Projeto de Pesquisa: Paulo Freire, Arte Contemporânea e Educação

Projeto de Pesquisa: Paulo Freire, Arte Contemporânea e Educação

Jonathas de Andrade. Educação para adultos, 2010

Coordenação: Gleyce Kelly Heitor, Maria Clara Boing e Natália Nichols
Projeto de Pesquisa 2019
01 de abril a 10 de junho
Segunda-feira, 19:00–22:00
Gratuito – Aberto ao público
Sujeito a lotação (chegar 30 min antes do evento)

Apresentação e Objetivos
O grupo de estudos “Paulo Freire, Arte Contemporânea e Educação: influências e traduções” pretende dar lugar a um processo contínuo de investigação sobre o legado político e pedagógico de Paulo Freire nas práticas de educadores, artistas e curadores na contemporaneidade.

Tem como objetivo a leitura dirigida e o debate de textos fundamentais, com a finalidade de mapear como as dimensões políticas e poéticas do pensamento do autor são a base para um conjunto de trabalhos e reflexões, produzidos nas intersecções entre arte e educação no Brasil e no mundo.

Como o pensamento de Paulo Freire vem sendo apropriado e atualizado pelo campo da arte contemporânea?

Nos interessa, neste projeto, olhar de forma mais aprofundada para aquilo que chamamos de influências – que é o uso e apropriação que esses agentes do campo da arte fazem desse pensamento. Como Paulo Freire é mobilizado e corrobora com as produções em arte e curadoria. E as traduções, que é olhar para como esse pensamento é ressignificado, de acordo com diferentes contextos e temporalidades, produzindo novos métodos e modos de pensar e criar, com base na pedagogia crítica.
Acreditamos ainda que seja relevante questionar em que medida, ter artistas e curadores trabalhando com Paulo Freire, significa o estreitamento dos laços entre arte e educação? Se a educação também vem dialogando com as práticas artísticas, a partir das perspectivas oferecidas pela pedagogia crítica? Nesse sentido, é objetivo deste grupo reunir pessoas interessadas em estudar e debater de forma mais ampla um panorama de manifestações atuais (curadorias, exposições, etc.) e a produção de artistas contemporâneos que declaram e tomam partido da educação como seu fazer e da pedagogia de Paulo Freire como sua base.

Dinâmica
Leituras dirigidas e debates coletivos, autogeridos, a partir de dois eixos, que serão intercalados ao longo do programa:
Paulo Freire – Pedagogia e pensamento social
Momento no qual o grupo vai lidar com as obras do autor, como embasamento para as demais leituras e debates. Vamos também debater e historicizar seu legado, de forma atenta aos momentos onde as relações entre arte e educação estejam enfatizadas.

Atualidade de Paulo Freire na Relação entre Arte Contemporânea e Educação
Vamos trabalhar especificamente com o lugar do pensamento de Paulo Freire na Arte Contemporânea, em diferentes formas e estruturas educacionais; métodos e programas pedagógicos alternativos que surgiram na – ou como – curadoria e práticas artísticas. Vamos olhar para artistas e curadores que lidam, no desenvolvimento de seus projetos, com essa perspectiva.

Cronograma de Encontros Públicos
01/04 – Anos 1970 na América Latina: contexto político, desenvolvimentismo e a questão da participação na arte.
Debate do texto: FREIRE, Paulo. Ação Cultural para Liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1981.
Debatedores: Rosemeri Maria da Conceição, Natalia Nichols, Érika Lemos Pereira

15/04 – Círculos de Cultura, Movimento de Cultura Popular e Extensionismo.
Debate do texto: FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? Trad. Rosisca Darcy de Oliveira. ed. 13. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006.
Debatedores: Gleyce Kelly Heitor, Guilherme Dias, Luana Moura

29/04 – Arte e Educação como Método.
Debate do texto: FREIRE, Paulo. Educadores são políticos e artistas (1978). In: HONORATO, Cayo; MORAES, Diogo de. Periódico Permanente #6 – Mediação Cultural. Periódico Permanente, v. 4, n. 6, 2016.
Debatedores: Cintia Ricardo, Beá Meira, Luana Vieira

