História

O Parque Lage está ligado à memória de nossa cidade. Antigo engenho de açúcar na época do Brasil Colonial, suas terras se estendiam até as margens da lagoa, (atual Rodrigo de Freitas), conhecida na época pelos índios como de Sacopenapã – lagoa de raízes chatas, em Tupi-Guarani. O Engenho Del Rey pertencia a Antonio Salema, governador do Rio de Janeiro no século XVI.

Após 1660, passou a pertencer à família Rodrigo de Freitas Mello. Em meados do século XIX, um nobre inglês compra parte das terras, e contrata em 1840 o paisagista inglês John Tyndale para projetar um jardim de estilo romântico, nos moldes das quintas européias.

Em 1859, parte da fazenda passa a ser propriedade de Antonio Martins Lage.

Os anos se passam, a chácara vai parar em outras mãos, mas, em 1920, um neto de Antonio Martins Lage, o empresário Henrique Lage, a compra.

Amante das artes, Henrique Lage apaixona-se e casa-se com a cantora lírica italiana, Gabriela Besanzoni. Para agradar a artista, manda construir uma réplica perfeita de um “palazzo romano”, e reformula parte do projeto paisagístico.

Dois grandes portões se abrem à Rua Jardim Botânico, nº 414, para os caminhos cercados de palmeiras imperiais que levam à mansão, projetada pelo arquiteto italiano Mario Vodrel. A fachada principal tem pórtico saliente, totalmente revestido de cantaria. O casarão, construído em torno de uma piscina, tem mármores, azulejos e ladrilhos importados da Itália. As pinturas decorativas dos seus salões foram assinadas por Salvador Paylos Sabaté.

Os jardins que cercam a casa fazem parte do Parque Nacional da Tijuca. São organizados de forma geométrica e o entorno compreende 52 hectares de floresta exuberante, com variedade de espécies da Mata Atlântica, nas encostas do Maciço do Corcovado e ao lado do Jardim Botânico.

O caráter eclético de sua arquitetura aliado ao estilo de vida de seus moradores refletiam o espírito de uma época, onde a vida social da cidade tinha lugar nos salões como o Palacete dos Lage. Deste período ainda encontram-se no Parque Lage algumas ruínas do antigo engenho de açúcar ali existente. Estes valores justificaram o tombamento da área verde, e das construções arquitetônicas ao seu redor pelo IPHAN, no ano de 1957, como patrimônio paisagístico, ambiental e cultural.

O Parque Lage cativa os visitantes que por aqui passam. Seja pela efervescência cultural da EAV, seja pela possibilidade de passeios no clima bucólico de sua área verde, onde destacam-se o lago e as ilhas artificiais, as pontes com trabalhos em rocaille, o coreto e a gruta, construídos em argamassa, imitando rochas e troncos de árvores.

Pode-se também circular dentro de uma das cavernas artificiais e admirar os aquários incrustados nas paredes. Os 12 tanques – o maior deles com capacidade para seis mil litros – abrigam diversas espécies de peixes, priorizando espécies de biomas de rios brasileiros.

Hoje, com bastante diversão para todas as idades, incluindo parque infantil, trilhas – que levam ao Cristo Redentor -, chafariz, áreas para piquenique e descanso, estacionamento amplo, além de vigias locais, o Parque Lage é um convite aos que desejam um contato próximo com a natureza.