O glossário do Programa ambiental de Hélio Oiticica

O glossário do Programa ambiental de Hélio Oiticica

“All Language”, de Andreas Valentin (1974); Fragmentos utilizados no vídeo “Heliophonia”, de Marcos Bonisson (2002).

Professores: Frederico Coelho e Lisette Lagnado
10 de março a 30 de junho
Sexta-feira das 10h30 às 13h
R$ 380,00/mês

Conteúdo
Núcleo, Bólide, Penetrável, Parangolé e Quase-cinema pertencem ao repertório de invenções do artista Hélio Oiticica (1937-1980). Não são categorias estéticas, são “ordens de trabalhos”.
 
Poucos artistas como Oiticica deixaram um legado teórico escrito refletindo não somente acerca de seu próprio processo criativo, mas procurando conceituar um vasto panorama de linguagens. Como usar essa terminologia com precisão, sem cair na conhecida cilada do jargão da arte?
 
O presente curso aborda o vocabulário semântico de um artista que buscou definir uma vanguarda brasileira na conturbada década de 1960, tendo testemunhado a eclosão da contracultura e o fechamento das garantias de liberdade de expressão com o golpe militar de 1964. Foi preciso criar conceitos novos que pudessem acompanhar proposições com características éticas, políticas e coletivas. Autor da manifestação ambiental Tropicália (que dá nome ao movimento cultural tropicalista), Oiticica deixou textos fundamentais para elaborar uma teoria da cultura, que retoma e comenta, de um modo muito particular, diferentes momentos artísticos, tais como a Antropofagia, a Bauhaus, o Dadá, o Concretismo e Neoconcretismo, o Cinetismo, o Popcreto, a Pop art, a arte conceitual, a Land Art, o Living Theatre, Woodstock, o Cinema Novo, o Teatro Oficina, o pós-moderno, entre outros.
 
Acontecimento poético-urbano. Aldeia global. Ambiental. Anti-arte. Antropofagia. Auto-teatro. Babylonests/ Hendrixsts. Barracão. Bodywise. Bólide/ Contra-Bólide. Cor. Cosmococa. Crelazer. Dança. Drogas. Éden. Experimental. Fim do quadro. Information. Labirinto. Linha orgânica. Merz. Mundo-abrigo. Música. Não-narração. Newyorkaises. Ninho. Nostalgia do corpo. Nova Objetividade Brasileira. Objeto. Performance. Playground. Play-papo. Programa in progress. Propositor. Quase-cinema. Supra-sensorial. Ready-constructible. Relevo espacial. Sociedade do espetáculo. Subterrânia. Supermedia. Transobjeto. Tropicamp. Virtual. Vivencial. Vontade construtiva. Whitechapel Experience.
 
Gordon Matta-Clark. Jean-Luc Godard. Lygia Clark. Robert Smithson. Vito Acconci. Marshall McLuhan, Abbie Hoffman, Jery Rubin, Haroldo de Campos, Waly Salomão.

Metodologia
16 encontros, dos quais:
– 8 encontros em que serão lidos documentos fundamentais de Hélio Oiticica sobre diversos aspectos da arte, da cor ao objeto, da dança ao cinema.
– 2 encontros com professores convidados (a serem definidos)
– 6 encontros-clínicas em que cada participante redige e apresenta um verbete inédito.

Bibliografia sucinta
BUCHMANN Sabeth e HINDERER, Max Jorge. Hélio Oiticica & Neville d’Almeida: Cosmococas. Rio de Janeiro: Azougue/ Capacete, 2014.
COELHO, Frederico. Livro ou Livro-me – os escritos babilônicos de Hélio Oiticica. Rio de Janeiro: Eduerj, 2010.
DEBORD, Guy. La Société du Spectacle (1967).
Versão digital: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/socespetaculo.pdf.
FAVARETTO, Celso. “Programa ambiental”, in: A invenção de Hélio Oiticica. São Paulo: Edusp, 2000.
GULLAR, Ferreira. “Manifesto Neoconcreto”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22.03.1959 e “Teoria do não-objeto”, Jornal do Brasil, 19-20.12.1960.
Versão digital: https://poars1982.wordpress.com/2008/02/28/teoria-do-nao-objeto-ferreira-gullar/
LAGNADO, Lisette (coord.). Arquivo de documentos no website Programa Hélio Oiticica (1999). http://www.itaucultural.org.br/programaho/
OITICICA FILHO, César e COELHO, Frederico (org.). Hélio Oiticica. Conglomerado Newyorkaises. Rio de Janeiro: Azougue, 2013.

Frederico Coelho é pesquisador e professor de Literatura Brasileira e Artes Cênicas da PUC-Rio. Se formou e fez Mestrado em História no IFCS-UFRJ e Doutorado em Literatura pela PUC-Rio. Entre 2009 e 2011 foi assistente de curadoria do MAM-RJ. Lançou, entre outros, os livros Eu, brasileiro, confesso minha culpa e meu pecado – cultura marginal no Brasil 1960 e 1970 (2010), Livro ou livro-me – os escritos babilônicos de Hélio Oiticica (2010) e, com César Oiticica Filho, Hélio Oiticica – Newyorkaises/Conglomerado (2013). Fez curadorias e textos para o projeto Travessias (com Daniela Labra e Luisa Duarte), realizado no Galpão Bela-Maré em novembro de 2011 e para exposições de Maria Laet, Laercio Redondo e Gisele Camargo.

Lisette Lagnado é crítica de arte e diretora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Em 1999, coordenou o projeto de pesquisa e sistematização dos manuscritos de Hélio Oiticica [http://www.itaucultural.org.br/programaho/]. Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) com a tese Hélio Oiticica: o mapa do Programa ambiental (2003, não publicada). Foi curadora-geral da 27a. Bienal de São Paulo (“Como viver junto”, 2006), da exposição “Desvíos de la deriva: experiencias, travesias, morfologias” no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madri, 2010) e do 33º Panorama da arte brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2013), entre outras mostras. Em 1993, fundou o Projeto Leonilson, com amigos e familiares do artista. É autora do livro Leonilson. São tantas as verdades (1995).

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