Lélia A. Gonzalez, uma pensadora negra e feminista

Lélia A. Gonzalez, uma  pensadora negra e feminista

Alberto Jacob/Agência O Globo, nov.1977

Professora: Raquel Barreto

1º semestre 2019
14 de março a 27 de junho
Quinta-feira, 19:00–21:00
R$ 380,00/mês
 

Objetivos
O curso tem como objetivo apresentar e discutir a produção teórica e a trajetória de Lélia A. González. Ela foi uma antropóloga, militante do movimento negro e feminista e professora da Escola de Arte Visuais do Parque Lage, entre os anos de 1976 a 1978, onde criou, institucionalmente, o primeiro curso de Cultura Negra no Brasil.
Lélia notabilizou-se por sua produção teórica original e inovadora, que contestou os pressupostos canônicos do Pensamento Social Brasileiro e propôs outras interpretações e olhares para formação social nacional. Contribuindo para o desenvolvimento de um projeto epistêmico no qual homens e mulheres negras fossem sujeitos do conhecimento, referenciados em sua própria singularidade, história e cultura.

Conteúdo
O curso desenvolve aspectos centrais da produção teórica-autoral de Lélia, examinando suas análises sobre o racismo e as relações raciais, os diálogos com a Psicanálise de orientação lacaniana, a interpretação sobre a cultura (negra) brasileira, a gênese do feminismo negro brasileiro, a criação do conceito da amefricanidade. Além dos diálogos possíveis de estabelecer entre as reflexões de Lélia e a produção autoral de Angela Y. Davis, Beatriz Nascimento, Eduardo de Oliveira e Oliveira, Frantz Fanon, Molefi Asante, Muniz Sodré, W.E.B. Du bois.

Dinâmica
As aulas são expositivas acompanhadas de discussões, usando como recursos textos, filmes, entrevistas, documentários e músicas para estimular e diversificar os debates.

Público alvo
Qualquer pessoa interessada no tema.

Bibliografia
BAIRROS, Luiza. Lembrando Lélia Gonzalez. Revista Afro-Ásia, UFBA, nº 23, 2000. Nossos feminismos revisitados. Estudos Feministas/Dossiê Mulheres Negras, v. 3, n. 2, p. 458-463, Rio de Janeiro: IFCS/UFRJ, 1995.
BARRETO, Raquel. “Enegrecendo o Feminismo ou Feminizando a raça: Narrativas de Libertação em Angela Davis e Lélia Gonzalez”. Dissertação de Mestrado em História Social da Cultura, PUC/Rio, 2005.
GONZALEZ, Lélia. Festas populares no Brasil. Rio de Janeiro: Index, 1987.
. Primavera para as rosas negras: Lélia González, em primeira pessoa. São Paulo, UCPA, 2108.
VIANA, Elizabeth do Espírito Santo. “Relações Raciais, Gênero e movimentos sociais: o pensamento de Lélia Gonzalez 1970-1990”. Dissertação de Mestrado em História Comparada. IFCS/UFRJ, 2006.

Raquel Barreto é historiadora (UFF). Mestre em História Social da Cultura (PUC-Rio), especialista em Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais (UCAM) e em Literatura Contemporânea Hispano-americana (UNAM/México). Atualmente, cursa o Doutorado em História (UFF). Lecionou na UNAM (México) e na Universidad del Claustro de Sor Juana (México).
É pesquisadora especialista nas autoras Angela Y. Davis (1944) e Lélia Gonzalez (1935-1994) com uma dissertação defendida sobre o tema (“Enegrecendo o Feminismo ou Feminizando a raça: Narrativas de Libertação em Angela Davis e Lélia Gonzaléz). No doutorado, desenvolve uma pesquisa a respeito do Partido dos Panteras Negras (1966-1974) e as relações entre visualidade, política e poder.
Em 2017, colaborou com a exposição “Todo Poder ao Povo. Emory Douglas e os Panteras Negras” no Sesc/Pinheiros, em São Paulo. Em 2018, participou do projeto de publicação independente dos livros de Lélia González e Beatriz Nascimento produzidos pela UCPA (União dos Coletivos Pan Afrikanos). Autora de artigos publicados em revistas de circulação nacional como a Revista Cult e o Suplemento Literário de Pernambuco.