Abertura: 17 de setembro, às 19h
Visitação: até 10 de outubro
Casa Lira
A AMOSTRA26 reúne trabalhos desenvolvidos ao longo da quarta edição do Laboratório de Práticas Artísticas (LPA), iniciativa criada pela artista e ex-aluna e professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Luiza Baldan. Realizado ao longo de nove meses, o laboratório propõe um espaço de acompanhamento e desenvolvimento de processos artísticos, baseado na observação, na troca e na convivência entre artistas de diferentes trajetórias e contextos.
Criado em 2022, o LPA nasceu de uma experiência conduzida por Luiza Baldan na EAV entre 2012 e 2017, no curso Exercícios de Observação com Fotografia. A proposta, posteriormente ampliada no NowHere Lisboa, parte da ideia de que a prática artística demanda tempo para que perguntas, experimentações e possibilidades possam amadurecer. Nesta quarta edição, o projeto estabeleceu sua primeira parceria institucional com a EAV, criando uma ponte entre Rio de Janeiro e Lisboa. A exposição foi inicialmente apresentada em Lisboa e chega agora ao Rio, em parceria com a Casa Lira, ampliando os espaços de circulação e encontro do projeto.
Na Casa Lira, espaço de criação e encontro localizado no Jardim Botânico, AMOSTRA26 reúne artistas do Rio de Janeiro, de outros estados brasileiros e de diferentes países. A exposição integra a segunda ocupação da casa e reforça a rede de colaboração entre Casa Lira, NowHere e EAV, aproximando diferentes comunidades e modos de produção no campo da arte contemporânea.
Os trabalhos apresentados não constituem uma narrativa única, mas um conjunto de pesquisas que atravessam memória, corpo, território, natureza, transformação, modos de habitar e relações entre matéria e imagem. Participam da exposição:
- Aline Mac Cord: investiga as relações entre gesto, percepção e ambiente, aproximando pintura, experiência sensorial e mundo vivo.
- Camila Leite: utiliza o bordado e materiais têxteis descartados para construir corpos fragmentados e orgânicos, articulando memória, matéria e transformação.
- Denise Teixeira: parte do retrato para desenvolver um mural multifacetado, explorando relações entre o familiar e o artificial e diferentes possibilidades técnicas.
- João Wagner Daruich: trabalha com desenhos costurados para abordar passagem do tempo, mutação e transformação como parte de um ciclo contínuo.
- Karin Cagy: investiga o envelhecimento feminino e transforma marcas do tempo em cartografias que afirmam maturidade, experiência, desejo e resistência.
- Laura Drüsedau: observa a cidade, o habitar e os encontros entre pessoas e espaços, explorando memória, repetição e materialidades simples.
- Luciana Silveira: desenvolve sua pesquisa a partir da linha e do bordado, criando um trabalho coletivo atravessado por memória, despedida, afeto e partilha.
- Luiza Volpato: articula pintura, imagem digital, subjetividade, memória e paisagem em trabalhos que investigam aquilo que permanece como vestígio e presença.
- Maria Luiza Dan: aproxima corpo e território para tornar perceptíveis violências e estruturas de poder, explorando processos de invasão, ruptura e transformação.
- Mina Lancellotti: transita entre fotografia, vídeo e som e investiga religiosidade, ancestralidade, memória e luto, aproximando diferentes dimensões da cosmologia do candomblé.
- Rafa Diås: investiga os modos contemporâneos de habitar a partir de relações entre corpo, casa, cidade e natureza, pensando o habitar como processo instável e em permanente transformação.
- Raphos: cria universos biomórficos e oníricos em que formas orgânicas, desejo, estranhamento e transformação coexistem.
- Rodrigo Viana: trabalha a partir da fotografia e da serigrafia, explorando película, geometria, repetição e sobreposição para construir imagens entre o concreto e o abstrato.
- Tuca Paoli: investiga memória, ausência, deslocamento e pertencimento por meio de fotografia e colagem, utilizando árvores como elementos simbólicos de enraizamento e passagem.
Para o LPA, AMOSTRA não representa um ponto final, mas um recorte público de processos que permanecem em movimento. A exposição torna visível o percurso construído ao longo de nove meses de encontros, conversas, experimentações, impasses e descobertas — uma experiência de formação que se desenvolve justamente na possibilidade de olhar, escutar e criar em conjunto.
*As inscrições para a quinta edição do LPA se encontram abertas até o dia 13/09!
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