Histórias de fogo em tempos frios

Histórias de fogo em tempos frios

Julie Brook. Jura, 1992-1994.

Professora: Mariana Manhães

*Vagas limitadas – máximo 10 pessoas

Férias de Inverno 2019
08 a 13 de julho
[08, 09, 11, 12, 13 de julho]
Segunda, terça, quinta, sexta e sábado, 10:00–13:00
R$ 380,00
 

Numa época em que as redes sociais são frequentemente a principal forma de comunicação, este curso de férias busca incentivar o calor da conversa presencial. Em cada encontro, o grupo se sentará ao redor de uma fogueira imaginária, simbolizada pela fumaça aromática de um incenso. Cada um dos participantes será convidado a contar histórias ligadas à sua poética artística, que serão ouvidas pelo grupo. Serão respeitados os momentos de fala e também os de silêncio de cada um.

O ato de sentarmos juntos ao redor do fogo simbólico remete a costumes ancestrais ligados às práticas de tradição oral. Buscaremos, através dos nossos encontros, resgatar e trazer essa experiência para o contexto contemporâneo da produção poética. Trata-se de promover uma forma mais simples de convívio, sem expectativas maiores do que a da comunhão franca e direta com o próximo e com as coisas que nos cercam. Neste momento atual da humanidade, em que as relações interpessoais parecem se tornar cada vez mais frias e distantes, desejamos o aconchego do calor do próximo, ouvir e ser ouvidos, reverenciando, assim, a produção e o percurso de cada um de nós.

Pré-requisitos
O curso se dirige a artistas que tenham conexão profunda com seus trabalhos e processos, e que queiram compartilhar suas experiências com seus semelhantes. Ser sensível à percepção do tempo de falar e, principalmente, de escutar. A capacidade de silenciar será valorizada.

Conteúdo
Durante os encontros, os integrantes se sentarão ao redor de uma fogueira imaginária para contar histórias dos seus processos poéticos, respeitando os momentos de fala, de escuta e de silêncio. Queremos reverenciar a produção e o percurso de cada participante.

Além da contação de histórias, estão programados exercícios de imaginação e relaxamento, breves caminhadas pela floresta, além de uma refeição frugal compartilhada. Queremos promover uma forma mais franca e direta de convívio entre seres humanos, revivendo o costume ancestral de se sentar em grupo ao redor do fogo. Usaremos pouca ou nenhuma imagem de obras – nosso foco é a oralidade e todo o processo imaginativo envolvido no ato da escuta. A imaginação, aqui, prevalece sobre a realidade.

Dinâmica
Na sala de aula, sentaremos em círculo. No centro, um incenso será aceso ao iniciar as atividades de cada dia. Durante os encontros, os participantes serão convidados a contar histórias ligadas aos seus processos poéticos direta ou indiretamente (por exemplo, como descobriram determinado material, ou alguma coisa que tenha acontecido em suas vidas que achem que tenha sido definitivo para sua obra. O que eles considerarem importante). Os temas sugeridos no cronograma do curso são um ponto de partida – a cada dia, iremos aonde nossa imaginação nos levar. Os tempos de fala e escuta serão distribuídos de acordo com o número de participantes e necessidades do grupo. Caso haja necessidade, limitaremos o tempo de fala de cada um, porém o objetivo é que todo o processo seja realizado da forma mais espontânea possível.

Livros sugeridos
AIRA, César. Um Acontecimento na Vida de um Pintor Viajante. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. BACHELARD, Gaston. O Ar e os Sonhos. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
________. A Psicanálise do Fogo. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
________. A Chama de uma Vela. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil S.A., 1989.
BORGES, Jorge Luis. O Livro dos Seres Imaginários. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2007. HENDERSON, Caspar. The Book of Barely Imagined Beings: a 21st Century Bestiary. Londres: Granta Books, 2013.
SAX, Boria. Imaginary Animals: The Monstrous, the Wondrous and the Human. Londres: Reaktion Books, 2013.
SCHAMA, Simon. Landscape and Memory. Londres: Vintage, 1996.
SJÓN. A Raposa Sombria. São Paulo: Hedra, 2013.
THOREAU, Henry David. Walden. Porto Alegre: L&PM, 2016.

Filmes sugeridos
Até o Fim do Mundo. Direção de Wim Wenders. Alemanha, Áustria e França, 1992.
Beleza Roubada. Direção de Bernardo Bertolucci. Itália, França e Estados Unidos, 1996.
Cave of Forgotten Dreams. Direção de Werner Herzog. Canadá, Estados Unidos, Alemanha e França, 2010.
Dead Man. Direção de Jim Jarmusch. Estados Unidos, Alemanha e Japão, 1996.
Into the Inferno. Direção de Werner Herzog. Reino Unido, Alemanha e Canadá, 2016.
Koyaanisqatsi. Direção de Godfrey Reggio, música de Philip Glass. Estados Unidos, 1982.
Only Lovers Left Alive. Direção de Jim Jarmusch. Reino Unido, Alemanha, Grécia e França, 2013.
The Seasons in Quincy: Four Portraits of John Berger. Direção de Tilda Swinton, Christopher Roth e outros. Reino Unido, 2016.

Mariana Manhães (Niterói, RJ, 1977) vive no Rio de Janeiro. Graduou-se em Psicologia pela UFF (2001) e concluiu mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ (2012). Sua formação artística aconteceu entre 1997 e 2005 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou de exposições em diversos museus e galerias no Brasil e exterior, dentre os quais se destacam: MuBE (São Paulo), Bienal de Vancouver (Vancouver, Canadá), Shanghart Gallery (Xangai, China), The Mattress Factory (Pittsburgh, EUA), Bozar Museum (Bruxelas, Bélgica), Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília), Martin-Gropius-Bau Museum (Berlim, Alemanha), Instituto Itaú Cultural (São Paulo), Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro), Museu de Arte Moderna (Salvador), Museu Vale do Rio Doce (Vila Velha), Galerie GP+N Vallois e Natalie Seroussi (Paris, França), entre outros. Apresentou individuais na Galeria Múltiplo (Rio de Janeiro, 2017), Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2013), Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro, 2010) e Museu de Arte Contemporânea (Niterói/RJ, 2007). Dentre os prêmios que recebeu, destacam-se: Prêmio Marcantônio Vilaça – FUNARTE (2015); Vancouver Biennale Residency Program (2014); Bolsa Funarte de Estímulo às Artes Visuais 2013 – FUNARTE (2013), Salão de Goiás (2006), Salão da Bahia (2005). Em 2017 foi finalista do Prêmio CNI SESI Marcantônio Vilaça (2017).