EAV Parque Lage

II edição do Prêmio Reynaldo Roels Jr.

II edição do Prêmio Reynaldo Roels Jr.

Foto: Caio Siqueira

 

reynaldo2_mod_558x558_acf_cropped “Apesar das tentativas de reduzir a atividade artística a certos denominadores comuns (em parte por necessidade intelectual, mas em parte também como forma de controle), a arte tem se mostrado um dos territórios mais resistentes à catalogação, à rotulação e ao esquematismo. (…) E afirmar, a todo o momento, que ela [arte contemporânea] é uma das principais instâncias do pensamento na atualidade, onde tudo é submetido à prova, tudo é testado e retestado incessantemente, um laboratório vivo onde o mundo é submetido a uma de suas provas mais radicais. Quando os limites do positivo são ultrapassados em uma direção mais aventurosa, mais aventureira por vezes, mas exatamente por isso com um potencial infinitamente mais fértil do que os hábitos do cotidiano, tradicionalmente conservadores, permitem imaginar. Por isso, o que se deve pedir à arte – e aos artistas – nesse momento é que ultrapassem os limites e ocupem o território.”

Reynaldo Roels Jr. “Pede-se ultrapassar o limite”, novembro de 1987,
exposição coletiva “Território ocupado” na EAV Parque Lage.

BREVE ITINERÁRIO DO CRÍTICO DE ARTE

Reynaldo Roels Jr. (1951-2009) foi crítico de arte do Jornal do Brasil de 1985 a 1990, coordenador do Núcleo de Pesquisa do MAM RJ entre 1991-1992, curador da Coleção Gilberto Chateaubriand de 1997 a 2000 e diretor da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage de 2002 a 2006, onde também lecionou. Foi, ainda, curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro de 2007 a 2009, ano de sua morte. Em 2010, o MAM editou o livro “Reynaldo Roels Jr.: crítica reunida”, com organização de Rosana de Freitas. Com formação em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roels publicou seu primeiro texto em 1985, na Revista Gávea. “Mutações da arte na contemporaneidade” questiona o papel social da arte e seu destino na modernidade, retomando um tema do filósofo Theodor W. Adorno, expoente da Escola de Frankfurt. Sua trajetória profissional abrange uma atuação como curador e crítico e uma vasta coleção de textos elaborados para mostras com curadoria própria ou de terceiros, artigos na imprensa diária sobre artes visuais e música, além de comentários referentes à política cultural. Deixou uma produção crítica sobre artistas pontuais (como Antonio Henrique Amaral, Iberê Camargo, Lygia Pape, Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Adriana Varejão e Daniel Senise, entre muitos) e reflexões em torno do Modernismo brasileiro e do Neoconcretismo.

salario-bia-martins Bia Martins. Salário, 2015 [detalhe].
Instalação vencedora do I Prêmio Reynaldo Roels Jr. no Pier Mauá, ArtRio 2015.

DO PRÊMIO

A Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage lança a segunda edição do Prêmio Reynaldo Roels Jr. em homenagem ao crítico de arte que dirigiu a instituição entre 2002 e 2006. O Prêmio é anual e destinado a ex-estudantes da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, maiores de 18 anos, que tenham frequentado os últimos quatro anos da Escola (anos letivos de 2012 a 2016), em qualquer curso. O autor do projeto vencedor receberá a importância de 20 (vinte) mil reais, para a produção de uma peça com as características de uma instalação, em local aberto à visitação pública. A cada ano, a Comissão organizadora do Prêmio Reynaldo Roels Jr. da Escola de Artes Visuais do Parque Lage elegerá um local que servirá de ponto de partida para a instalação da obra. A mudança de uma edição para outra procura estimular o desenvolvimento de pesquisas sobre um lugar que tenha especificidades históricas ou artísticas, com componentes sociais e urbanos. O Prêmio só se tornou possível graças a uma dotação anual do economista Helio Portocarrero e do advogado Nelson Eizirik.

