Processos Criativos e Mediações em Arte e Tecnologia

Processos Criativos e Mediações em Arte e Tecnologia

Professores: Magno Caliman e convidados

1º semestre
23 de fevereiro a 15 de junho,
Sexta-feira, 19:00–22:00
R$ 380,00/mês
   

Nesse curso, o professor da EAV Magno Caliman convida sete profissionais de diversas áreas para propor diferentes olhares e reflexões sobre o processo criativo que se dá na interseção entre arte e tecnologia, onde dispositivos tecnológicos são cooptados pelo artista enquanto mediadores do fazer artístico.

Seria o ato de usar, subverter e ressignificar aparelhos técnicos uma característica exclusiva da arte contemporânea? Ao programar um software que gera seus trabalhos de maneira autômata, o artista se torna menos autor? Qual o peso político-ambiental-poético da escolha por uma tecnologia "de ponta" em detrimento de um dispositivo "obsoleto"? Ao se valer de novas mídias que possuem sua existência condicionada a uma lógica de mercado, que desafios se apresentam para os processos de curadoria, exibição e conservação de arte contemporânea?

Essas são algumas questões, dentre tantas outras, que se colocam quando tecnologias (sejam "novas" ou "velhas") são incorporadas ao processo criativo. Nesse sentido, o curso se propõe a pensar a relação entre arte e tecnologia dentro de um contexto multidisciplinar, dando ao aluno a oportunidade de olhar um mesmo objeto, refletir uma mesma questão germinadora, a partir de diversas óticas, com discussões que passarão por áreas como filosofia da arte, programação, curadoria, novas mídias, interatividade e política – possibilitadas pelas diferentes especialidades dos professores convidados.

O curso possui duração de 16 aulas, onde cada um dos oito professores será responsável por dois encontros. Ressaltamos que não se trata de um ciclo de palestras, mas sim um curso contínuo, onde haverá uma troca constante entre as discussões propostas em diferentes aulas.

Professores

Magno Caliman, Professor no NAT – Núcleo de Arte e Tecnologia da EAV
Ao longo de dois encontros discutiremos a noção de creative coding: a utilização de linguagens de programação enquanto dispositivos capazes de viabilizar um fazer artístico. Através da apresentação tanto de trabalhos que de algum modo se valem de ferramentas computacionais no seu processo de feitura, quanto das técnicas e softwares utilizados, discutiremos como o código pode se manifestar enquanto lugar de pensamento dentro de um processo criativo. Em especial, discutiremos como a prática e técnica do "artista-programador" difere daquela do programador que não vê no fazer artístico sua atividade fim, e como a programação – no contexto das artes – por muitas vezes possui uma natureza da ordem da especulação experimental.

André Damião
Resistência e Crítica | Durante as aulas apresentaremos práticas e discussões de arte sonora que exploram diferentes tipos de discurso tecnológico e [que] poderiam exercer papel crítico na sociedade. Tendo em vista que esse é um tópico amplo, basearemos os encontros apenas em práticas de experimentação sonora que não dependem exclusivamente de dispositivos ligados aos monopólios do mercado para sua produção e veiculação. Para isso propomos uma reflexão sobre questões de fidelidade sonora, através de uma defesa dos sons e dispositivos precários. O proletariado da reprodução sonora, aqueles que compõem a paisagem sonora eletrônica de baixa fidelidade do nosso cotidiano.

Alexandre Fenerich, Professor no IVL – Instituto Villa-Lobos da UNIRIO

Giuliano Obici, Professor no Departamento de Arte da UFF
Processos de experimentação com sucata tecnológica, "tecnologia sem pontas". Recriação de Salvage, de Nicolas Collins, a partir de circuitos mortos "ressuscitados" ao serem acoplados a mini-sintetizadores feitos a partir do transistor 74C14 (ver http://www.nicolascollins.com/texts/salvagescore.pdf). Circuit-bending em rádios, brinquedos eletrônicos e outros dispositivos portáteis trazidos pelos participantes. Experimentação com vitrolas (preparação de discos, uso dos captadores de vitrola para outras superfícies, etc). Improvisações malucas com essas tralhas todas. Uso de repertório encontrado para remixar (cds, fitas k-7 antigas, etc, etc, etc).

Aline Curi, Professora na EBA – Escola de Belas Artes da UFRJ
– História das relações entre arte e tecnologia;
– Input/output: obras que exploram processos de tradução entre imagem e som (e vice versa) passam pela etapa "informação". É essa informação, vinda de um som ou de imagem, que serve de input para uma tradução (ou transdução).
– Loop: tecnologia e repetição na arte.

J-p Caron, Professor no IFCS – Instituto de Filosofia de Ciências Sociais da UFRJ
Gilbert Simondon, no capítulo final de seu O modo de existência dos objetos técnicos oferece uma reflexão sobre o pensamento técnico e o pensamento filosófico. Nossa intenção é aqui oferecer um terceiro vértice, formando uma tríade entre pensamento técnico, filosófico, e artístico, de tal forma a suturar as condições da produção artística não apenas a um vetor de exploração da técnica disponível, mas a um modo de acesso potencial aos diversos modos de existência técnicos, sociais, científicos. Este modo de acesso equivale a uma tomada de consciência das condições de constituição destes modos, inclusive o artístico e da produção de obras que problematizam a sua própria constituição. Longe, portanto, de uma rígida tripartição à maneira do O que é a filosofia? de Deleuze e Guattari, onde arte, ciência e filosofia possuem objetos segregados, pretendo fazer uso do conceito de sutura de Alain Badiou de forma a oferecer modos de consequência entre as diversas formas do fazer, ato contínuo, oferecendo uma introdução ao pensamento sobre a técnica de Simondon e outros, como Wilfrid Sellars, em conexão com o fazer artístico.

Lia Carreira | Pesquisadora no ZKM – Zentrum für Kunst und Medientechnologie de Karlsruhe – Alemanha
Estudo de processos e estratégias de curadoria para novas mídias, abordando as principais questões relacionadas à exposição e preservação de obras dentro do campo de arte e tecnologia. Inclusos nesses processos estão questões de documentação, arquivo, conservação, apresentação e mediação, com foco em obras digitais e interativas.

Mayana Redin | Artista visual e doutoranda pelo PPGAV-EBA-UFRJ
Meio, transmissão, desvio – Pensando em intermídia, a aula pretende abordar experimentos de artistas que se inserem em circuitos tecnológicos e ideológicos, tendo como mediadores desses circuitos televisão, radio, vídeo e outros aparatos técnicos e midiáticos.

Rita Wu
A história, a partir de sua ciclicidade, caminha novamente para cenários de grande conservadorismo. Diante dos fatos, onde muitas ideologias perdem sentido, o corpo passa a ser instrumento fundamental para entender tempos de crise. Este módulo pretende introduzir o corpo como plataforma para arte, na qual as tecnologias diversas são acopladas para dar maior potência a ele. A partir de referências teóricas e práticas, percorreremos diferentes formas de produzir e performar corpos, sempre políticos.