Projeto de pesquisa Hospedando Lélia Gonzalez (1935-1994)

Projeto de pesquisa Hospedando Lélia Gonzalez (1935-1994)

Colagem feita com imagem da Aline Besouro e foto da Lélia Gonzalez do Januário Garcia


Projeto de pesquisa “Hospedando Lélia Gonzalez (1935-1994)”

Março a Julho de 2019
Com encontros públicos nos dias 20/03, 17/04, 22/05, 19/06 e 10/07

Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage
Gratuito – Aberto ao público

Em 1976, Lélia Gonzalez (1935-1994) iniciou o primeiro curso de cultura negra na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O curso teve como foco a presença de artistas negros na arte brasileira e na cultura popular, trazendo questões de linguagem, religião, identidade e exclusão. Lélia Gonzalez foi antropóloga, professora de cultura Brasileira na PUC-RJ, política e defensora dos direitos humanos. Lélia era um símbolo muito importante para o movimento negro no Brasil, que publicou inúmeros artigos, dois livros, e ajudou a fundar instituições como o Movimento Negro Unificado (MNU), o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), o Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga e o Olodum.

O projeto “Hospedando Lélia Gonzalez” visa dar atenção a esta figura e seu legado, pesquisando seu trabalho e idéias em relação à história da escola e seus investimentos no presente.

“Hospedando Lélia Gonzalez” continua até julho 2019 com os seguintes componentes:
– Exposição na biblioteca com materiais da Memória Lage (acervo da escola) e o acervo da Lélia Gonzalez, e contribuições dos artistas contemporâneos Aline Besouro, Millena Lízia e Yhuri Cruz.
– Encontros mensais (nos dias 20/03, 17/04, 15/05, 12/06 e 10/07) para aprofundar a pesquisa com convidados.
– Estante com novos livros da biblioteca sobre artistas negras, com foco na mulheres e questões raciais – uma iniciativa das bibliotecárias.
– Uma pasta com linha do tempo, textos escrito pela Lélia Gonzalez, e materiais encontrados durante a pesquisa.

A escola também oferece o curso intensivo “Lélia A. Gonzalez, uma pensadora negra e feminista” da professora Raquel Barreto
nas quintas-feiras de 04 de abril a 30 de maio.

Agradecimento especial para Rubens Rufino, da Redeh (Rede de Desenvolvimento Humano), os artistas envolvidos e todos que contribuíram com o projeto.

Conheça também o programa de performances da Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa da EAV Parque Lage: “Um berro, um sussurro”.


Quatro encontro do “Hospedando Lélia Gonzalez (1935-1994)”
Quarta . 19 Junho . 19:00

Com participação de Georgia Marcinik, Maya Inbar, Obirin Odara
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

Nenhuma pessoa branca que vive hoje é responsável pela escravidão.
Mas todos os brancos vivos hoje colhem os benefícios dela, assim como todos os negros que vivem hoje têm as cicatrizes dela
– Talib Kweli, rapper americano

O quarto encontro é uma roda de conversa sobre branquitude – termo referente ao sistema hegemônico racial que coloca o sujeito branco e sua identidade racial em uma posição privilegiada, perpetuando discriminação, racismo e desigualdades sociais e de oportunidades. Os convidados Georgia Marcinik, Obirin Odara, e Maya Inbar vão falar sobre suas pesquisas sobre branquitude, pelas perspectivas da política brasileira, de subjetividade, e das possibilidades de ação. A conversa está aberta para contribuições de todos.

A vontade de fazer uma roda sobre branquitude surgiu dos encontros anteriores de “Hospedando Lélia Gonzalez”, da escuta dos convidados e o público negro falando sobre suas experiências, e o reconhecimento que a questão de raça precisa se direcionar também para as pessoas brancas que estão na maioria dentro da escola.