13/05 – Virada Educacional na Arte: o que é, seu contexto e influências do pensamento de Paulo Freire.
Debate do texto: FINKELPEARL, Tom. Entrevista – Paulo Freire: uma discussão sobre o diálogo. In: HELGUERA, Pablo (Org.). Caderno de Mediação – 8a Bienal do Mercosul. Tradução de Camila Pasquetti, Clara Meirelles, Gabriela Petit, Mônica Hoff e Natália Lucas. Porto Alegre: Fundação Bienal do Mercosul, 2011.
Debatedores: Maria Clara Boing e Bruna Camargos

27/05 – Virada Educacional na Arte: Estudos de casos.
Debate sobre práticas artísticas e curatoriais que mobilizam a educação como método, plataforma, tema ou questão.
Debate do texto: BISHOP, Claire. Pedagogic Projects: How do you bring a classroom to life as if it were a work of art. Disponível em: BISHOP, Claire. Artificial Hells: Participatory Art and the Politics of Spectatorship. London – New York: Verso, 2012. pp. 241-274.
Debatedores: Ulisses Carrilho e Natalia Nichols

10/06 – Virada Educacional na Arte: Estudos de casos.
Debate sobre práticas artísticas e curatoriais que mobilizam a educação como método, plataforma, tema ou questão.
Debatedores: todos os integrantes do grupo de pesquisa.

Integrantes do Grupo de Pesquisa
Beá Meira
Professora, artista e autora de livros didáticos para disciplina de Arte, voltadas para o Ensino Fundamental II e para o Ensino Médio; tais como Projeto Mosaico Arte, 2016 e Percursos da Arte, 2018 para o PNLD. Estudou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Foi professora de Arte em escolas particulares de Ensino Médio, em São Paulo, Professora assistente na Faculdade de Arquitetura da Universidade Católica de Santos e na Faculdade de Multimeios da PUC – SP. Foi coordenadora pedagógica da Universidade das Quebradas-UFRJ e tem trabalhado com formação de professores de Arte em todo o país na última década.

Bruna Camargos
Historiadora, educadora e pesquisadora. Graduada em História (UERJ), pós-graduada em Relações Internacionais (Ibmec), mestre em História Social da Cultura (PUC-Rio). Tem experiência em movimentos sociais e mediação cultural, na interface entre educação, museu, cidade e território. Atualmente é educadora de projetos no Museu de Arte do Rio, frente ao Programa Vizinhos do MAR e colabora na coordenação pedagógica da Universidade das Quebradas. Suas principais linhas de pesquisa incluem: História Social da Cultura, com ênfase em educação e cultura na América Latina; política cultural; democratização, democracia cultural, processos e práticas pedagógicas decoloniais.

Cíntia Mª Ricardo
Graduanda em pedagogia (FEUFF). Iniciou como educadora em 2015 no Centro de Artes UFF e desde 2016 atua no CCBB -RJ. Formada na E.T. Teatro Martins Pena (2006) participou como atriz em diferentes espetáculos, filmes e performances. Colaborou com o grupo de pesquisa Teatro Crítico e Educação durante o ano de 2016. Em 2019 participou do Curso de Mediadores do Museu de Arte do Rio (MAR). Atualmente investiga sobre infâncias e as práticas pedagógicas desenvolvidas em Centros Culturais e exposições. Utiliza como dispositivo para suas práticas de mediação o corpo, a literatura, a contação de histórias e a palhaçaria.

Érika Lemos Pereira
Historiadora da Arte (EBA/UFRJ), educadora social em museus e centros culturais e em pré-vestibulares comunitários/populares/sociais e pesquisadora.
Tem experiência nas relações dialógicas com públicos de museus e centros culturais de arte e no ensino decolonial das artes visuais.
Pesquisa temas transversais a prática da arte e educação, como democratização e democracia cultural, produção de memória, interação e participação em contextos expositivos.
Atualmente é educadora do Galpão Bela Maré e do Pré-Vestibular Popular Bosque dos Caboclos.

