"A Voz do Ancestral: a origem, o terreiro e a cidade" é uma performance ritual itinerante dedicada à celebração e à reconstituição da memória do povo iorubá-nagô, abordando o surgimento dos terreiros de Candomblé como forma de renascimento do mundo no contexto pós-diáspora negra.
Na EAV Parque Lage, será evocado o mito "O que as folhas cantam", livremente inspirado no livro homônimo da Yalorixá Mãe Stella de Oxóssi. A narrativa acompanha a trajetória do Orixá Ossaiyn, divindade da floresta na cultura nagô, revelando a importância das folhas e da natureza nos cultos de ancestralidade.
As apresentações no Parque Lage marcam o encerramento de um ciclo de itinerância da performance que, ao longo dos últimos dois meses, percorreu simbolicamente caminhos de origem, desenvolvimento e expansão da cultura afrobrasileira na cidade do Rio de Janeiro, passando por locais como o Cais do Valongo ("Ruína-Semente: a origem"), a Feira de Antiguidades da Praça XV ("Exu Passeia no Mercado"), a Praça Mauá ("Pequena África: Candombless e Carnavais") e o Museu da República ("Corpo-território-nagô: a arte e o sagrado").
Em cada espaço, uma nova narrativa é contada pela Voz do Ancestral e pelo corpo do iniciado. A chegada ao Parque Lage conclui um arco narrativo que entrelaça origem mítica, o desenvolvimento dos terreiros de Candomblé e sua relação com a cidade do Rio de Janeiro.
Em meio à Mata Atlântica, "O que as folhas cantam" revela que, para o povo iorubá-nagô, a natureza é simultaneamente ponto de partida e de retorno, elemento indissociável de seus modos de fazer, pensar e existir.
*Fotografia: Renato Mangolin (@mangolin)
Ficha Técnica:
Criação e Performance: Bruno Balthazar;
Design Gráfico: Mayra Muniz
Produção Executiva: Caio Vargas