Georgia Grube Marcinik é psicóloga, especialista em Gênero e Sexualidade (IMS/UERJ), mestra em Psicologia Social (PPGPS/UERJ) e atualmente é Doutoranda em Psicologia Social (UERJ). É integrante e Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e Desconstrução de Gêneros (DEGENERA) e coordena o Gebra – Grupo de Estudos sobre Branquitude. Tem como temática de pesquisa a Branquitude nos movimentos feministas e seus temas de interesse são: Branquitude; Feminismos não-hegemônico; Relações étnico-raciais, de gênero e sexualidade; Processos de racialização e subjetivação de pessoas brancas.

Maya Inbar é educadora, artista visual, ativista, amante do corpo integral, e busca cada vez mais contracolonizar seu estar no mundo. Sua prática artística tem se voltado à micropolítica das relações e às interseções entre gênero, intimidade e economia. Como docente de arte, busca enfatizar as relações étnico-raciais e a importância da escuta. Principais exposições: NPA Bienal de estudantes (Itália), After Cinema (Israel), The State of Origin (Canadá), e Boom Bang II (Inglaterra). Possui formação em Desenho Industrial, Artes Visuais e educação e cursou o mestrado (MFA) em Artes visuais na Goldsmiths College, Londres.

Obirin Odara é bacharel em serviço social e Mestranda em politica social pela Universidade de Brasília e coordena o Grupo de Estudos sobre Branquitude – GeBra. Na graduação iniciou o estudo sobre o lugar do branco nas relações raciais no Brasil, afim de disputar a narrativa marxista sobre a desigualdade social e a conformação das estruturas que constituem a sociedade brasileira. No mestrado, preocupou-se em elucidar o Estado enquanto ente de extrema relevância na produção e reprodução dos pressupostos coloniais. Para isso, lança mão do conceito dispositivo de colonialidade, por ela cunhado, de tal modo que este dê subsídios para se pensar a relação entre branquitude e o Estado brasileiro na produção de morte e vida da população negra.


Terceiro encontro do “Hospedando Lélia Gonzalez (1935-1994)”
Quarta . 22 Maio . 19:00

Com participação de Aline Besouro, Max Willa Morais, Millena Lízia e Yhuri Cruz
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

O terceiro encontro é uma roda de conversa com os três artistas que contribuíram para o exposição do “Hospedando Lélia Gonzalez” na biblioteca. Aline Besouro, Millena Lízia e Yhuri Cruz fizeram trabalhos que estão em diálogo com o legado da Lélia Gonzalez ou com a presença negra na EAV. Nessa noite, eles vão elaborar sobre esses trabalhos específicas em relação de suas práticas artísticas.

Max Willa Morais realizará um performance “Servir nada” as 13:00 (Pátio do Parque Lage) e 18:00 (Biblioteca).

Aline Besouro é instrutora de Kundalini Yoga (3HO) e mestranda em Processos Artísticos Contemporâneos (PPGARTES/UERJ). Formada em História de Arte (UERJ), atua desde 2010 como figurinista em produções teatrais e cinematográficas. Em sua pesquisa destaca-se o interesse em historiografia e na conexão com alguém e a possibilidade de narrar alguma coisa.

Max Willa Morais (1993). Pessoa graduada em Artes Visuais/ UERJ (2016) e Especialização em Educação das Relações Étnico-raciais (EREREBÁ, 2019-2020). Participou recentemente da Residência Despina (2019) com Daniel Santiso e publicou com sua tia Gracilene Guarani Capítulo 1, da série anotações para um livro, na coletânea Narrativas da experiência negra (org. Maria Gilda, 2019). É colaboradora do Instituto Maria e João Aleixo em Pesquisa, Educação e Culturas em Periferias (2018-2019). Em 2018, realizou com Daniel Santiso “A poeira não quer sair do Esqueleto”, documentário experimental exibido no Brasil, Uruguai, Sibéria, Emirados Árabes e Índia entre outros lugares. Seus trabalhos investigam histórias em acervos públicos, situações geográficas e relações materiais/imateriais com pessoas e objetos.

