EXPOSIÇÃO "ESCOLA EM TRANSE"

EXPOSIÇÃO

Rafael Alonso [detalhe]

EXPOSIÇÃO DE ALUNOS E PROFESSORES DA EAV – ESCOLA EM TRANSE
17 dez 2017 a 28 de jan 2018
Quarta a domingo, 13h-18h
Galerias 1 e 2 do Palacete e Cavalariças
Curadoria de Lisette Lagnado e Ulisses Carrilho

ENCERRAMENTO: 28 de jan. 2018 (domingo, 10h-17h)


Que papel pode ter uma escola de arte frente ao desencanto de um país que, até pouco tempo, afirmava ter conseguido eliminar a pobreza extrema, segundo o estudo “Prosperidade Compartilhada e Erradicação da Pobreza na América Latina e Caribe” do Banco Mundial?

Ao celebrar os 50 anos do mítico filme Terra em Transe de Glauber Rocha, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage se transforma novamente no cenário do Palácio de Alecrim. No roteiro do cineasta baiano, um golpe de Estado tomou a realidade de Eldorado, país forjado na ficção e alocado no Atlântico Sul. A intensa verve dos devaneios de um poeta já era conhecida no seu texto-manifesto “Eztétyka da fome” (1965).

Se a poesia e a política são demais para um só homem (frase de Paulo Martins, protagonista do filme), elas se tornam muito mais pesadas para um homem sozinho. Transe é coletivo. Transe é fome. Transe é visceral. Transe é êxtase religioso. Distorção da realidade – delírio.

Mas o que nos une com o filme Terra em Transe (1967) de Glauber? Tentar compreender que país é esse Eldorado levanta questões atuais. Por exemplo: que valores estamos cultuando? Que escola pública queremos?

Como um convite a outros graus de consciência, “Escola em Transe” reúne artistas (entre professores, estudantes e ex-alunos) para abordar esse clássico do cinema político e discutir a atualidade de uma obra que recebeu vários prêmios europeus, porém provocou uma violenta polêmica cultural entre a direita e a esquerda da época.

Integrada à tradicional mostra final dos alunos, a exposição apresenta pinturas, gravuras, esculturas, performances, intervenções, oficinas abertas, documentos históricos, textos, anotações para aulas, fotografias e filmes que dão tônus à atmosfera da EAV, descortinando seu cotidiano interno.

Ao exibir esse emaranho de fluxos criativos, percebe-se sua dimensão utópica. Além de evidenciar práticas pedagógicas de seus professores, alguns deles atuantes desde os anos 1970, o Parque Lage reivindica uma arte com caráter ético-político e capacidade de chacoalhar estruturas, questionando o rumo de instituições que, obcecadas pela produção de objetos, acrescentam níveis de desigualdade na sociedade.

A luta contra a miséria continua. Colocar em transe modelos que não se sustentam mais é uma forma de investir na imaginação política para erguer outras modos de existência, baseados no afeto e na solidariedade. Só interpelando narrativas hegemônicas uma escola saberá colaborar na construção de processos de autonomia e decolonização do pensamento.

Lisette Lagnado e Ulisses Carrilho, curadores.


Artistas | Professores
Alexis Zelensky
Ana Miguel
Analu Cunha
Anna Bella Geiger
Bia Amaral
Bob N e Edmilson Nunes
Brígida Baltar
Carli Portella
Charles Watson
Daniel Jablonski
Daniela Seixas
David Cury
Denise Cathilina
Evany Cardoso
Franz Manata e Saulo Laudares |
Fausto Fawcett e Bruno Queiroz
Gianguido Bonfanti
Giodana Holanda
João Atanásio
Jorge Menna Barreto
Julio Castro
Luana Vieira
Marcos Bonisson
Nadam Guerra
Pedro Rocha e Regina Neves
Priscila Fiszman e Bruna Linzmeyer
Rafael Alonso
Simone Rodrigues
Susana Spadaccini
Suzana Queiroga
Tanja Baudoin
Tina Velho
Valerio Ricci Montani
Zoè Gruni

Convidados transversais
Anitta Boa Vida
Fabia Schnoor
Hugo França (com EAVerão 2015)
Louise Botkay
Neide Sá (com Helio Eichbauer)
Thomas Jeferson

Participações especiais
Adrian Pipper
Alejandro Jodorowsky
Glauber Rocha
John Baldessari


INFORME AOS ALUNOS COM TRABALHOS NA EXPOSIÇÃO:
A desmontagem da exposição ocorrerá na segunda, dias 29 e 30 de janeiro.
A retirada dos trabalhos deverá ser realizada de 31/01 a 02/02, das 11h às 17h.