DA PARTICIPAÇÃO

Para participar, o candidato deve enviar um projeto detalhado, além de sinalização expressa do período em que esteve matriculado na EAV e em dia com as mensalidades na hipótese de frequentar um curso pago. Todo o material deve ser entregue em formato impresso em envelope A4 na secretaria da EAV ou por representante com documento chancelado em cartório, até às 20 horas do dia 30 de novembro de 2016, podendo conter plantas baixas, desenhos e fotografias. Não serão aceitos projetos fora deste prazo em nenhuma hipótese. O montante de 20 mil reais será depositado na conta do candidato vencedor no dia 5 de dezembro de 2016. Caso a obra necessite de um valor maior para sua finalização e implantação no local, a diferença será de inteira responsabilidade do autor do projeto.

DA OBRA

O Prêmio Reynaldo Roels Jr. prevê a realização e a exposição do projeto escolhido pela Comissão. A instalação será montada no local e deverá permanecer por um período de uma semana, mesmo em se tratando de uma obra de natureza efêmera. Após a desmontagem, a obra será devolvida ao artista, que poderá livremente dispor de sua comercialização. O desenho do projeto deverá ser doado à Biblioteca/Centro de Documentação e Pesquisa e passará a pertencer à Escola de Artes Visuais do Parque Lage, que poderá remontar o trabalho sem ônus. Ficam a critério do participante todas as decisões referentes à confecção da instalação: escolha dos materiais, escala final e combinação de suportes e linguagens, podendo incluir projeção de imagens e performances sonoras. A pesquisa de informações e o pagamento de direitos autorais a terceiros são de rigorosa responsabilidade do candidato. Se a obra trabalhar com o conceito de “apropriação”, o candidato deverá informar que trata-se de uma colaboração entre vários integrantes de um coletivo ou em parceria com colegas não inscritos na EAV, mencionando cada um nominalmente na ficha técnica.

DOS OBJETIVOS

Em consonância com o universo reflexivo de Reynaldo Roels Jr., o Prêmio visa à valorização de experimentalismos artísticos para além dos lugares tradicionais. Nesse sentido, o Prêmio Reynaldo Roels Jr. da Escola de Artes Visuais do Parque Lage contempla jovens artistas interessados na linguagem da instalação em virtude de sua capacidade de questionar o ambiente onde é realizada. O termo “instalação” foi incorporado ao vocabulário das artes visuais na década de 1960, designando uma situação construída em galerias, museus ou na rua, cuja lógica é regida pela relação entre os objetos e o corpo do observador. Esse tipo de intervenção artística tem a característica de estimular o público a sair de uma atitude puramente contemplativa para adotar uma apreciação crítica do espaço que acolhe a obra de arte. Com o Prêmio Reynaldo Roels Jr., a Escola de Artes Visuais do Parque Lage amplia seu lugar de atuação para espaços extra-muros e permite que seus estudantes realizem um trabalho com escala pública. A iniciativa permite aos estudantes e ex-estudantes de arte da EAV uma inserção no tecido social e urbano do Rio de Janeiro, no momento em que a cidade se torna palco de enormes investimentos financeiros que vêm transformando sua paisagem e, consequentemente, a circulação da população.

PLANTAS

Pilotis do MAM – Corte
Pilotis do MAM – Área útil

CRONOGRAMA*

O II Prêmio Reynaldo Roels Jr. da Escola de Artes Visuais do Parque Lage foi lançado em outubro, com o Seminário Tempo e Espaço na Instalação, e será realizado em dezembro de 2016, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, na área externa, conforme especificações da planta.


30 de novembro (até às 18h) – encerramento do envio de projetos
1 e 2 de dezembro – seleção do projeto
3 de dezembro – anúncio do nome selecionado
4 a 7 de dezembro – produção da obra
8 e 9 de dezembro – montagem no Museu de Arte Moderna
10 a 18 de dezembro – inauguração da instalação no Museu de Arte Moderna

* A critério da organização do Prêmio, as datas limite podem ser prorrogadas.

DA SELEÇÃO

Para este fim, serão constituída uma Comissão de seleção (três membros) que analisará os PROJETOS enviados e escolherá o vencedor. A decisão da Comissão é soberana. A ela competem todas as discussões referentes à pertinência e singularidade da obra.
 
 
Apoio Institucional
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