O Fetichismo e outros modos de gozo

O Fetichismo e outros modos de gozo

“Self deceit 1” (1978) – Foto: Francesca Woodman

Professor: Guilherme Gutman
07 de agosto a 18 de dezembro
Segunda-feira, 19:30–22:00
R$ 380,00/mês

Há, segundo Freud, naquela estruturação psíquica que a psicanálise convencionou chamar neurose, um momento em que somos cortados na carne. Este corte é dado pela notícia, que nos chega pelo “Pai” – ou por qualquer outra figura ou situação – de que há algo que mobiliza o desejo da “mãe” e que não está em nós.

A miséria neurótica consiste exatamente em perseguir este elemento que, porque nos falta, passa a mobilizar o nosso próprio desejo em direção a pessoas, lugares, objetos ou ações.

É também a neurose que nos “ensina” os modos de obtenção de prazer libidinal, inscrevendo em nós mesmos aquilo que seria lícito daquilo que nos seria vedado enquanto possibilidade de gozo.

Há, contudo, uma outra forma de organização subjetiva, que resulta em um outro modo de gozo, que não se limita às práticas eróticas mais convencionais. Neste caso, o erotismo não se concentra sobre zonas erógenas demarcadas em nosso corpo, mas permite que o gozo deslize segundo outras premências libidinais.

De que maneira este outro modo de gozo – e o fetichismo, em particular – atravessam o processo de criação e de relação com a arte? Esta e outras perguntas orientarão a nossa pesquisa deste semestre.

Objetivos
– Investigar como o conceito de “fetichismo” atravessa o pensamento curatorial.
– Estudar o modo de penetração do fetiche na cultura, em especial o chamado “fetiche de commodities” e o conceito de fetiche no corpus teórico freudiano.
– Buscar o delineamento do fetichismo na produção em arte e na moda.
– Acompanhar o percurso de Georges Bataille, inicialmente associado ao grupo dos surrealistas para, na sequencia, encontrar o sua própria contribuição sobre o tema em questão.
– Estudo de algumas exposições-chave.

Dinâmica
– Aulas expositivas;
– Seminários de alunos;
– Conversa com artistas, no Parque Lage ou em seus ateliês, cujo trabalho seja condizente com o tema do curso.

Bibliografia
BATAILLE, Georges. História do Olho, São Paulo: Cosac, 2012.
______. O Erotismo, Belo Horizonte: Autêntica, 2014.
DIDI-HUBERMAN, Georges.A Semelhança Informe: ou o gaio saber visual segundo Georges Bataille. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.
______. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Editora 34, 2010.
FOSTER, Hal. O retorno do real. São Paulo: Cosac & Naify, 2014.
FREUD, Sigmund. Fetichismo (1927). São Paulo: Imago, 2007.
LACAN, J. O seminário: livro 4: a relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
LACAN, J. “A significação do falo” emEscritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

Guilherme Gutman
Psicanalista, professor de psicologia da PUC-Rio, curador independente e crítico de arte. Médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ, vem desenvolvendo uma investigação e um modelo de pensamento que articulam arte, psicanálise e filosofia. É autor de inúmeros artigos, capítulos de livros e do livro William James & Henry James: filosofia, literatura e vida (Subversos).