EAV Parque Lage

Sinopse A PAIXÃO DE JL

Em uma hora e meia, o depoimento é alinhado a imagens, músicas e algumas das suas principais obras, formando uma poética audiovisual sobre as impressões do que o artista viu e sentiu em seus últimos três anos de vida. A ideia que culminou na realização do longa-metragem surgiu em 2011, quando o Itaú Cultural fez a mostra Sob o Peso dos Meus Amores retrospectiva da obra de Leonilson. Carlos Nader foi convidado a dirigir um curta sobre a exposição cujo resultado levou, naturalmente, à produção deste longa-metragem.

Pintor, desenhista e escultor brasileiro José Leonilson Bezerra Dias, nasceu em Fortaleza, e morreu em São Paulo, vítima da Aids. Em janeiro de 1990, quando tinha 33 anos – três antes de morrer –, ele começou a confeccionar um diário íntimo gravado em fitas cassete. Nader, seu amigo pessoal, conseguiu acesso ao material guardado pela família. “Alternando reflexões sobre sua intimidade e sobre o espírito de sua época, ele deixou um registro precioso em que um indivíduo especialmente sensível se relaciona com as grandes mudanças de seu tempo”, diz o diretor.

A partir do diário de Leonilson, ele optou por um caminho arriscado que, no entanto, resultou em uma produção no qual o espectador embarca em uma história pessoal de paixão, dúvidas e questionamentos, arte e criação, alinhavada por imagens de arquivo sobre aquele período.  Os tempos narrados por Leonilson são acompanhados por cenas que fizeram parte do seu imaginário e dos seus comentários.

“Além de mostrar algumas de suas obras, o documentário entretece o diário íntimo com imagens públicas ligadas a diversos temas mencionados nas gravações”, conta Nader, premiado no É Tudo Verdade, em 2014, com o filme Homem Comum. “São assuntos tão diferentes quanto o Plano Collor, a Guerra do Iraque, filmes de Wim Wenders ou Derek Jarman, novelas da Globo, a tragédia da Aids ou o reino pop de Madonna”, completa. Vale ressaltar, ainda, a presença de trechos de programas da televisão, como Família Do-Re-Mi, o noticiário do Jornal Nacional, em 1990 e 1992, a série Mico Preto e Perdidos no Espaço.

Nas gravações, Leonilson fala de seus trabalhos, de tristezas e alegrias, amores e desamores, medos, família e da homossexualidade. Um dia se descobre soropositivo, tema principal da última fase da sua vida.