Gleyce Kelly Heitor
Educadora e pesquisadora. Tem licenciatura em História (UFPE), mestrado em Museologia e Patrimônio (Unirio-Mast) e experiência com projetos de mediação cultural, educação e programas públicos em museus, exposições e demais instituições de arte. Atualmente é Coordenadora de Ensino da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Foi professora substituta do Bacharelado em Museologia da Universidade Federal de Goiás (UFG/2017 – 2018), atuando nas disciplinas de educação em museus, patrimônio, legislação e ética, concepção e montagem de exposições, gestão de museus e museologia social.
Dentre suas recentes experiências em museus e instituições culturais destacam-se: sua atuação como coordenadora pedagógica do Programa CCBB Educativo Arte e Educação – 2018, realizado pelo JA.CA Centro de Arte e Tecnologia, onde trabalhou na elaboração do programa pedagógico, na implementação, formação e acompanhamento das equipes de educação (RJ, SP, DF e BH) e no desenvolvimento de materiais pedagógicos; seu trabalho como parte da equipe de implementação da Escola do Olhar – Museu de Arte do Rio, onde foi assessora e coordenadora pedagógica (2012-2017) frente aos projetos Escola e Museus, Acessibilidade e Inclusão, Ações Educativas e Formação Continuada de Equipes. Além de ter sido contemplada, em 2016, com a bolsa de qualificação profissional da CAPES para o Intercâmbio Acadêmico IBRAM – Escola do Louvre, oferecida pelo Instituto Brasileiro de Museus, que viabilizou um período de estudos e estágio, respectivamente na Escola do Louvre e na Diretoria de Mediação e Programação Cultural do Museu do Louvre (2016), onde desenvolveu pesquisas sobre metodologias e referências em mediação cultural na América Latina. Estão entre os seus principais temas de pesquisa: as relações entre os museus, a arte contemporânea e a educação; as interfaces entre a museologia e o pensamento social brasileiro e as relações entre os museus e os movimentos sociais.

Guilherme Dias
Educador do Museu de Arte do Rio desde 2015, licenciado em História pela Universidade Federal Fluminense, pesquisa o ensino de História, fotografia, arte e cultura visual. Barramansense não praticante.

Luana Moura
Psicóloga pela UFPa (Belém, 2013), tem mestrado em Psicologia Clínica pela PUC-Rio (2018), é especialista em Saúde de Crianças e Adolescentes Cronicamente Adoecidos pelo IFF/Fiocruz (2016) e tem formação técnica em teatro pela ETDUFPa (2009). Atua como assistente de supervisão de ensino do parquinho lage e como psicóloga da ONG Casa da Árvore. Além disso, faz parte do coletivo Escutadores, coordena um projeto voluntário de música no IFF/Fiocruz, é poeta e fotógrafa.

Luana Vieira Gonçalves
Artista educadora, formada em Artes visuais pela UNICAMP (Campinas, 2009), fez o master em Arte Contemporânea pela Université Paris VIII (Paris, 2014). Foi educadora na Galerie des enfants no Centre Georges Pompidou (2010-2014, Paris). Coordenou um intercâmbio entre crianças togolesas e brasileiras (2015, Togo). Trabalhou como educadora no projeto Casa Guadalupana, Instituto Padre Haroldo (Campinas, 2009) e no projeto Curumim, SESC-SP (São Paulo, 2016). É supervisora do Parquinho Lage onde é professora. Atua como professora de artes no Instituto Pró-Saber e integra o coletivo Desenhação.