Millena Lízia é uma pessoa vivendo este mundo em busca de uma caminhada com dignidade e saúdes. Busca as simplicidades, pois as coisas mais banais lhe chegam com camadas de desafios e complexidades. É artista contemporânea-ancestral, que assim vem se organizando desde as agitações diaspóricas das experiências pictóricas-epidérmicacs vividas – apenas mais uma forma possível de apresentação.

Yhuri Cruz, 27, artista visual e escritor, graduado em Ciência Política, Rio de Janeiro.
Desenvolve sua prática artística a partir de configurações poéticas entre o fantasmagórico e o real, buscando dar conta do que denomina memórias subterrâneas e da necropolítica como plano neocolonial. Tomando essas memórias como assombrações, sua produção escultórica recente se materializa numa fusão de pedras e gravuras. Outras pesquisas de caráter mais instalativo tendem a se relacionar com monumentos, presenças afrodiaspóricas, memoriais e informações silenciadas.


Segundo encontro do “Hospedando Lélia Gonzalez (1935-1994)”
Quarta . 17 Abril . 19:00

Com participação de Aline Valentim
Aberto ao público
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

Nesse encontro, entramos na pesquisa por uma discussão coletiva de um dos textos mais conhecidos de Gonzalez, “Racismo e Sexismo na cultura brasileira”, originalmente palestra do 1980. Os participantes são convidados a ler o texto antecipadamente e trazer comentários e pensamentos para contribuir para uma conversa aberta. Após a discussão, haverá uma breve introdução à dança afro-brasileira, liderada por Aline Valentim, que trará exercícios simples em grupo.

Este encontro combina uma abordagem discursiva e corpórea para explorar o legado de Lélia Gonzalez, ex-professora do Parque Lage que ministrou um curso de cultura negra e também introduziu diversas iniciativas para a escola como capoeira, dança afro-brasileira e apresentações de candomblé.

Aline Valentim
é referência em dança afro-brasileira e danças populares (Maracatu, Coco, Ciranda, Afoxé, Jongo…) com 20 anos de experiência no grupo Rio Maracatu e a 12 anos com sua Cia de Dança Afro, Babalakina. Ela se aproximou desses danças em busca de maior vínculo com expressões da cultura negra, ao qual ela também leva uma carga política.

Lista de leitura:
Lélia Gonzalez,“Racismo e Sexismo na cultura brasileira”, 1980.
Lélia Gonzalez, “Lélia fala da Lélia”, 1994. (Um introdução para quem quer saber mais sobre sua trajetória).


Abertura do “Hospedando Lélia Gonzalez (1935-1994)”
Quarta . 20 Março . 19:00

Com participação de Raquel Barreto e Ana Maria Felippe
Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa, EAV Parque Lage

Roda de conversa para abrir o projeto “Hospedando”, com contribuições de Raquel Barreto (professora do curso “Lélia A. Gonzalez, uma pensadora negra e feminista” na EAV Parque Lage) Ana Maria Felippe (filósofa e amiga da Lélia Gonzalez), Tanja Baudoin (curadora da biblioteca da EAV), Rubia da Silva (bibliotecária da EAV) e Ulisses Carrilho (curador do EAV).

Em 1976, Lélia Gonzalez (1935-1994) iniciou o primeiro curso de cultura negra na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O projeto “Hospedando Lélia Gonzalez” propõe “hospedar” a Lélia Gonzalez em nosso meio durante o primeiro semestre de 2019, durante a pesquisa está compartilhada e contribuída pelos bibliotecárias, alunos, o público, etc. O foco do programa está em aproximar-se de pesquisas e idéias da Lélia Gonzalez, e em pensar sobre seu legado em relação às lutas atuais.

A apresentação dentro da biblioteca inclui materiais arquivísticos, livros sobre assuntos raciais, e contribuições dos artistas contemporâneos Aline Besouro, Millena Lízia e Yhuri Cruz.