar que a confecção de cadernos venha a desempenhar um papel aglutinador de nossos cacos, espera-se que com suas feituras a gente possa mergulhar um pouco nas muitas camadas que nos compõem. Que com esta ferramenta ganhe alguma irrigação o exercício perseverante pela vida de transmutar fragmentações em multiplicidades, de sintetizar matérias úmidas que garantam alguma fertilidade mandacaru em tempos de aridez. Se você está se perguntando onde está a pesquisa nessa proposição ela está na busca pelas muitas formas de viver com dignidade.

CONTEÚDO
Este curso não é necessariamente sobre artes, mas, antes, sobre uma tomada de posicionamento de que não há territórios de opressão, de destruição e de colonialidade, por fim, que se façam sem resistências – e entendendo a produção de resistência como campo plural de ativação que se materializa também em termos estéticos, teóricos, poéticos, discursivos, subjetivos, criativos, vitais. Os encontros estão estruturados em três movimentos: o primeiro movimento, o das apresentações, será um convite contínuo para que cada participante se apresente ao grupo, e das mais diversas formas que desejar ao longo de um mês de encontros. Com esta solicitação, que se faz no sentido das apresentações, se estimulará também um debate sobre as presenças e do que de presente cada uma pode ofertar a partir de suas habilidades, saberes, talentos, etc. O segundo movimento, o das organizações, buscará construir a partir dos perfis das participantes os fortalecimentos necessários para os desenvolvimentos das pesquisas que se deseja desenvolver e que se materializará adiante nas produções dos cadernos. Os fortalecimentos deste período poderão contemplar desde literaturas partilhadas a serem discutidas até o convite para que pessoas colaborem com nossos encontros, passando por estudos de casos, contações de histórias, escuta de músicas, cantorias, escolha de filmes, memes, trocas de receitas, dicas de saúde, feitiços e por aí vai. O terceiro movimento, o das circulações, será aquele em que cada participante se aventurará livremente na produção de seu caderno a partir de sua pesquisa. Se estimulará que os processos sejam partilhados para que haja trocas contínuas de experiências e de conteúdos que se evidenciam nesses momentos do fazer.

DINÂMICA
Aula expositiva em videoconferência; Exercícios semanais com acompanhamento coletivo em aula; Compartilhamento de referências semanais com debates coletivos em aula; Acompanhamentos individuais com debates coletivos em aula.

PÚBLICO
Indicado para pessoas interessadas em conhecer e/ou pesquisar o tema. Não exige conhecimentos prévios

 

REFERÊNCIAS
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KURY, Bruna; CAPELOBO, Walla. Desejo que sobrevivamos pois já sobrevivemos, 2020. Disponível em <https://www.glacedicoes.com/post/desejo-que-sobrevivamos-pois-ja-sobrevivemos-bruna-kury-e-walla-capelobo>
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Mãe Stella de Oxossi. “Nunca perder a capacidade de me indignar com as mazelas humanas”. Artigo concedido à UOL Notícias. 2018. Disponível em <https://www.uol/noticias/especiais/como-mudamos-o-mundo—candomble.htm#nunca-perder-a- capacidade-de-me-indignar-com-as-mazelas-humanas>. Acesso em janeiro de 2018.
MAMA, Amina. Temas desafiantes: Gênero y Poder en los Contextos Africanos. In: SUÁREZ, Liliana; HERNÁNDEZ, Rosalba Aída (org.) Descolonizando el feminismo. Teorías y prácticas desde los márgenes, 2008, s/n. Disponível em http://www.reduii.org/cii/sites/default/files/field/doc/ Descolonizando%20el%20feminismo.pdf Acesso em novembro de 2017.
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MOMBAÇA, Jota. Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência. Publicação comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo em ocasião da 32a Bienal de São Paulo-Incerteza Viva, 2016. Disponível em: <https://issuu.com/amilcarpacker/docs/rumo_a_uma_redistribuic__a__o_da_vi>.
NASCIMENTO, Maria Beatriz. Beatriz Nascimento, Quilombola e intelectual: possibilidade nos dias da destruição. Filhos da África, 2018.
P, Millena Lízia M M C de. FAÇO FAXINA: bases contraontológicas para um começo de conversa sobre uma experiência epidérmica imunda. Dissertação de Mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes, UFF-RJ, 2018.
PARAYZO, Lyz. EAV AVE YZO. Zine, 201.
PASSARELLI, Matheusa. O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO E OPRESSOR. Zine, 201?.
SILVA, Denise Ferreira da. À brasileira: racialidade e a escrita de um desejo destrutivo. In: Estudos Feministas, v. 14, n.1. Florianópolis, 2006, p. 61-83.
TRUTH, Soujorner. E não sou uma mulher?. Trad.: Osmundo Pinho. Austin, 2014. n.p. Disponível em: <https://www.geledes.org.br/e-nao-sou-uma-mulher-sojourner-truth/>.
Bebendo água no Saara. Exposição de artes de Laís Amaral. Curadoria de Agrippina R. Manhattan. 2020.
Orí. Direção de Raquel Gerber. Roteiro de Beatriz Nascimento. 1989. Filme.

RECURSOS NECESSÁRIOS
Acesso à internet; Computador ou celular com câmera.

SECRETARIA
Todos os cursos online e presenciais emitem certificados.

MILLENA LÍZIA
Millena Lízia é uma existência nesse mundo em busca de uma caminhada com dignidades e saúdes. Planta e deseja colher. Busca as simplicidades, pois as coisas mais banais lhe chegam com camadas de desafios e complexidades. Tem visto em suas mãos seu coração. Se reconhece como pesquisadora e artista contemporânea-ancestral-pra-depois-do-ano-2000, pelo menos é assim que vem se organizando desde as agitações diaspóricas das experiências pictóricas-epidérmicas vividas – apenas mais uma forma possível de apresentação, que deseja apontar que seu campo de atuação se faz na vida, nas relações, nos deslocamentos, nos enfrentamentos e nas fugas a partir da produção de imaginários. Colabora há mais de dez anos com diversos encontros, produções, exposições coletivas, rodas, proposições educativas e publicações. Institucionalmente, estudou comunicação visual, montagem cinematográfica e arte contemporânea. É autora de “FAÇO FAXINA: bases contra ontológicas para um começo de conversa sobre uma experiência epidérmica imunda” (2018), dissertação de mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense (RJ). Compõe, sendo uma das articuladoras, o CIPEI – Círculo Permanente de Estudios Independientes (México-Brasil), plataforma de investigação de contra-pedagogias e contra-visualidades.