Obra em progresso: fazendo livros de fotos

Obra em progresso: fazendo livros de fotos

Imagem: Riocities

Professor: Rony Maltz

1º semestre 2019
11 de março a 24 de junho
Segunda-feira, 19:00 – 22:00
R$ 450,00/mês
*Inclui papel, tinta e materiais para impressão e acabamento dos livros feitos conjuntamente ao longo do curso.

Diante do volume de imagens produzidas e postas em circulação diariamente, já na década de 70, críticos como Susan Sontag alertavam contra a banalização dos efeitos da fotografia. No espaço de uma geração, esse dilema se tornou provinciano. Apenas no último ano, foram postadas na rede mais imagens digitais do que a totalidade das fotografias analógicas produzidas em 180 anos de história. A imagem incorpórea, desmaterializada, tornou-se a forma dominante de representação e mediação do mundo.

Pensadores contemporâneos como Jonathan Crary e Hans Ulrich Gumbrecht argumentam que a oferta infinita de atrações e solicitações e a homogeneização e aceleração dessa oferta funcionam como incapacitantes da experiência visual. Permanentemente atarefados e nunca desligados (ainda que no modo silencioso), estaríamos perdendo nossa capacidade de devanear, de sonhar acordados. É nesse contexto que ressurge o termo “fotolivro”, na virada do século, na esteira da revolução digital. As imagens já não se conformam a análises individualizadas, devem ser entendidas como integrantes de um conjunto em que “o todo é mais do que a soma de suas partes”. Com seu apelo aos sentidos, colocando o corpo do observador no centro da experiência estética, essas obras seriam produtos de (e respostas a) um presente em que a imagem resiste a se fixar e nossas experiências estão submetidas a demandas e temporalidades cada vez mais impossíveis.

Sinopse
O mote principal do curso é pensar no fazer fazendo. Ou seja: mão na massa, com produção intensiva de obras impressas. Não se trata de focar na prática ao invés da teoria, e sim de questionar a própria dicotomia pensar/fazer. Devemos reconhecer que há uma inteligência no fazer artístico que não pode ser traduzida em palavras; a única forma de acessar esses saberes é por meio da própria atividade criativa. Ao realizar uma obra, permitimos que nossas ideias existam fora de nós, materializadas, e então podemos faze-las circular, ver como reverberam nos outros, analisa-las com maior distanciamento. O livro como objeto de auto-conhecimento, como estúdio ambulante, como espaço expositivo. Fazer, refletir, fazer o próximo. Por meio da análise de fotolivros, exercícios práticos e experiências diversas com o formato impresso, o curso destrincha um repertório de técnicas e estratégias em que livro é tratado não apenas como suporte, mas como a própria materialidade da obra fotográfica. As aulas exploram ao máximo o Parque Lage e as instalações da EAV, percorrendo diversos espaços além da sala de aula: o laboratório digital, os ateliês, a biblioteca, os arquivos, a floresta. A cada 2 encontros, a turma vai produzir um livro coletivamente, do conceito à página impressa, passando pela edição e diagramação (no InDesign).

Bibliografia
• CRARY, Jonathan. 24/7: capitalismo tardio e os fins do sono.
• GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de Presença.
• LOCKERMANN, Bettina. “A Phenomenological Approach to the Photobook”. In: Imprint. Visual Narratives in Books and Beyond, Art and Theory Publishing, 2013.
• DUBOIS, Philippe. Trace-Image to Fiction-Image: The Unfolding of Theories of Photography from the ’80s to the Present. In: October, Massachusetts, no 158, p.155-166, Dezembro, 2016.

Artigos online
• BADGER, Gerry. Porque fotolivros são importantes. Revista Zum, 2015. revistazum.com.br
• ENTLER, Ronaldo. Sobre fantasmas e nomenclaturas [parte 3]: fotolivros. Icônica, 2015. iconica.com.br
• LAMPERT, Letícia. Fotolivro ou livro de artista? Eis a questão. Dobras Visuais, 2015. dobrasvisuais.com.br
• MALTZ, Rony. Zines e fotografia: uma história de resistência em tempos digitais. Revista Zum, 2018. revistazum.com.br

Rony Maltz , Rio de Janeiro, 1983,
é artista visual e professor, doutorando em Linguagens Visuais pela EBA/UFRJ e Mestre em Fotografia pelo ICP-Bard College. Seu livro Riocities foi selecionado no Fotobookfestival Kassel Awards, da Alemanha, e no 10×10 AWAKE, dos EUA. Teve obras expostas no DUMBO Arts Festival, International Center of Photography e MoMA P.S.1, em Nova York; e no Centro Cultural Sérgio Porto, Centro Cultural dos Correios e Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro. Produtor da Feira URCA de Fotolivros e curador das exposições O Erro, a Rua e Livros Possíveis, no Ateliê da Imagem. Editor independente pela {Lp} press: lppress.org