Maria Clara Boing
Graduada em Cinema (PUC-Rio) e mestre em Educação (PROPED-UERJ). Educadora com experiência em museus de arte e centros culturais, e pesquisadora na área de Educação, se envolvendo com temas como cotidianos, práticas museais e formação de educadores de museus. Se interessa pelos usos dos públicos nos museus, aproximações entre processos pedagógicos e processos artísticos e a educação praticada nos/dos/com os cotidianos. Atuou como Educadora de Projetos, nas interfaces entre escolas e museu pelos programas de Visitas Educativas e Formação com Professores da Escola do Olhar no Museu de Arte do Rio, de 2013 a 2018. Atualmente, é Educadora Coordenadora na equipe da JA.CA, responsável pelo Programa CCBB Educativo Arte & Educação, no Rio de Janeiro.

Natália Nichols
Historiadora da arte (UERJ), educadora e pesquisadora. Com experiências nas relações com públicos de museus de arte e centros culturais, investiga a dimensão pública da arte e das instituições, com ênfase na criação e construção crítica junto ao espectador. Pesquisa e atua nas interseções entre práticas artísticas, educação e crítica de arte na promoção da democracia cultural. Atualmente é Educadora de Projetos no Museu de Arte do Rio onde trabalha desde de 2013, desenvolvendo e realizando programações de atividades e cursos e atuando na formação da equipe.

Rosemeri Maria da Conceição
Historiadora e Educadora. Mestre em História Social- USP com Dissertação sobre Histórias de vidas de escravizados e libertos em Salvador do século XVIII sob a orientação da Profa. Dra. Laura de Mello e Souza.
Suas pesquisas versam sobre a História da África e do Brasil Afrodescendente em especial sobre o papel das Estéticas negras na construção da cidadania e as tessituras da Democracia Racial.
Há alguns anos se dedica à pesquisa de temas voltados para o Patrimônio Cultural Imaterial. Foi bolsista da Ford Foundation, em projeto sobre as religiões de matrizes africanas, atuou na coleta de depoimentos para a série Memória das Matrizes do samba no Rio de Janeiro (Museu do Samba/IPHAN) e Parecerista do Ministério da Cultura em projetos sobre a Cultura afro-brasileira.
Foi Docente e Coordenadora Acadêmica no Projeto A Cor da Cultura (2010-2015) e desde então organiza Cursos e Oficinas para professores sobre temas voltados à Diversidade.
Lecionou nos cursos de História e Educação da UERJ (2012-2015) e no Curso de Formação de Gestores Públicos e Agentes Culturais do Cecierj/Minc. Atualmente está à frente da Disciplina Educação e Relações Étnicorraciais na escola na UFRRJ.

Ulisses Carrilho
É curador da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e ex-aluno da mesma escola. Pós-graduado em Economia da Cultura (UFRGS), estudou Comunicação Social (PUCRS) e Letras – Português/Francês (UFRGS) e pós-graduação em Economia da Cultura (UFRGS). Como aluno da Escola, ganhou bolsa-residência para desenvolvimento de projeto no Lugar a Dudas (Cali, Colômbia) onde realizou a mostra “Aquí mis crímenes no serian de amor”. Iniciou sua trajetória como assistente de direção do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul.
Integrou a equipe de relacionamento institucional da Fundação Bienal do Mercosul (Porto Alegre) e da galeria Rolando Anselmi (Berlim, Alemanha). Na equipe da curadora Luiza Proença, editou as publicações da 9ª Bienal do Mercosul. Contribuiu com textos para o catálogo da 32ª Bienal de São Paulo, além de revistas e periódicos de arte.
Sua pesquisa no âmbito da intersecção das artes e da educação mira contranarrativas, críticas à lógica de produção do capitalismo cognitivo. Interessa-se por manifestações de insubordinação, desobediência e indisciplina e uma pesquisa da intimidade como dispositivo pedagógico. Em 2017, participou da residência Intervalo-Escola, em torno de uma escola de floresta na Floresta Amazônica (Rio Tupana e Igapó-Açu). Desde 2015 trabalha na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com Lisette Lagnado, como assistente de direção e curador assistente. Em 2018, assumiu a curadoria de Ensino e Programa Público da escola. Vive no Rio de Janeiro.